{"id":33780,"date":"2026-07-05T13:04:59","date_gmt":"2026-07-05T16:04:59","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=33780"},"modified":"2026-07-05T13:04:59","modified_gmt":"2026-07-05T16:04:59","slug":"disputa-entre-faccoes-rompe-tregua-e-espalha-violencia-pelas-praias-de-copacabana-e-do-leme","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=33780","title":{"rendered":"Disputa entre fac\u00e7\u00f5es rompe tr\u00e9gua e espalha viol\u00eancia pelas praias de Copacabana e do Leme"},"content":{"rendered":"<p><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodorio.com\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Lascar_Morro_da_Babilonia_Leme_4551795984-scaled.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n            <!-- image --><\/p>\n<div class=\"td-post-featured-image\">\n<figure><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>            <!-- content --><\/p>\n<p>O cal\u00e7ad\u00e3o e a praia de <strong>Copacabana <\/strong>e do <strong>Leme <\/strong>viraram o novo palco de uma ruptura hist\u00f3rica entre os dois maiores grupos criminosos do Rio de Janeiro: o <strong>Comando Vermelho (CV)<\/strong> e o <strong>Terceiro Comando Puro (TCP)<\/strong>. A quebra de um antigo acordo velado de conviv\u00eancia pac\u00edfica trouxe para a orla cenas at\u00edpicas de correria, espancamentos com porretes, monitoramento de pedestres e circula\u00e7\u00e3o de armamentos, tudo motivado pelo controle do mercado de entorpecentes e pela extors\u00e3o do com\u00e9rcio local.<\/p>\n<p>Um reflexo claro dessa escalada de tens\u00e3o foi capturado pelas lentes de monitoramento de um estabelecimento comercial em Copacabana, no \u00faltimo dia 25 de junho. Passava das 20h30 quando um rapaz usando casaco e bon\u00e9 buscou ref\u00fagio no local enquanto era perseguido. Os registros mostram a v\u00edtima tentando argumentar e entregando o pr\u00f3prio aparelho telef\u00f4nico para verifica\u00e7\u00e3o dos perseguidores. Em seguida, um terceiro indiv\u00edduo surge e inicia uma sess\u00e3o de agress\u00f5es f\u00edsicas contra o homem. No meio do tumulto, uma quarta pessoa cruza o espa\u00e7o portando uma pistola. O p\u00e2nico fez com que as mesas esvaziassem imediatamente. <\/p>\n<p>Um comerciante que atua na regi\u00e3o sob anonimato revelou que epis\u00f3dios assim viraram rotina e que trabalhadores de entregas por aplicativo operam sob constante amea\u00e7a de agress\u00e3o f\u00edsica por suspeitas de liga\u00e7\u00e3o com quadrilhas rivais. Ele desabafou sobre a nova realidade do bairro.<\/p>\n<p><em>\u201cAqui na orla, o tr\u00e1fico sempre atuou de forma velada, mas, de uns meses para c\u00e1, as coisas mudaram muito. Eles est\u00e3o proibindo entregadores de passar do Posto 2, no Leme, para o outro lado, perguntam de onde eles s\u00e3o, olham o celular. \u00c9 igual ao que acontece nas comunidades dominadas pelo crime. Eu nunca imaginei ver isso acontecer aqui\u201d<\/em>, relata.<\/p>\n<p>H\u00e1 quatro anos trabalhando na orla, o mesmo comerciante demonstrou forte preocupa\u00e7\u00e3o com a possibilidade de a criminalidade expandir o controle econ\u00f4mico sobre a praia atrav\u00e9s da cobran\u00e7a de taxas de seguran\u00e7a e funcionamento para os donos de quiosques fixos. Ele manifestou esse temor afirmando que a gente sabe que eles j\u00e1 cobram de alguns ambulantes, ressaltando que a praia atrai turistas e movimenta a economia, o que os deixa com medo de onde essa disputa vai parar. <\/p>\n<p>Atualmente, a divis\u00e3o territorial da areia possui uma barreira invis\u00edvel na altura do <strong>Posto 2<\/strong>, pr\u00f3ximo \u00e0 <strong>Avenida Princesa Isabel<\/strong>. O lado do Leme \u00e9 dominado pelo TCP, que usa como base as favelas vizinhas do <strong>Chap\u00e9u Mangueira<\/strong> e da <strong>Babil\u00f4nia<\/strong>. J\u00e1 a faixa restante e mais extensa da praia sofre influ\u00eancia direta do CV, ramificado a partir dos morros dos <strong>Tabajaras <\/strong>e <strong>Pav\u00e3o-Pav\u00e3ozinho<\/strong>.<\/p>\n<p>Essa divis\u00e3o funciona como um espelho geogr\u00e1fico das favelas locais. Os vendedores buscam as drogas nas respectivas comunidades e descem para comercializ\u00e1-las nas praias. No entanto, o delegado<strong> Paulo Saback,<\/strong> da <strong>Delegacia de Repress\u00e3o a Entorpecentes (DRE)<\/strong>, pontua que os interesses das fac\u00e7\u00f5es v\u00e3o al\u00e9m do tr\u00e1fico tradicional por conta do alto poder aquisitivo dos frequentadores. Segundo a autoridade policial, o tr\u00e1fico em si j\u00e1 desperta interesse porque ali eles conseguem vender a droga por um pre\u00e7o muito acima do praticado nas comunidades, explicando ainda que a receita das quadrilhas \u00e9 inflada pela explora\u00e7\u00e3o do aluguel de motos el\u00e9tricas, al\u00e9m do com\u00e9rcio ilegal de vapes, cigarros contrabandeados e r\u00e9plicas de marcas famosas.<\/p>\n<p>Para evitar a repress\u00e3o policial pesada, os criminosos costumavam agir com discri\u00e7\u00e3o, utilizando disfarces de vendedores ambulantes de doces para oferecer entorpecentes aos banhistas. Em algumas negocia\u00e7\u00f5es com estrangeiros, a grama de coca\u00edna chega a atingir o valor de 20 euros (R$ 120). Um morador local detalhou a mudan\u00e7a de comportamento das gangues sob a condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ser identificado.<\/p>\n<p><em>\u201cIsso acontece h\u00e1 muito tempo, e todo mundo sabe. O que mudou \u00e9 que eles est\u00e3o aparecendo mais porque come\u00e7aram a disputar essas \u00e1reas. \u00c0s vezes, voc\u00ea est\u00e1 na praia e v\u00ea v\u00e1rios caras correndo em grupo para iniciar uma confus\u00e3o com integrantes da fac\u00e7\u00e3o rival. Eles andam em bando, com peda\u00e7os de madeira e pedras nas m\u00e3os, e, de repente, come\u00e7a uma briga\u201d<\/em>, relata.<\/p>\n<p>A raiz dessa instabilidade na Zona Sul do Rio, segundo setores de intelig\u00eancia da <strong>Pol\u00edcia Civil<\/strong>, est\u00e1 ligada a uma guerra sangrenta travada no munic\u00edpio vizinho de <strong>Niter\u00f3i<\/strong>, onde o TCP tenta tomar pontos de venda do CV em bairros como <strong>Fonseca<\/strong>, <strong>Icara\u00ed <\/strong>e no <strong>Centro <\/strong>daquela cidade. Como as bases do Leme fornecem apoio financeiro e de armamentos para essa ofensiva do outro lado da <strong>Ba\u00eda de<\/strong> <strong>Guanabara<\/strong>, traficantes do CV baseados na <strong>Ladeira dos Tabajaras <\/strong>passaram a atacar os redutos rivais da Zona Sul como forma de retalia\u00e7\u00e3o, estendendo o campo de batalha para as areias da praia.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio de medo faz com que muitos crimes n\u00e3o cheguem aos canais oficiais da Pol\u00edcia Civil, j\u00e1 que v\u00edtimas e testemunhas evitam fazer registros na <strong>12\u00aa DP (Copacabana) <\/strong>temendo repres\u00e1lias violentas. Apesar da subnotifica\u00e7\u00e3o, levantamentos do Instituto Fogo Cruzado revelam que, nos \u00faltimos meses, a regi\u00e3o do Leme registrou quatro tiroteios com duas mortes, enquanto Copacabana contabilizou sete epis\u00f3dios de disparos de arma de fogo, deixando uma v\u00edtima fatal. Em resposta, a <strong>Pol\u00edcia Militar<\/strong> garantiu em nota oficial que realiza o patrulhamento preventivo de forma ininterrupta nas vias p\u00fablicas e na faixa de areia atrav\u00e9s de equipes a p\u00e9, motopatrulhas e viaturas.<\/p>\n<div data-ad-id=\"353515\" style=\"text-align:left; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-353515  \">\n<div class=\"grupowhats\" style=\"margin: 10px 0;\">Receba not\u00edcias no WhatsApp e e-mail<br \/>\n<br \/>\n<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/E8pK6nHmdGjFDSW3LcwwwM\" target=\"blank\" class=\"tdm-inline-image-wrap\" rel=\"noopener\"><\/a><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodorio.com\/disputa-entre-faccoes-rompe-tregua-e-espalha-violencia-pelas-praias-de-copacabana-e-do-leme\/\">D\u00edario Regional RJ <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o O cal\u00e7ad\u00e3o e a praia de Copacabana e do Leme viraram o novo palco de uma ruptura hist\u00f3rica entre os dois maiores grupos criminosos do Rio de Janeiro: o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP). 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