{"id":31870,"date":"2026-06-12T21:44:05","date_gmt":"2026-06-13T00:44:05","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=31870"},"modified":"2026-06-12T21:44:05","modified_gmt":"2026-06-13T00:44:05","slug":"o-alzirao-como-a-tijuca-criou-o-maior-festival-de-rua-da-copa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=31870","title":{"rendered":"O &#8216;Alzir\u00e3o&#8217;: Como a Tijuca criou o maior festival de rua da Copa"},"content":{"rendered":"<p><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodorio.com\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image_processing20200201-29235-jhq1wi.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n            <!-- image --><\/p>\n<div class=\"td-post-featured-image\">\n<figure><figcaption class=\"wp-caption-text\">Alzir\u00e3o \u00e9 realizado na esquina das ruas Conde de Bonfim e Alzira Brand\u00e3o, na Tijuca<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>            <!-- content --><\/p>\n<p>O Alzir\u00e3o come\u00e7ou na <strong>Rua Alzira Brand\u00e3o<\/strong>, na <strong>Tijuca<\/strong>, nos anos 1970. O que nasceu como uma reuni\u00e3o espont\u00e2nea de vizinhos com bandeirinhas e uma TV na cal\u00e7ada, transformou-se no maior festival de rua da <strong>Copa do Mundo<\/strong> no <strong>Rio de Janeiro<\/strong>. Para este ano, o prefeito<strong>\u00a0Eduardo Cavaliere\u00a0<\/strong>confirmou na quarta-feira (10\/06), por meio de uma publica\u00e7\u00e3o nas redes sociais, que a festa foi autorizada e acontecer\u00e1 normalmente.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Come\u00e7o: Uma TV na Cal\u00e7ada e a \u201cCopa do Ditador\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>Em 1978, a Copa do Mundo acontecia na <strong>Argentina<\/strong>, sob a sombra da ditadura de <strong>Videla<\/strong>. O clima no Brasil era tenso, o futebol da Sele\u00e7\u00e3o de <strong>Cl\u00e1udio Coutinho<\/strong> n\u00e3o empolgava, e a infla\u00e7\u00e3o castigava o bolso do trabalhador.<\/p>\n<p>Foi nesse cen\u00e1rio cinzento que moradores da regi\u00e3o tiveram uma ideia simples para tentar animar os vizinhos: pegou um aparelho de televis\u00e3o (daquelas antigas, pesadas, de tubo), colocou em cima de uma mesa na cal\u00e7ada da Rua Alzira Brand\u00e3o e puxou uma extens\u00e3o de luz de dentro de casa.<\/p>\n<p>A premissa era s\u00f3 juntar os amigos para tomar uma cerveja e assistir ao Brasil. Naquele ano, a Sele\u00e7\u00e3o acabou eliminada de forma pol\u00eamica (a Argentina goleou o Peru por 6 a 0 em um jogo suspeito e tirou o Brasil da final), mas a semente na Tijuca j\u00e1 tinha brotado. Os moradores perceberam que assistir ao jogo na rua, compartilhando a ang\u00fastia e a alegria com o vizinho, era infinitamente melhor do que ficar isolado na sala de casa.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Crescimento: Da Tinta no Asfalto ao Palco de LED<\/strong><\/h3>\n<p>Nas Copas de 1982 e 1986, a brincadeira virou tradi\u00e7\u00e3o oficial do bairro. O ritual come\u00e7ava semanas antes do torneio: os moradores se cotizavam para comprar latas de tinta e passavam os fins de semana pintando o asfalto com bandeiras do Brasil, desenhos do mascote da Copa e mensagens de apoio. Barbantes com milhares de bandeirinhas verdes e amarelas eram esticados de um pr\u00e9dio ao outro, cobrindo o c\u00e9u da rua.<\/p>\n<p>A cada edi\u00e7\u00e3o, o p\u00fablico dobrava. O que era uma reuni\u00e3o de vizinhos passou a atrair pessoas de outros bairros da Zona Norte e, logo, da cidade inteira.<\/p>\n<p>A televis\u00e3o na cal\u00e7ada virou um tel\u00e3o; o tel\u00e3o virou um projetor; e o projetor deu lugar a palcos gigantescos com telas de LED de alta defini\u00e7\u00e3o. O Alzir\u00e3o deixou de ser uma \u201cfesta de rua\u201d para se transformar em um festival oficializado pela Prefeitura do Rio, atraindo patrocinadores de peso e entrando para o calend\u00e1rio tur\u00edstico do estado.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A Apoteose: O Maracan\u00e3 das Ruas<\/strong><\/h3>\n<p>O Alzir\u00e3o atingiu o seu \u00e1pice nos anos 2000. Em dias de jogo do Brasil, a ferve\u00e7\u00e3o come\u00e7a cedo. A organiza\u00e7\u00e3o fecha as ruas do entorno e a Tijuca vira um verdadeiro formigueiro humano. Em edi\u00e7\u00f5es de Copa do Mundo, o evento chegou a registrar marcas impressionantes de <strong>mais de 30 mil a 50 mil pessoas por jogo<\/strong>.<\/p>\n<p>O grande segredo do Alzir\u00e3o \u00e9 que ele funciona como uma esp\u00e9cie de \u201cescola de samba do futebol\u201d. Quando o juiz apita o fim do jogo da Sele\u00e7\u00e3o, seja com vit\u00f3ria ou derrota, a festa n\u00e3o acaba. Pelo contr\u00e1rio: <strong>bandas de pagode, blocos de Carnaval, DJs de funk e baterias de escolas de samba<\/strong> (como a vizinha <strong>Salgueiro<\/strong>) sobem ao palco e transformam a rua em uma quadra de ensaio a c\u00e9u aberto at\u00e9 a madrugada.<\/p>\n<p>O Alzir\u00e3o provou para o mundo que a Copa, para o carioca, n\u00e3o se joga apenas nos est\u00e1dios bilion\u00e1rios da <strong>FIFA<\/strong>. Ela se joga no asfalto, no calor do copo de pl\u00e1stico, no grito un\u00edssono que ecoa entre os pr\u00e9dios da Tijuca.<\/p>\n<div data-ad-id=\"353515\" style=\"text-align:left; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-353515  \">\n<div class=\"grupowhats\" style=\"margin: 10px 0;\">Receba not\u00edcias no WhatsApp e e-mail<br \/>\n<br \/>\n<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/JoXpzt37aFy2bFyFBrcRWY?s=sw&amp;p=a&amp;ilr=2\" target=\"blank\" class=\"tdm-inline-image-wrap\" rel=\"noopener\"><\/a><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodorio.com\/o-alzirao-como-a-tijuca-criou-o-maior-festival-de-rua-da-copa\/\">D\u00edario Regional RJ <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alzir\u00e3o \u00e9 realizado na esquina das ruas Conde de Bonfim e Alzira Brand\u00e3o, na Tijuca O Alzir\u00e3o come\u00e7ou na Rua Alzira Brand\u00e3o, na Tijuca, nos anos 1970. 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