{"id":34661,"date":"2026-07-16T11:03:06","date_gmt":"2026-07-16T14:03:06","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=34661"},"modified":"2026-07-16T11:03:06","modified_gmt":"2026-07-16T14:03:06","slug":"pesquisa-da-fgv-revela-que-economia-do-brasil-imperial-cresceu-quatro-vezes-mais-do-que-se-dizia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=34661","title":{"rendered":"Pesquisa da FGV revela que economia do Brasil Imperial cresceu quatro vezes mais do que se dizia"},"content":{"rendered":"<p><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodorio.com\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/20220216_183228-scaled.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n            <!-- image --><\/p>\n<div class=\"td-post-featured-image\">\n<figure><figcaption class=\"wp-caption-text\">Pa\u00e7o Imperial anoitecendo na Pra\u00e7a XV | Foto: Rafa Pereira &#8211; Di\u00e1rio do Rio<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>            <!-- content --><\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, estudos, livros e bancos de dados internacionais repetiram que a economia brasileira havia crescido muito pouco durante o Imp\u00e9rio. O fato causava estranheza em quem lia sobre a pujante exporta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 e sobre a estabilidade econ\u00f4mica e prosperidade de grande parte do per\u00edodo imperial em fontes mais hist\u00f3ricas do que econ\u00f4micas, e na literatura. Mas segundo as estat\u00edsticas que eram tidaa como reais at\u00e9 agora,  a renda por habitante teria avan\u00e7ado somente 0,3% ao ano entre 1850 e 1889, desempenho dif\u00edcil de conciliar com a expans\u00e3o do caf\u00e9, o desenvolvimento das ferrovias, o crescimento das cidades, a amplia\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio e a moderniza\u00e7\u00e3o observada durante o bem sucedido reinado de <strong>Dom Pedro II<\/strong>.<\/p>\n<p>Agora, uma nova e verdadeiramente minuciosa pesquisa da <strong>Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas<\/strong> mostra agora que a economia do Brasil Imperial cresceu, na realidade, <strong>quatro vezes mais do que se dizia<\/strong>.O trabalho \u00e9 do professor<strong> Thales Zamberlan Pereira, <\/strong>da <strong>Escola de Economia de S\u00e3o Paulo da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas, <\/strong>e foi publicado em 19 de maio de 2026 pela <strong><em>European Review of Economic History<\/em>, <\/strong>revista cient\u00edfica da <strong>Universidade de Oxford <\/strong>e da <strong>European Historical Economics Society. <\/strong>O artigo, intitulado<strong><em>Inflation and Economic Growth in Imperial Brazil \u2014 1824-1889<\/em>, <\/strong>foi recebido em maio de 2025, revisado e finalmente aceito pela comunidade cient\u00edfica agora em mar\u00e7o de 2026.\u00a0<\/p>\n<p>Com um novo e minucioso \u00edndice de pre\u00e7os, constru\u00eddo a partir de uma extensa \u00e9 in\u00e9dita pesquisa por mais de 20 mil cota\u00e7\u00f5es mensais, Pereira concluiu que a renda por habitante no Brasil aumentou aproximadamente 1,2% ao ano entre 1850 e 1889 \u2014 e n\u00e3o apenas os irris\u00f3rios 0,3%, como apontavam as estimativas tradicionalmente utilizadas.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de uma altera\u00e7\u00e3o pequena. A taxa quadruplicada muda completamente a posi\u00e7\u00e3o brasileira nas compara\u00e7\u00f5es internacionais e coloca o crescimento do Imp\u00e9rio em linha com a m\u00e9dia da Am\u00e9rica Latina naquele per\u00edodo, e finalmente casa a estat\u00edstica econ\u00f4mica com a literatura e a hist\u00f3ria pol\u00edtica. O interessante \u00e9 que o pr\u00f3prio  <strong>DI\u00c1RIO <\/strong>ajudou a contar essa hist\u00f3ria: a descoberta tem um sabor especialmente carioca \u2014 e particularmente especial para o Di\u00e1rio do Rio.<\/p>\n<p>Para reconstruir os pre\u00e7os praticados durante o Imp\u00e9rio, o pesquisador recorreu principalmente a jornais publicados na Corte<strong>. <\/strong>Nas d\u00e9cadas de 1820 e 1830, sua fonte principal foi o pr\u00f3prio <strong><em>Di\u00e1rio do Rio de Janeiro<\/em>, <\/strong>em sua fase original do s\u00e9culo XIX<strong>. Para <\/strong>os anos posteriores, o estudo utilizou predominantemente o  <strong><em>Jornal do Commercio<\/em>, <\/strong>recorrendo ainda a outros peri\u00f3dicos para preencher eventuais lacunas.\u00a0<\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-di-rio-do-rio-de-janeiro wp-block-embed-di-rio-do-rio-de-janeiro\"\/>\n<p>Assim, an\u00fancios e cota\u00e7\u00f5es publicados nas p\u00e1ginas do Di\u00e1rio h\u00e1 quase dois s\u00e9culos acabaram ajudando a corrigir uma das interpreta\u00e7\u00f5es mais repetidas sobre a economia do Brasil Imperial.<\/p>\n<p>Fundado em 1\u00ba de junho de 1821, antes mesmo da Independ\u00eancia, o <em>Di\u00e1rio do Rio de Janeiro<\/em>   foi o primeiro jornal di\u00e1rio do Brasil. Barato e acess\u00edvel, ganhou o apelido de \u201c<em>Di\u00e1rio da Manteiga<\/em>\u201d, porque custava aproximadamente o pre\u00e7o de uma pequena por\u00e7\u00e3o do produto.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m publicava uma quantidade extraordin\u00e1ria de an\u00fancios, classificados, avisos comerciais e ofertas de produtos. Era uma esp\u00e9cie de grande guia da vida cotidiana e econ\u00f4mica do Rio de Janeiro: quem procurava uma mercadoria, um servi\u00e7o, um im\u00f3vel, at\u00e9 mesmo um escravo ou uma informa\u00e7\u00e3o comercial na Corte encontrava suas respostas no Di\u00e1rio.<\/p>\n<p>H\u00e1 um paralelo curioso com a fase contempor\u00e2nea do jornal. O antigo Di\u00e1rio era barato, amplamente difundido e financiado por uma profus\u00e3o de an\u00fancios. O atual \u00e9 gratuito e tamb\u00e9m se sustenta com publicidade digital, banners, v\u00eddeos e aqueles an\u00fancios que, para desespero de alguns leitores, acompanham o jornalismo gratuito na internet. Mudaram o s\u00e9culo, a tecnologia e o formato; permaneceu, em alguma medida, o modelo de um jornal carioca acess\u00edvel, popular e intimamente ligado \u00e0 atividade comercial da cidade.\u00a0<\/p>\n<p>O que parecia ef\u00eamero em 1824 tornou-se documento inestim\u00e1vel em 2026. Pre\u00e7os publicados para orientar comerciantes e compradores da Corte atravessaram dois s\u00e9culos e permitiram a Thales Pereira reconstruir, m\u00eas a m\u00eas, parte importante da economia brasileira.<\/p>\n<p>E agora o pr\u00f3prio Di\u00e1rio, em sua fase contempor\u00e2nea, conta o que as p\u00e1ginas de sua primeira fase ajudaram a revelar.<\/p>\n<p><strong>Onde estava o erro<\/strong><\/p>\n<p>Para entender a import\u00e2ncia da descoberta, \u00e9 preciso compreender como os estudiosos calculam o crescimento econ\u00f4mico do passado.<\/p>\n<p>Os registros hist\u00f3ricos podem mostrar quanto a produ\u00e7\u00e3o ou a renda aumentaram em valores monet\u00e1rios. Mas, para descobrir quanto desse avan\u00e7o foi real, \u00e9 necess\u00e1rio descontar a infla\u00e7\u00e3o. Se os pre\u00e7os subiram muito, parte do crescimento nominal n\u00e3o representa aumento verdadeiro da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Por isso, o \u00edndice de pre\u00e7os utilizado \u00e9 decisivo.<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Thales Pereira, as s\u00e9ries equivocadamente  adotadas durante d\u00e9cadas para calcular a infla\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XIX apresentavam graves distor\u00e7\u00f5es. Algumas utilizavam poucos produtos; outras mudavam a composi\u00e7\u00e3o da cesta ao longo dos anos \u2013 comparando literalmente, alhos com bugalhos. Havia ainda \u00edndices excessivamente concentrados em alimentos e produtos agr\u00edcolas \u2013 at\u00e9 por conta possivelmente, da eterna for\u00e7a\u00e7\u00e3o de barra pra ignorar o nascimento, ainda que incipiente, da ind\u00fastria nacional \u2013 deixando de fora mercadorias manufaturadas cujo pre\u00e7o diminuiu ao longo do s\u00e9culo.  O resultado foi calcularem tudo com uma infla\u00e7\u00e3o muito maior no papel do que aquela que efetivamente ocorreu. <\/p>\n<p>O estudo demonstra portanto que as s\u00e9ries anteriores superestimavam a infla\u00e7\u00e3o acumulada em propor\u00e7\u00f5es que variavam entre 57% e 270%. Como essa infla\u00e7\u00e3o artificialmente elevada era descontada da renda nominal do pa\u00eds, o crescimento real da economia imperial aparecia muito menor.\u00a0 Em outras palavras: a economia produzia e enriquecia mais do que as estat\u00edsticas antigas \u2013 e erradas \u2013 conseguiam enxergar.<\/p>\n<p><strong>De 0,3% para 1,2% ao ano<\/strong><\/p>\n<p>A diferen\u00e7a fica evidente na compara\u00e7\u00e3o internacional utilizada pelo pesquisador.    Pelas estimativas tradicionais, a renda por habitante no Brasil teria crescido apenas 0,3% ao ano entre 1850 e 1889. O pa\u00eds aparecia muito atr\u00e1s de vizinhos como Argentina, Chile, Uruguai e Col\u00f4mbia. Com o novo \u00edndice, o crescimento brasileiro sobe para 1,2% ao ano, o que parece incr\u00edvel para um pa\u00eds de dimens\u00f5es continentais e ainda em consolida\u00e7\u00e3o, com dificuldades de transporte de mercadorias e interliga\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios que n\u00e3o tinham \u2013 e n\u00e3o t\u00eam \u2013 par entre os vizinhos.<\/p>\n<p>A Argentina teria crescido 2%; o Chile, 1,8%; os Estados Unidos, 1,6%; o Uruguai, 1,3%; o Brasil, 1,2%; e a Col\u00f4mbia, 1%. O desempenho do imenso territ\u00f3rio brasileiro passa, portanto, a acompanhar o ritmo m\u00e9dio observado na Am\u00e9rica Latina, mesmo em pa\u00edses menores que o estado do Par\u00e1.<\/p>\n<p>A nova conta tamb\u00e9m resolve uma contradi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que h\u00e1 muito chamava a aten\u00e7\u00e3o: como um pa\u00eds que atravessava uma expans\u00e3o quase cont\u00ednua das exporta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 desde os anos 1840 poderia registrar crescimento pr\u00f3ximo de zero? Toda a literatura sobre os Bar\u00f5es, Ferrovias, Estaleiros e exporta\u00e7\u00e3o seriam fantasiosos?  Isso sem contar a rica economia do charque, no Sul do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>As antigas estimativas n\u00e3o combinavam com a expans\u00e3o do com\u00e9rcio exterior nem com outras evid\u00eancias de desenvolvimento econ\u00f4mico. A pesquisa de Pereira mostra que o problema n\u00e3o estava na economia imperial, mas nos instrumentos estat\u00edsticos empregados posteriormente para medi-la. Com amostra ruim, n\u00e3o h\u00e1 pesquisa que tenha resultado bom.<\/p>\n<p>Aquilo que muitos monarquistas, estudiosos e admiradores do per\u00edodo imperial sustentavam com base nas transforma\u00e7\u00f5es vis\u00edveis do Brasil oitocentista recebe agora uma demonstra\u00e7\u00e3o estat\u00edstica robusta: a economia do Imp\u00e9rio cresceu muito mais do que se dizia: o qu\u00e1druplo.<\/p>\n<p><strong>Tecidos que ficaram mais baratos mudaram a conta<\/strong><\/p>\n<p>Uma das principais inova\u00e7\u00f5es do trabalho foi incluir produtos manufaturados e importados, especialmente os tecidos de algod\u00e3o.. <\/p>\n<p>Os \u00edndices anteriores davam enorme peso aos g\u00eaneros agr\u00edcolas, mas n\u00e3o acompanhavam adequadamente mercadorias industrializadas que j\u00e1 faziam parte do consumo cotidiano do brasileiro. Isso distorcia profundamente  a cesta porque, ao longo do s\u00e9culo XIX, muitos desses produtos ficaram mais baratos.<\/p>\n<p>A industrializa\u00e7\u00e3o europeia elevou a produtividade, enquanto a melhoria da navega\u00e7\u00e3o e a queda dos custos dos fretes reduziram o pre\u00e7o de diversas importa\u00e7\u00f5es. Os tecidos de algod\u00e3o tinham particular import\u00e2ncia: respondiam por aproximadamente 30% das importa\u00e7\u00f5es de mercadorias estrangeiras brasileiras entre 1846 e 1867, segundo os dados utilizados no artigo.\u00a0<\/p>\n<p>Quando se excluem produtos que baratearam e se concentra o c\u00e1lculo naqueles que encareceram, o \u00edndice inevitavelmente apresenta uma infla\u00e7\u00e3o exagerada.<\/p>\n<p>Pereira corrigiu essa defici\u00eancia ao reunir pre\u00e7os mensais de vinte mercadorias, abrangendo todo o per\u00edodo entre 1824 e 1889. A quantidade e a regularidade das observa\u00e7\u00f5es permitiram construir uma s\u00e9rie muito mais completa do que as anteriores.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-di-rio-do-rio-de-janeiro wp-block-embed-di-rio-do-rio-de-janeiro\"\/>\n<p><strong>Os arquivos das irmandades cat\u00f3licas do Rio<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m recupera e examina a longa tradi\u00e7\u00e3o de estudos sobre o custo de vida no Rio de Janeiro, tradi\u00e7\u00e3o que deve muito aos arquivos de duas institui\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas cariocas: a irmandade da <strong>Santa Casa da Miseric\u00f3rdia do Rio de Janeiro<\/strong> e a <strong>Vener\u00e1vel Ordem Terceira de S\u00e3o Francisco da Penit\u00eancia<\/strong>. Uma nascida em 1584 e a outra em 1609, e ambas atuantes e existentes at\u00e9 os dias de hoje. Ali\u00e1s, passando ambas por momento de revitaliza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A historiadora<strong> Eul\u00e1lia Maria Lahmeyer Lobo <\/strong>produziu uma das s\u00e9ries de pre\u00e7os mais importantes sobre o s\u00e9culo XIX utilizando documentos prim\u00e1rios dessas duas institui\u00e7\u00f5es e, a partir de 1840, informa\u00e7\u00f5es publicadas pelo<strong> <em>Jornal do Commercio<\/em><\/strong>, que circulou no Rio at\u00e9 a d\u00e9cada passada.<\/p>\n<p>Seu levantamento reunia pre\u00e7os de nove produtos, entre eles carne-seca, feij\u00e3o-preto, manteiga, bacalhau, caf\u00e9, arroz, a\u00e7\u00facar e farinhas de mandioca e trigo. Embora o novo artigo identifique limita\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas na forma como essa s\u00e9rie foi posteriormente empregada, o trabalho s\u00f3 foi poss\u00edvel porque contratos, despesas, compras e registros administrativos haviam sido cuidadosamente conservados.\u00a0<\/p>\n<p>Esses arquivos mostram que as antigas irmandades religiosas n\u00e3o preservaram somente objetos sacros, obras de arte, sepulturas, edif\u00edcios e a mem\u00f3ria da Igreja Cat\u00f3lica no Rio. Seus livros de contas e documentos administrativos guardaram tamb\u00e9m uma parte insubstitu\u00edvel da hist\u00f3ria econ\u00f4mica da cidade e do pa\u00eds. Muito subestimadas em sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica, estas entidades que at\u00e9 hoje t\u00eam grande presen\u00e7a urbana t\u00eam arquivos valios\u00edssimos.<\/p>\n<p>A Santa Casa, fundada ainda no per\u00edodo colonial, administrava hospitais, im\u00f3veis, cemit\u00e9rios, obras assistenciais e um vasto patrim\u00f4nio. A Vener\u00e1vel Ordem Terceira de S\u00e3o Francisco da Penit\u00eancia \u2013 dona da igreja dita \u201cde ouro\u201d no alto do Morro de Santo Ant\u00f4nio, que tamb\u00e9m tinha hospitais e cemit\u00e9rios, \u00e9 uma das mais tradicionais institui\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas do Rio, tamb\u00e9m deixou documenta\u00e7\u00e3o abundante sobre suas compras, propriedades, pagamentos e atividades.<\/p>\n<p>Cada anota\u00e7\u00e3o de farinha, carne, manteiga ou tecido, feita originalmente para controlar despesas, tornou-se uma janela para os pre\u00e7os e o com\u00e9rcio da antiga Corte.<\/p>\n<p>Ao lado dos jornais, esses acervos cat\u00f3licos ajudaram a formar a base documental sobre a qual sucessivas gera\u00e7\u00f5es de historiadores constru\u00edram e agora aperfei\u00e7oam as contas do Brasil Imperial.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-di-rio-do-rio-de-janeiro wp-block-embed-di-rio-do-rio-de-janeiro\"\/>\n<p><strong>A infla\u00e7\u00e3o se concentrou nos anos 1850<\/strong><\/p>\n<p>O novo \u00edndice n\u00e3o afirma que os pre\u00e7os permaneceram im\u00f3veis durante todo o Imp\u00e9rio. Ele mostra algo mais preciso: a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o cresceu continuamente entre 1824 e 1889, como davam a entender equivocadamente algumas s\u00e9ries anteriores.<\/p>\n<p>Os pre\u00e7os ficaram relativamente est\u00e1veis durante as d\u00e9cadas de 1830 e 1840. Houve uma eleva\u00e7\u00e3o forte na d\u00e9cada de 1850, seguida por nova estabilidade entre os anos 1860 e 1880.\u00a0<\/p>\n<p>O grande aumento dos anos 1850 esteve associado a mudan\u00e7as no mercado de trabalho, \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o dos escravos e ao crescimento da procura internacional por produtos como caf\u00e9 e a\u00e7\u00facar. A expans\u00e3o exportadora tornou essas atividades mais atraentes, retirando parte da m\u00e3o de obra de outros setores e pressionando temporariamente a produ\u00e7\u00e3o e o pre\u00e7o dos alimentos.<\/p>\n<p><strong>Mas a pr\u00f3pria economia reagiu.<\/strong><\/p>\n<p>Produtores ampliaram a oferta, e regi\u00f5es como Rio Grande do Sul e Santa Catarina fortaleceram seu papel de fornecedoras de alimentos para o Rio de Janeiro, a Bahia e Pernambuco. A especializa\u00e7\u00e3o regional ajudou a normalizar o abastecimento e a conter o avan\u00e7o dos pre\u00e7os ap\u00f3s a d\u00e9cada de 1850.\u00a0<\/p>\n<p>Essa capacidade de rea\u00e7\u00e3o \u00e9 outro ponto importante do estudo: diante do aumento dos pre\u00e7os, a produ\u00e7\u00e3o se reorganizou e cresceu, em vez de permanecer indefinidamente paralisada.<\/p>\n<p><strong>Caf\u00e9, com\u00e9rcio e condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis<\/strong><\/p>\n<p>A nova pesquisa tamb\u00e9m reconstr\u00f3i as chamadas rela\u00e7\u00f5es de troca do Brasil \u2014 a compara\u00e7\u00e3o entre os pre\u00e7os do que o pa\u00eds exportava e os pre\u00e7os do que importava.<\/p>\n<p>Os resultados indicam uma melhora significativa a partir da d\u00e9cada de 1840, impulsionada pela valoriza\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 e pela redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os de diversas mercadorias importadas.<\/p>\n<p>O Brasil passou a receber mais por aquilo que vendia ao exterior e a pagar cada vez menos por parte do que comprava. Essa evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com o crescimento maior da renda por habitante encontrado pelo novo \u00edndice.<\/p>\n<p>O estudo acrescenta ainda dados segundo os quais os sal\u00e1rios reais de trabalhadores qualificados come\u00e7aram a subir bastante j\u00e1 na primeira metade do s\u00e9culo XIX, refor\u00e7ando a conclus\u00e3o de que a economia imperial apresentava um grande dinamismo que as estat\u00edsticas tradicionais n\u00e3o conseguiam captar adequadamente.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Uma descoberta feita com a mem\u00f3ria do Rio<\/strong><\/p>\n<p>O trabalho de Thales Zamberlan Pereira tem m\u00e9rito n\u00e3o apenas pela conclus\u00e3o a que chegou, mas pela dimens\u00e3o da tarefa realizada.<\/p>\n<p>Construir um \u00edndice para um per\u00edodo anterior \u00e0s pesquisas modernas de or\u00e7amento familiar exige examinar milhares de edi\u00e7\u00f5es de jornais e arquivos de irmandades, identificar produtos compar\u00e1veis, distinguir pre\u00e7os de varejo e atacado, lidar com mudan\u00e7as de medida, preencher lacunas e testar diferentes composi\u00e7\u00f5es de cesta.<\/p>\n<p>O autor tamb\u00e9m comparou sua s\u00e9rie com \u00edndices anteriores, dados de Pernambuco e da Bahia, sal\u00e1rios, fretes mar\u00edtimos, c\u00e2mbio, com\u00e9rcio entre prov\u00edncias e pre\u00e7os internacionais.<\/p>\n<p>O resultado foi publicado ap\u00f3s o processo de avalia\u00e7\u00e3o acad\u00eamica da <em>European Review of Economic History<\/em>. A vers\u00e3o final registra que o artigo foi recebido em 31 de maio de 2025, revisado em 9 de janeiro de 2026, aceito em 19 de mar\u00e7o e publicado em 19 de maio. <strong>Mas, por tr\u00e1s dos c\u00e1lculos modernos, est\u00e3o documentos produzidos e preservados no Rio de Janeiro.<\/strong><\/p>\n<p>Est\u00e3o as p\u00e1ginas do <em>Di\u00e1rio do Rio de Janeiro<\/em>, que anunciava de tudo e registrava diariamente a pulsa\u00e7\u00e3o comercial da Corte. Est\u00e3o as cota\u00e7\u00f5es do <em>Jornal do Commercio<\/em>. Est\u00e3o os livros e documentos da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia e da Vener\u00e1vel Ordem Terceira de S\u00e3o Francisco da Penit\u00eancia. Essas fontes sobreviveram a mudan\u00e7as de regime, crises, inc\u00eandios, demoli\u00e7\u00f5es, mudan\u00e7as urbanas e ao pr\u00f3prio passar dos s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Agora, reunidas pelo trabalho de um pesquisador da FGV, ajudam a demonstrar uma realidade que permaneceu escondida por \u00edndices defeituosos: entre 1850 e 1889, a economia do Brasil Imperial cresceu quatro vezes mais do que se dizia.<\/p>\n<p><strong>E coube \u00e0s velhas p\u00e1ginas do Rio ajudar a contar essa nova hist\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-di-rio-do-rio-de-janeiro wp-block-embed-di-rio-do-rio-de-janeiro\"\/>\n<div data-ad-id=\"353515\" style=\"text-align:left; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-353515  \">\n<div class=\"grupowhats\" style=\"margin: 10px 0;\">Receba not\u00edcias no WhatsApp e e-mail<br \/>\n<br \/>\n<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/GoFichcopncHfX8xV4HArk\" target=\"blank\" class=\"tdm-inline-image-wrap\" rel=\"noopener\"><\/a><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-ad-id=\"320841\" style=\"text-align:center; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-320841  \">\n<p>\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/igrejalapadosmercadores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><\/a>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodorio.com\/pesquisa-da-fgv-revela-que-economia-do-brasil-imperial-cresceu-quatro-vezes-mais-do-que-se-dizia\/\">D\u00edario Regional RJ <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pa\u00e7o Imperial anoitecendo na Pra\u00e7a XV | Foto: Rafa Pereira &#8211; Di\u00e1rio do Rio Durante d\u00e9cadas, estudos, livros e bancos de dados internacionais repetiram que a economia brasileira havia crescido muito pouco durante o Imp\u00e9rio. O fato causava estranheza em quem lia sobre a pujante exporta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 e sobre a estabilidade econ\u00f4mica e prosperidade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34662,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-34661","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/34661","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=34661"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/34661\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/34662"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=34661"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=34661"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=34661"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}