{"id":33554,"date":"2026-07-02T13:51:53","date_gmt":"2026-07-02T16:51:53","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=33554"},"modified":"2026-07-02T13:51:53","modified_gmt":"2026-07-02T16:51:53","slug":"roberto-anderson-a-cidade-para","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=33554","title":{"rendered":"Roberto Anderson: A cidade para"},"content":{"rendered":"<p><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodorio.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-02-at-11.28.01-1.jpeg\" \/><\/p>\n<div>\n            <!-- image --><\/p>\n<div class=\"td-post-featured-image\"><\/div>\n<p>            <!-- content --><\/p>\n<p>O intenso tiroteio da madrugada \u00e9 capaz de parar uma parte da cidade. M\u00e3es e pais se perguntam se podem levar os filhos ao col\u00e9gio, ou entreg\u00e1-los \u00e0 condu\u00e7\u00e3o escolar, que transitar\u00e1 com as crian\u00e7as por lugares que podem ter sido afetados pelo susto de momentos antes. Pode demorar, mas ainda nesse mesmo dia tudo voltar\u00e1 ao normal.<\/p>\n<p>A chacina numa favela distante consegue parar quase que a cidade toda. V\u00e1rios bairros da cidade s\u00e3o impactados. As not\u00edcias dos policiais entrando e atirando por entre as casas, as dezenas de corpos enfileirados no asfalto, os \u00f4nibus incendiados ou sequestrados para criar barreiras ao funcionamento normal da cidade e o governador corrupto se vangloriando do seu ato violento, tudo isso paralisa a vida de muita gente. J\u00e1 \u00e9 quase normal na cidade. Os patr\u00f5es entendem a apreens\u00e3o das pessoas. O prefeito decreta que n\u00e3o ser\u00e1 obrigat\u00f3rio ir ao trabalho naqueles pr\u00f3ximos dias. Mas, o medo j\u00e1 est\u00e1 alastrado.<\/p>\n<p>O Carnaval tamb\u00e9m para a cidade. De um jeito diferente, ele o faz pelo excesso de movimento. O dia e a noite se misturam, feriados e dias de semana se mesclam, o trabalho e o prazer se entrela\u00e7am, e os desconhecidos se juntam. Nos blocos, pegados uns aos outros, est\u00e3o unidos por suor e purpurina. Uma greve geral, movida a m\u00fasica e cerveja.<\/p>\n<p>O jogo do Brasil na Copa, o que faz? Mobiliza a cidade, mobiliza o pa\u00eds inteiro. Tudo come\u00e7a com os preparativos, que se repetem a cada quatro anos. \u00c9 preciso colecionar figurinhas para completar o \u00e1lbum da Copa, uma tarefa s\u00e9ria que envolve crian\u00e7as e adultos. Atrapalha o andamento das aulas e rouba tempo das atividades dos escrit\u00f3rios, mas \u00e9 totalmente tolerada, j\u00e1 que \u00e9 por uma boa causa. Pintar a rua e colocar bandeirinhas s\u00e3o atividades fundamentais para se criar o tal clima de Copa. \u00c9 tamb\u00e9m prova de coes\u00e3o social do quarteir\u00e3o. Bairro sem decora\u00e7\u00e3o de rua \u00e9 sinal de que \u00e9 habitado por gente esquisita.<\/p>\n<p>Tem tamb\u00e9m que comprar cornetas, ou qualquer coisa que fa\u00e7a barulho. E camisas da sele\u00e7\u00e3o, de prefer\u00eancia as do camel\u00f4, que n\u00e3o pagam royalties para os bar\u00f5es da CBF. Ah, e n\u00e3o esquecer os palpites sobre o pr\u00f3ximo jogo, fazer o bol\u00e3o com os amigos, e curtir o medo de que o advers\u00e1rio seja mais forte. Vale reclamar que o Brasil talvez j\u00e1 n\u00e3o seja o pa\u00eds do futebol e coisa e tal.<\/p>\n<p>Depois, \u00e9 encomendar a cerveja e combinar com os amigos o lugar de assistir. Dia de jogo do Brasil exige dispensa do trabalho, se n\u00e3o o dia inteiro, pelo menos nas horas que o antecedem. Azar \u00e9 se o trabalho for enquadrado como atividade essencial. A\u00ed o jeito \u00e9 levar uma televis\u00e3o para assistir no plant\u00e3o.<\/p>\n<p>Horas antes do jogo come\u00e7am os fogos, os mesmos que anunciam a chegada da droga, assim como o in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o policial na favela. Fogos que ouvidos cariocas, j\u00e1 acostumados, n\u00e3o confundem com os tiros das chacinas e das incurs\u00f5es policiais que dias antes podem ter ocorrido. Como o Rio n\u00e3o tem igual. Forasteiros estranham, mas depois se acostumam.<\/p>\n<p>Chega a hora do jogo. Desaven\u00e7as pol\u00edticas esquecidas, separa\u00e7\u00f5es entre ser fora ou dentro da lei superadas, chega o momento de torcer. Os jogadores cantando o hino s\u00e3o o espelho da p\u00e1tria. Canta-se nas casas, diante dos televisores. Gigante pela pr\u00f3pria natureza, belo, forte, imp\u00e1vido colosso, a lembran\u00e7a da terra adorada emociona. Passada a algazarra que antecede o in\u00edcio do jogo, vem o sil\u00eancio. Nada se passa nas ruas, ningu\u00e9m se desloca, a cidade para por completo. Todos seguem atentos ao que se passa no gramado a milhas de dist\u00e2ncia. Se tudo der certo, vai chegar a oportunidade de explodir e gritar Goool! Do Brasil, \u00e9 claro.<\/p>\n<div data-ad-id=\"353515\" style=\"text-align:left; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-353515  \">\n<div class=\"grupowhats\" style=\"margin: 10px 0;\">Receba not\u00edcias no WhatsApp e e-mail<br \/>\n<br \/>\n<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/LHK9Z6Xc8fq7SxxQWsZjvj\" target=\"blank\" class=\"tdm-inline-image-wrap\" rel=\"noopener\"><\/a><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodorio.com\/roberto-anderson-a-cidade-para\/\">D\u00edario Regional RJ <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O intenso tiroteio da madrugada \u00e9 capaz de parar uma parte da cidade. M\u00e3es e pais se perguntam se podem levar os filhos ao col\u00e9gio, ou entreg\u00e1-los \u00e0 condu\u00e7\u00e3o escolar, que transitar\u00e1 com as crian\u00e7as por lugares que podem ter sido afetados pelo susto de momentos antes. 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