{"id":34425,"date":"2026-07-13T16:45:36","date_gmt":"2026-07-13T19:45:36","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=34425"},"modified":"2026-07-13T16:45:36","modified_gmt":"2026-07-13T19:45:36","slug":"caixa-e-arquivo-nacional-negociam-digitalizacao-de-cadernetas-de-poupanca-de-pessoas-escravizadas-do-seculo-xix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=34425","title":{"rendered":"Caixa e Arquivo Nacional negociam digitaliza\u00e7\u00e3o de cadernetas de poupan\u00e7a de pessoas escravizadas do s\u00e9culo XIX"},"content":{"rendered":"<p><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodorio.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/cadernetas.avif\" \/><\/p>\n<div>\n            <!-- image --><\/p>\n<div class=\"td-post-featured-image\">\n<figure><figcaption class=\"wp-caption-text\">Cadernetas de poupan\u00e7a de pessoas de escravizadas devem ser digitalizadas (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/GloboNews)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>            <!-- content --><\/p>\n<p>O <strong>Arquivo Nacional<\/strong> e a <strong>Caixa Econ\u00f4mica Federal<\/strong> avan\u00e7am nas negocia\u00e7\u00f5es para firmar um <strong>Acordo de Coopera\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica<\/strong> voltado \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o de 158 cadernetas de poupan\u00e7a pertencentes a pessoas escravizadas no s\u00e9culo <strong>XIX<\/strong>. O objetivo \u00e9 preservar o acervo e ampliar o acesso de pesquisadores e da sociedade a documentos considerados essenciais para compreender a escravid\u00e3o no <strong>Brasil<\/strong>, a forma\u00e7\u00e3o do sistema financeiro nacional e o destino dos recursos depositados nessas contas.<\/p>\n<p>As cadernetas foram encontradas durante um levantamento realizado pela Caixa a pedido do <strong>Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF)<\/strong>, que conduz um inqu\u00e9rito civil para apurar a preserva\u00e7\u00e3o e a destina\u00e7\u00e3o desse patrim\u00f4nio documental. Os registros re\u00fanem informa\u00e7\u00f5es como nomes, profiss\u00f5es, endere\u00e7os e movimenta\u00e7\u00f5es financeiras de pessoas escravizadas que conseguiram acumular pec\u00falio antes da aboli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a diretora-geral do <strong>Arquivo Nacional, Monica Lima<\/strong>, as tratativas entre as institui\u00e7\u00f5es t\u00eam evolu\u00eddo em diferentes etapas. Ela informou que, ap\u00f3s uma primeira visita t\u00e9cnica ao acervo, foi realizada uma reuni\u00e3o virtual com representantes da Caixa. Em seguida, o Arquivo Nacional encaminhou uma minuta do acordo para an\u00e1lise da institui\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima fase prev\u00ea uma nova inspe\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para avaliar as condi\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o dos livros cont\u00e1beis que guardam os registros hist\u00f3ricos. Somente ap\u00f3s essa etapa ser\u00e1 poss\u00edvel concluir o processo de formaliza\u00e7\u00e3o do acordo, que ainda n\u00e3o tem prazo definido.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do valor documental, as cadernetas revelam trajet\u00f3rias individuais de pessoas escravizadas que conseguiram economizar parte de seus rendimentos. Um dos casos \u00e9 o de <strong>Lydia<\/strong>, lavadeira de 27 anos identificada nos registros como <em>\u201cescrava de Maria Carlota Fortuna\u201d<\/em>. Os documentos indicam que ela provavelmente viveu na antiga <strong>Rua da Sa\u00fade<\/strong>, atual <strong>Rua Sacadura Cabral<\/strong>, na regi\u00e3o da <strong>Pequena \u00c1frica, no Centro do Rio de Janeiro.<\/strong><\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es contidas nas contas retratam uma realidade vivida por parte da popula\u00e7\u00e3o escravizada nos centros urbanos. Homens e mulheres conhecidos como <em>\u201cescravos de ganho\u201d <\/em>exerciam atividades remuneradas, repassando parte dos rendimentos aos propriet\u00e1rios e, em alguns casos, conseguindo guardar uma parcela do dinheiro recebido. Esse pec\u00falio representava a possibilidade de comprar a pr\u00f3pria alforria ou a de familiares, embora permanecessem submetidos ao regime escravista.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Registros dos dep\u00f3sitos realizados por Augusto, ao longo de 1866 \u2013 Foto: Denise Reis\/Acervo Caixa Cultural de S\u00e3o Paulo<br \/><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/20260625_caderneta_escravizado_augusto.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"\/><br \/><\/figcaption><\/figure>\n<p>A historiadora <strong>Keila Grinberg,<\/strong> que pesquisa o tema desde o projeto realizado durante as comemora\u00e7\u00f5es dos 150 anos da Caixa Econ\u00f4mica Federal, afirma que a exist\u00eancia dessas contas ajuda a compreender uma faceta pouco conhecida da escravid\u00e3o urbana. Segundo ela, a principal quest\u00e3o era entender como pessoas escravizadas podiam manter contas de poupan\u00e7a, uma situa\u00e7\u00e3o que, embora pare\u00e7a contradit\u00f3ria, era permitida em determinadas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>O caso de Lydia tamb\u00e9m levanta d\u00favidas sobre o destino dos valores depositados. De acordo com a pesquisadora, a caderneta permaneceu sem movimenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 1931, o que motivou um novo questionamento: o que aconteceu com esse dinheiro?<\/p>\n<p>Foi justamente essa d\u00favida que levou o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal a instaurar o inqu\u00e9rito civil. A investiga\u00e7\u00e3o come\u00e7ou ap\u00f3s uma representa\u00e7\u00e3o apresentada por uma organiza\u00e7\u00e3o do movimento negro, que solicitou esclarecimentos sobre o destino das poupan\u00e7as registradas em nome de pessoas escravizadas. <\/p>\n<p>Em nota, a Caixa Econ\u00f4mica Federal informou que reconhece a import\u00e2ncia hist\u00f3rica de seu acervo documental e afirmou que trabalha para ampliar o conhecimento p\u00fablico sobre esse patrim\u00f4nio com transpar\u00eancia e responsabilidade institucional. A institui\u00e7\u00e3o confirmou ainda que mant\u00e9m tratativas com o Arquivo Nacional para viabilizar a digitaliza\u00e7\u00e3o, a preserva\u00e7\u00e3o e a divulga\u00e7\u00e3o do material.<\/p>\n<div data-ad-id=\"353515\" style=\"text-align:left; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-353515  \">\n<div class=\"grupowhats\" style=\"margin: 10px 0;\">Receba not\u00edcias no WhatsApp e e-mail<br \/>\n<br \/>\n<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/GoFichcopncHfX8xV4HArk\" target=\"blank\" class=\"tdm-inline-image-wrap\" rel=\"noopener\"><\/a><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodorio.com\/caixa-e-arquivo-nacional-negociam-digitalizacao-de-cadernetas-de-poupanca-de-pessoas-escravizadas-do-seculo-xix\/\">D\u00edario Regional RJ <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cadernetas de poupan\u00e7a de pessoas de escravizadas devem ser digitalizadas (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/GloboNews) O Arquivo Nacional e a Caixa Econ\u00f4mica Federal avan\u00e7am nas negocia\u00e7\u00f5es para firmar um Acordo de Coopera\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica voltado \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o de 158 cadernetas de poupan\u00e7a pertencentes a pessoas escravizadas no s\u00e9culo XIX. 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