{"id":33257,"date":"2026-06-29T01:31:29","date_gmt":"2026-06-29T04:31:29","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=33257"},"modified":"2026-06-29T01:31:29","modified_gmt":"2026-06-29T04:31:29","slug":"cocaina-no-mar-do-rio-contamina-tubaroes-e-raias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=33257","title":{"rendered":"Coca\u00edna no mar do Rio contamina tubar\u00f5es e raias"},"content":{"rendered":"<p><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodorio.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/AquaRio-%C2%A9-Alexandre-Macieira-9274-scaled.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n            <!-- image --><\/p>\n<div class=\"td-post-featured-image\">\n<figure><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto meramente ilustrativa &#8211; Foto: Alexandre Macieira<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>            <!-- content --><\/p>\n<p>Nem a imensid\u00e3o do <strong>Atl\u00e2ntico<\/strong> tem conseguido diluir o volume de coca\u00edna, medicamentos e inseticidas que chega ao mar pelo esgoto no <strong>Rio de Janeiro<\/strong>. Um estudo rec\u00e9m-publicado mostra que tubar\u00f5es e raias da costa carioca j\u00e1 apresentam sinais de contamina\u00e7\u00e3o por subst\u00e2ncias consumidas por humanos.<\/p>\n<p>A pesquisa encontrou coca\u00edna e benzoilecgonina, subst\u00e2ncia derivada da coca\u00edna, al\u00e9m de diclofenaco, piroxicam, sulfametoxazol e fipronil em animais jovens. Os compostos incluem anti-inflamat\u00f3rios, antibi\u00f3tico e inseticida.<\/p>\n<p>O alerta vai al\u00e9m da polui\u00e7\u00e3o marinha. Para os pesquisadores, a presen\u00e7a dessas subst\u00e2ncias nos peixes indica que uma quantidade enorme de drogas, l\u00edcitas e il\u00edcitas, est\u00e1 sendo lan\u00e7ada no ambiente. Parte delas \u00e9 expelida pela urina, segue para rios, redes de esgoto e emiss\u00e1rios submarinos e termina no oceano.<\/p>\n<p><em>\u201cPara haver contamina\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso haver um consumo gigantesco dessas subst\u00e2ncias\u201d<\/em>, afirmou <strong>Rachel Ann Hauser-Davis<\/strong>, bi\u00f3loga do <strong>Laborat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o e Promo\u00e7\u00e3o de Sa\u00fade Ambiental<\/strong> do <strong>Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz)<\/strong> e primeira autora do estudo.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Animais jovens j\u00e1 aparecem contaminados<\/h3>\n<p>Os cientistas analisaram m\u00fasculos, f\u00edgado e c\u00e9rebro de raias-borboleta (<strong>Gymnura altavela<\/strong>) e tubar\u00f5es-martelo (<strong>Sphyrna lewini<\/strong>) doados por pescadores artesanais do <strong>Recreio dos Bandeirantes<\/strong>, na Zona Oeste do <strong>Rio<\/strong>.<\/p>\n<p>O n\u00famero de amostras foi pequeno, sete no total. Ainda assim, a detec\u00e7\u00e3o dos contaminantes em animais jovens chamou a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores. Para eles, o resultado indica exposi\u00e7\u00e3o recente ou cont\u00ednua.<\/p>\n<p><em>\u201cSe est\u00e1 nos bichos \u00e9 porque a quantidade dessas drogas no ambiente \u00e9 brutal. Ela n\u00e3o \u00e9 medida, deveria ser investigada\u201d<\/em>, disse <strong>Marcelo Vianna<\/strong>, coautor do artigo e pesquisador do <strong>Laborat\u00f3rio de Biologia e Tecnologia Pesqueira<\/strong> da <strong>Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)<\/strong> e do <strong>Instituto Museu Aqu\u00e1rio Marinho do Rio de Janeiro (Imam\/AquaRio)<\/strong>.<\/p>\n<p>A coca\u00edna j\u00e1 havia sido encontrada em tubar\u00f5es no Rio. Em 2024, um estudo de <strong>Enrico Saggioro<\/strong>, <strong>Rachel Ann Hauser-Davis<\/strong>, <strong>Marcelo Vianna<\/strong> e outros pesquisadores detectou a droga em tubar\u00f5es-de-bico-fino (<strong>Rhizoprionodon lalandii<\/strong>) tamb\u00e9m no <strong>Recreio dos Bandeirantes<\/strong>.<\/p>\n<p>Neste m\u00eas, outro grupo da <strong>UFRJ<\/strong> identificou sertralina, um antidepressivo comum, no c\u00e9rebro de tubar\u00f5es do litoral fluminense. A sequ\u00eancia de descobertas refor\u00e7a a preocupa\u00e7\u00e3o com contaminantes que n\u00e3o costumam aparecer nos monitoramentos tradicionais.<\/p>\n<p><em>\u201cH\u00e1 muito esgoto e lixo no mar. O n\u00edvel de polui\u00e7\u00e3o \u00e9 grande e nem sempre \u00e9 vis\u00edvel ou detect\u00e1vel por m\u00e9todos tradicionais, que n\u00e3o monitoram nem eliminam, por exemplo, medicamentos. Os animais ficam expostos a isso todo o tempo. Choca, mas n\u00e3o surpreende encontrar esse tipo de contamina\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>, afirmou <strong>Rachel Ann Hauser-Davis<\/strong>.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Coca\u00edna em concentra\u00e7\u00e3o alta indica exposi\u00e7\u00e3o constante<\/h3>\n<p>Um dos pontos que mais chamaram a aten\u00e7\u00e3o foi a concentra\u00e7\u00e3o de coca\u00edna nas raias. Em alguns casos, ela superou a de benzoilecgonina, que \u00e9 formada quando a droga original \u00e9 metabolizada.<\/p>\n<p>Isso sugere uma exposi\u00e7\u00e3o recente ou cont\u00ednua. A coca\u00edna \u00e9 metabolizada com rapidez, enquanto a benzoilecgonina tende a se acumular com o tempo. Quando a droga original aparece em maior concentra\u00e7\u00e3o, o ind\u00edcio \u00e9 de entrada recente no organismo dos animais.<\/p>\n<p>Os pesquisadores alertam que essas subst\u00e2ncias podem afetar comportamento, fisiologia e reprodu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas. A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 maior no caso da raia-borboleta, esp\u00e9cie amea\u00e7ada que tem na <strong>Ba\u00eda de Guanabara<\/strong> seu \u00fanico ber\u00e7\u00e1rio conhecido no <strong>Atl\u00e2ntico Sudoeste<\/strong>.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda a possibilidade de que f\u00eameas contaminadas transmitam subst\u00e2ncias aos embri\u00f5es. Com isso, os animais j\u00e1 poderiam nascer expostos a drogas e medicamentos lan\u00e7ados no mar.<\/p>\n<p><em>\u201cO litoral do Rio de Janeiro \u00e9 o mais industrializado de todo o Atl\u00e2ntico Sul e recebe enormes quantidades de esgoto e de poluentes lan\u00e7ados por rios. O oceano \u00e9 um ambiente din\u00e2mico e correntes espalham os contaminantes pelo litoral do Sudeste. N\u00e3o \u00e9 um problema espec\u00edfico do Recreio, do munic\u00edpio nem do estado. Esse tipo de contamina\u00e7\u00e3o \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o sem fronteiras\u201d<\/em>, destacou <strong>Marcelo Vianna<\/strong>.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Risco tamb\u00e9m preocupa pelo consumo de ca\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Tubar\u00f5es e raias s\u00e3o elasmobr\u00e2nquios, grupo de peixes com esqueleto formado por cartilagem. No com\u00e9rcio, muitas esp\u00e9cies acabam vendidas como ca\u00e7\u00e3o. A carne sem espinha costuma ser recomendada para crian\u00e7as pequenas e idosos, o que aumenta a preocupa\u00e7\u00e3o dos pesquisadores.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o se sabe qual risco o consumo desses animais contaminados pode representar para os seres humanos. Segundo <strong>Marcelo Vianna<\/strong>, o <strong>Brasil<\/strong> \u00e9 o maior consumidor de carne de ca\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p><em>\u201cEsses peixes n\u00e3o deveriam ser consumidos, seja porque est\u00e3o amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o, seja por riscos poss\u00edveis para a sa\u00fade\u201d<\/em>, afirmou <strong>Rachel Ann Hauser-Davis<\/strong>.<\/p>\n<p>O estudo classifica essas subst\u00e2ncias como <strong>Contaminantes de Preocupa\u00e7\u00e3o Emergente<\/strong>. O grupo inclui produtos farmac\u00eauticos, drogas il\u00edcitas e pesticidas que n\u00e3o s\u00e3o monitorados de forma regular, embora possam causar danos ambientais.<\/p>\n<p>Esses compostos tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o removidos por m\u00e9todos convencionais de tratamento de esgoto. Em peixes, j\u00e1 s\u00e3o associados a altera\u00e7\u00f5es comportamentais, fisiol\u00f3gicas e end\u00f3crinas, como infertilidade, malforma\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7a de sexo.<\/p>\n<p>O trabalho, chamado <em>\u201cContaminantes de preocupa\u00e7\u00e3o emergente de m\u00faltiplas classes em elasmobr\u00e2nquios costeiros amea\u00e7ados: nova evid\u00eancia de exposi\u00e7\u00e3o no in\u00edcio da vida no Sudeste do Brasil\u201d<\/em>, foi publicado na <strong>Marine Pollution Bulletin<\/strong>, revista cient\u00edfica da \u00e1rea de polui\u00e7\u00e3o marinha.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de <strong>Rachel Ann Hauser-Davis<\/strong> e <strong>Marcelo Vianna<\/strong>, participaram cientistas do <strong>Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa)<\/strong> e da <strong>Universidade Andr\u00e9s Bello<\/strong>, no <strong>Chile<\/strong>.<\/p>\n<p><em>\u201cA ocorr\u00eancia em indiv\u00edduos juvenis \u00e9 preocupante, pois os est\u00e1gios iniciais de vida s\u00e3o mais vulner\u00e1veis aos efeitos da polui\u00e7\u00e3o, podendo comprometer a sobreviv\u00eancia de esp\u00e9cies amea\u00e7adas. A pesca \u00e9 apontada como a maior amea\u00e7a a muitas esp\u00e9cies de peixes, mas vemos que drogas usadas pelo ser humano tamb\u00e9m podem ser motivo de extin\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>, disse <strong>Marcelo Vianna<\/strong>.<\/p>\n<p><em>\u201cMostramos um problema desconhecido. A sociedade faz maci\u00e7o uso de drogas, de todos os tipos, e precisa pensar nas consequ\u00eancias e na necessidade de solu\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 um problema do peixe. \u00c9 nosso\u201d<\/em>, ressaltou <strong>Marcelo Vianna<\/strong>.<\/p>\n<p><em>As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o d\u00b4O Globo.<\/em><\/p>\n<div data-ad-id=\"353515\" style=\"text-align:left; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-353515  \">\n<div class=\"grupowhats\" style=\"margin: 10px 0;\">Receba not\u00edcias no WhatsApp e e-mail<br \/>\n<br \/>\n<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/LHK9Z6Xc8fq7SxxQWsZjvj\" target=\"blank\" class=\"tdm-inline-image-wrap\" rel=\"noopener\"><\/a><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodorio.com\/cocaina-no-mar-do-rio-contamina-tubaroes-e-raias\/\">D\u00edario Regional RJ <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto meramente ilustrativa &#8211; Foto: Alexandre Macieira Nem a imensid\u00e3o do Atl\u00e2ntico tem conseguido diluir o volume de coca\u00edna, medicamentos e inseticidas que chega ao mar pelo esgoto no Rio de Janeiro. 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