{"id":34563,"date":"2026-07-15T08:14:22","date_gmt":"2026-07-15T11:14:22","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=34563"},"modified":"2026-07-15T08:14:22","modified_gmt":"2026-07-15T11:14:22","slug":"onde-o-asfalto-esconde-a-historia-a-melancolica-saga-do-rio-carioca-aprisionado-sob-o-pulsar-da-zona-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=34563","title":{"rendered":"Onde o asfalto esconde a hist\u00f3ria: A melanc\u00f3lica saga do Rio Carioca, aprisionado sob o pulsar da Zona Sul"},"content":{"rendered":"<p><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodorio.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-77-e1783617561104.png\" \/><\/p>\n<div>\n            <!-- image --><\/p>\n<div class=\"td-post-featured-image\">\n<figure><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto: Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>            <!-- content --><\/p>\n<p>A fisionomia geogr\u00e1fica da capital fluminense passou por profundas mudan\u00e7as artificiais que moldaram o cen\u00e1rio urbano atual \u00e0 custa de seu patrim\u00f4nio hidrogr\u00e1fico. Ao longo dos s\u00e9culos XIX e XX, uma grande rede de rios que cortava a cidade foi sistematicamente canalizada, retificada, desviada e sepultada sob toneladas de concreto e asfalto. Cursos d\u2019\u00e1gua de grande relev\u00e2ncia ecol\u00f3gica e hist\u00f3rica, como o <strong>Maracan\u00e3<\/strong>, o <strong>Comprido<\/strong>, o <strong>Trapicheiros <\/strong>e o lend\u00e1rio <strong>Rio Carioca<\/strong>, deixaram de correr a c\u00e9u aberto. <\/p>\n<p>Antigamente fundamentais para o abastecimento p\u00fablico, transporte de cargas, drenagem natural e delimita\u00e7\u00e3o do crescimento das freguesias, esses mananciais passaram a ser encarados pelos planejadores urbanos como barreiras f\u00edsicas que travavam o progresso imobili\u00e1rio e vetores de prolifera\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as. Esse apagamento ambiental estrutural ganhou for\u00e7a com as pol\u00edticas sanitaristas e as grandes reformas est\u00e9ticas que varreram a antiga paisagem colonial.<\/p>\n<p>O caso mais emblem\u00e1tico e carregado de simbolismo desse processo de confinamento subaqu\u00e1tico \u00e9 o do Rio Carioca, manancial que batizou a identidade dos nascidos no estado e que hoje flui na mais completa escurid\u00e3o sob vias movimentadas e edif\u00edcios residenciais. Durante o <strong>Brasil Col\u00f4nia<\/strong>, o rio funcionou como a principal art\u00e9ria de sobreviv\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Suas \u00e1guas puras eram captadas no topo do <strong>Maci\u00e7o da Tijuca<\/strong> e transportadas por gravidade at\u00e9 o cora\u00e7\u00e3o financeiro e administrativo da cidade por meio do <strong>Aqueduto da Carioca<\/strong>, uma estrutura monumental em arcos de pedra que hoje resiste como o cart\u00e3o-postal dos <strong>Arcos da Lapa<\/strong>. Ao alcan\u00e7ar o Centro, o fluxo alimentava chafarizes p\u00fablicos ic\u00f4nicos, como o da atual <strong>Pra\u00e7a Largo da Carioca<\/strong>, transformando esses pontos de coleta em fervilhantes centros de sociabilidade, com\u00e9rcio e abastecimento comunit\u00e1rio.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Valter Cunha<\/figcaption><\/figure>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o para a modernidade, consolidada no in\u00edcio do s\u00e9culo XX pelas reformas urbanas do prefeito Pereira Passos, marcou o in\u00edcio do enclausuramento definitivo do leito. Galerias pluviais profundas foram escavadas para aprisionar o fluxo d\u2019\u00e1gua no subsolo, viabilizando o loteamento, o alargamento e a pavimenta\u00e7\u00e3o de novos eixos vi\u00e1rios que interligavam os bairros do <strong>Cosme Velho, Laranjeiras <\/strong>e <strong>Flamengo<\/strong>.<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas seguintes, o adensamento imobili\u00e1rio vertical e a valoriza\u00e7\u00e3o dos terrenos na Zona Sul sepultaram os raros trechos que ainda sobreviviam expostos \u00e0 luz do dia. Na d\u00e9cada de 1960, as monumentais obras de engenharia para a cria\u00e7\u00e3o do <strong>Aterro do Flamengo<\/strong> alteraram de forma definitiva a pr\u00f3pria foz do rio, que acabou completamente subjugada e integrada aos sistemas de escoamento de \u00e1guas da chuva e \u00e0 rede coletora de esgotos da metr\u00f3pole.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Gilberto Mesquita<\/figcaption><\/figure>\n<p>Atualmente, de seu percurso total de aproximadamente <strong>7 quil\u00f4metros de extens\u00e3o<\/strong>, o Rio Carioca s\u00f3 preserva suas caracter\u00edsticas naturais e corre livre em sua cabeceira alta, protegida pela mata fechada do <strong>Parque Nacional da Tijuca<\/strong>, e em curtos recantos residenciais isolados, como no preservado <strong>Largo do Botic\u00e1rio<\/strong>, no Cosme Velho. Fora desses pequenos ref\u00fagios hist\u00f3ricos, o rio que viabilizou o nascimento e o desenvolvimento da pr\u00f3pria cidade flui de forma invis\u00edvel por baixo das galerias urbanas, desaguando de maneira artificial e silenciosa nas \u00e1guas da <strong>Praia do Flamengo<\/strong>.<\/p>\n<div data-ad-id=\"353515\" style=\"text-align:left; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-353515  \">\n<div class=\"grupowhats\" style=\"margin: 10px 0;\">Receba not\u00edcias no WhatsApp e e-mail<br \/>\n<br \/>\n<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/GoFichcopncHfX8xV4HArk\" target=\"blank\" class=\"tdm-inline-image-wrap\" rel=\"noopener\"><\/a><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodorio.com\/onde-o-asfalto-esconde-a-historia-a-melancolica-saga-do-rio-carioca-aprisionado-sob-o-pulsar-da-zona-sul-2\/\">D\u00edario Regional RJ <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro A fisionomia geogr\u00e1fica da capital fluminense passou por profundas mudan\u00e7as artificiais que moldaram o cen\u00e1rio urbano atual \u00e0 custa de seu patrim\u00f4nio hidrogr\u00e1fico. 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