{"id":32809,"date":"2026-06-23T14:50:56","date_gmt":"2026-06-23T17:50:56","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=32809"},"modified":"2026-06-23T14:50:56","modified_gmt":"2026-06-23T17:50:56","slug":"jardins-do-palacio-monroe-ajudam-a-contar-a-historia-de-um-simbolo-demolido-do-centro-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=32809","title":{"rendered":"Jardins do Pal\u00e1cio Monroe ajudam a contar a hist\u00f3ria de um s\u00edmbolo demolido do centro do Rio"},"content":{"rendered":"<p><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodorio.com\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/palacio-monroe.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n            <!-- image --><\/p>\n<div class=\"td-post-featured-image\">\n<figure><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto: Acervo Senado Federal<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>            <!-- content --><\/p>\n<p>O <strong>Pal\u00e1cio Monroe<\/strong> marcou a paisagem do centro do <strong>Rio de Janeiro<\/strong> durante grande parte do s\u00e9culo XX. Lembrado pela impon\u00eancia arquitet\u00f4nica e pelo peso institucional, o edif\u00edcio tamb\u00e9m reunia um entorno ajardinado que hoje costuma ficar em segundo plano, embora fizesse parte da experi\u00eancia urbana do conjunto. Os cariocas mais velhos se lembram com saudosismo e os mais novos nem sequer ouviram falar. O que existe hoje no final da <strong>Avenida Rio Branco<\/strong>, entre a <strong>Cinel\u00e2ndia <\/strong>e a<strong> Ba\u00eda de Guanabara<\/strong>, s\u00e3o apenas um estacionamento subterr\u00e2neo e uma pra\u00e7a pouco frequentada. N\u00e3o se v\u00ea nenhum vest\u00edgio do imponente Monroe, o pal\u00e1cio que abrigou o <strong>Senado <\/strong>entre 1925 e 1960. <\/p>\n<p>O pal\u00e1cio foi originalmente constru\u00eddo para ser o<strong> Pavilh\u00e3o do Brasil na Exposi\u00e7\u00e3o Universal de Saint Louis<\/strong>, em 1904. Por vencer o pr\u00eamio de melhor arquitetura da feira, foi desmontado, trazido de navio para o Brasil e remontado em 1906. A montagem em solo norte-americano expressava a ambi\u00e7\u00e3o modernizante da jovem Rep\u00fablica brasileira. Depois, desmontado, o edif\u00edcio foi reconstru\u00eddo no Rio, em \u00e1rea estrat\u00e9gica da cidade, na ent\u00e3o <strong>Avenida Central<\/strong>, mais tarde conectada \u00e0 <strong>Avenida Beira-Mar<\/strong> e \u00e0 <strong>Cinel\u00e2ndia<\/strong>.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que se insere o <em>\u201cProjecto de jardim mixto na \u00e1rea onde est\u00e1 edificado o Pal\u00e1cio Monroe\u201d<\/em>, que ajuda a revisitar o entorno do pr\u00e9dio. Com tra\u00e7ado inspirado no paisagismo urbano do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, o jardim funcionava como transi\u00e7\u00e3o entre a monumentalidade da arquitetura e o ritmo acelerado do centro.<\/p>\n<p>Os caminhos sinuosos, os canteiros desenhados com cuidado, os gramados e a arboriza\u00e7\u00e3o ofereciam uma pausa na densidade da \u00e1rea central. O jardim suavizava a rigidez da pedra e da vida cotidiana, criando um espa\u00e7o de respiro e conviv\u00eancia.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><\/figure>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A decad\u00eancia do Pal\u00e1cio<\/strong><\/h3>\n<p>O Monroe, depois de deixado de lado devido \u00e0 transfer\u00eancia da capital para <strong>Bras\u00edlia<\/strong>, passou a funcionar como uma esp\u00e9cie de filial do Senado no Rio. Parte dos servidores p\u00fablicos permaneceram no Pal\u00e1cio, sobretudo os que j\u00e1 estavam perto da aposentadoria, e os pr\u00f3prios senadores ainda realizavam reuni\u00f5es no local. Mais tarde, tr\u00eas andares foram cedidos ao <strong>Estado-Maior das For\u00e7as Armadas<\/strong>.<\/p>\n<p>Nos anos 70, com o esvaziamento e a degrada\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio, ganhou for\u00e7a a tese de que o Monroe deveria ser demolido. Entre os argumentos estavam o al\u00edvio do tr\u00e2nsito no centro, a abertura de uma \u00e1rea verde em meio ao concreto e a necessidade de reduzir gastos p\u00fablicos, j\u00e1 que Bras\u00edlia estava consolidada e o Senado manter uma reparti\u00e7\u00e3o cara no Rio j\u00e1 n\u00e3o faria sentido.<\/p>\n<p>Outra justificativa foi a de que o pr\u00e9dio impediria a constru\u00e7\u00e3o da linha do metr\u00f4 entre o centro e a Zona Sul. Para evitar a demoli\u00e7\u00e3o, o trajeto dos trilhos acabou sendo desviado, com uma curva antecipada que originalmente passaria pelos subterr\u00e2neos do Monroe.<\/p>\n<p>A disputa tamb\u00e9m foi est\u00e9tica. O <strong>Iphan <\/strong>recebeu uma proposta de tombamento de todos os pr\u00e9dios p\u00fablicos da Cinel\u00e2ndia, mas o arquiteto e urbanista <strong>L\u00facio Costa<\/strong> se posicionou contra a prote\u00e7\u00e3o do Monroe. Para ele, tratava-se de um edif\u00edcio sem valor arquitet\u00f4nico, apenas uma \u201cpresen\u00e7a estorvante\u201d na paisagem urbana.<\/p>\n<p>L\u00facio Costa defendia que a arquitetura brasileira se limitava ao per\u00edodo colonial, como o de Ouro Preto, e ao moderno, como Bras\u00edlia. Tudo o que ficasse entre esses dois marcos, a exemplo do ecletismo, seria mera imita\u00e7\u00e3o de estilos estrangeiros.<\/p>\n<p>O Rio se dividiu. Alguns se posicionaram contra, outros se posicionaram a favor. O regime militar e modernistas justificaram a destrui\u00e7\u00e3o como \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o\u201d, enquanto historiadores e defensores do patrim\u00f4nio a classificaram como um ato de viol\u00eancia simb\u00f3lica. Os defensores da preserva\u00e7\u00e3o argumentavam que, mesmo sem representar uma arquitetura genuinamente nacional, o pal\u00e1cio tinha valor hist\u00f3rico incontest\u00e1vel. Sob a ditadura militar, por\u00e9m, n\u00e3o houve grandes manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p>No fim, o Iphan rejeitou o tombamento e acolheu os argumentos de L\u00facio Costa. Em 1975, o Senado devolveu o edif\u00edcio ao governo federal. Tribunais, reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e entidades de engenheiros ainda se ofereceram para reformar e ocupar o pal\u00e1cio, mas nada adiantou. Por ordem do presidente<strong> Ernesto Geisel<\/strong>, o pr\u00e9dio premiado em Saint Louis, em 1904, foi ao ch\u00e3o. A demoli\u00e7\u00e3o se arrastou por meses at\u00e9 que, em junho de 1976, um trator derrubou a \u00faltima parede.<\/p>\n<p>A not\u00edcia repercutiu em Bras\u00edlia, especialmente entre os senadores da oposi\u00e7\u00e3o.<strong> Itamar Franco (MDB-MG)<\/strong> disse ter assistido, na \u00e9poca, <em>\u201ccom tristeza \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o daquele pr\u00e9dio, em que v\u00e1rias figuras desta na\u00e7\u00e3o militaram\u201d<\/em>. <strong>Segundo Benjamin Farah (MDB-RJ)<\/strong>, <em>\u201cinfelizmente, no pa\u00eds, tudo o que \u00e9 tradicional \u00e9 destru\u00eddo\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Quando o Pal\u00e1cio Monroe foi demolido, em 1976, a cidade perdeu n\u00e3o apenas um edif\u00edcio emblem\u00e1tico, mas tamb\u00e9m uma \u00e1rea que articulava urbanidade, paisagem e sociabilidade.<\/p>\n<div data-ad-id=\"353515\" style=\"text-align:left; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-353515  \">\n<div class=\"grupowhats\" style=\"margin: 10px 0;\">Receba not\u00edcias no WhatsApp e e-mail<br \/>\n<br \/>\n<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/GEAzsOGQbD5IKdVaij61NF\" target=\"blank\" class=\"tdm-inline-image-wrap\" rel=\"noopener\"><\/a><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodorio.com\/jardins-do-palacio-monroe-ajudam-a-contar-a-historia-de-um-simbolo-demolido-do-centro-do-rio\/\">D\u00edario Regional RJ <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Acervo Senado Federal O Pal\u00e1cio Monroe marcou a paisagem do centro do Rio de Janeiro durante grande parte do s\u00e9culo XX. 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