{"id":34927,"date":"2026-07-19T22:29:10","date_gmt":"2026-07-20T01:29:10","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=34927"},"modified":"2026-07-19T22:29:10","modified_gmt":"2026-07-20T01:29:10","slug":"rio-precisa-de-ordem-nao-de-romantizacao-da-ilegalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=34927","title":{"rendered":"Rio precisa de ordem, n\u00e3o de romantiza\u00e7\u00e3o da ilegalidade"},"content":{"rendered":"<p><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodorio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/51820790546_8e97f3e094_k.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n            <!-- image --><\/p>\n<div class=\"td-post-featured-image\">\n<figure><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto : Rafael Catarcione\/RioTur<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>            <!-- content --><\/p>\n<p>O carioca vive reclamando que a cidade est\u00e1 desorganizada, que virou uma bagun\u00e7a e que algu\u00e9m precisa fazer alguma coisa. Mas sempre que algu\u00e9m resolve agir, por\u00e9m, recebe uma avalanche de cr\u00edticas. A cantilena \u00e9 sempre a mesmo: \u201c<em>podia estar roubando\u201d<\/em>, \u201c<em>podia estar matando<\/em>\u201d. Sempre ignorando que direta ou indiretamente, a camelotagem clandestina est\u00e1 quase sempre ligada ao <strong>crime organizado.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 o que acontece com a acertada pol\u00edtica de <strong>Toler\u00e2ncia Zero<\/strong> adotada pelo prefeito <strong>Eduardo Cavaliere<\/strong> nas praias da <strong>Zona Sul<\/strong>. A iniciativa, ao menos em sua proposta inicial, n\u00e3o tem nada de extraordin\u00e1rio. Busca fazer valer as regras que sempre existiram e promover um choque de ordem entre o <strong>Leme<\/strong> e o <strong>Leblon<\/strong>. S\u00f3 no Rio de Janeiro que combater atividade ilegal e clandestina que sustenta redes de falsificadores e contrabandistas, que indiretamente acabam ligados at\u00e9 mesmo a fac\u00e7\u00f5es criminosas causa algum espanto.  Na verdade a Prefeitura est\u00e1 apenas cumprindo sua obriga\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Chegamos ao ponto de um procurador da Rep\u00fablica sustentar que n\u00e3o caberia \u00e0 <strong>Prefeitura do Rio<\/strong> fiscalizar as praias da pr\u00f3pria cidade: ele quer suspender o programa. Diz que a compet\u00eancia pra fiscalizar a orla seria da Uni\u00e3o. Pela l\u00f3gica torta do funcion\u00e1rio concursado, seria necess\u00e1rio colocar a <strong>Pol\u00edcia Federal<\/strong> ou at\u00e9 a <strong>Marinha<\/strong> para caminhar pela areia e verificar se cada ambulante possui licen\u00e7a. Um disparate. Ali\u00e1s, como tem sido a atua\u00e7\u00e3o do MP Federal sempre que tem se metido no cotidiano da cidade: parece querer ver os assaltantes tomando conta das praias, os drogados e adictos nas ruas defecando e atacando cidad\u00e3os \u2013 h\u00e1 casos v\u00e1rios at\u00e9 de estupro infantil \u2013 e agora querem ver as mercadorias falsificadas gerando lucros \u00e0 quadrilhas do crime organizado. O MP Federal ignora a destrui\u00e7\u00e3o de Pr\u00e9dios Tombados Federais, o vilip\u00eandio de monumentos protegidos pelo Iphan, acha irrelevantes nos sucessivos \u2013 e bem curiosos \u2013 inc\u00eandios em bens da UFRJ, mas atua seguidamente pra proteger assaltantes, cracudos e agora os camel\u00f4s clandestinos vendedores de mercadoria contrafeita ou roubada. Com essa atua\u00e7\u00e3o, o Brasil vai longe!<\/p>\n<p>Outra reclama\u00e7\u00e3o um pouco mais razo\u00e1vel \u00e9: o Toler\u00e2ncia Zero deveria alcan\u00e7ar toda a cidade, em vez de ficar concentrado apenas na orla. A gente concorda totalmente, mas toda caminhada come\u00e7a pelo primeiro passo.  Ali\u00e1s, veio \u00e0 cabe\u00e7a outra cr\u00edtica bastante idiota que certos cariocas adoram: \u201c<em>que adianta limpar a praia de Copacabana e deixar Ricardo de Albuquerque \u00e0 pr\u00f3pria sorte?<\/em>\u201d.  Tem um tipo de gente que acha que se n\u00e3o fizer tudo de uma vez, \u00e9 melhor n\u00e3o fazer nada, e n\u00e3o entende como funciona uma economia: \u00e9 l\u00f3gico que algo assim tem que come\u00e7ar onde h\u00e1 mais turismo e gera\u00e7\u00e3o de divisas.  O Centro Hist\u00f3rico \u00e9 outro lugar que tamb\u00e9m deve ser priorizado, at\u00e9 pra proteger os bilion\u00e1rios investimentos p\u00fablicos que a regi\u00e3o vem recebendo desde o Porto Maravilha. <\/p>\n<p>Parece que parte da rea\u00e7\u00e3o se resume ao medo de perder o queijo coalho, o milho e o camar\u00e3o vendidos na areia, que ningu\u00e9m sabe como foi preparado, onde e nem os  ingredientes.  \u00c9 incr\u00edvel que se considere que um chileno vendedor de caipirinha preparada sabe-se-l\u00e1 como tem o direito de se instalar na porta de um comerciante que paga impostos, d\u00e1 emprego, e vender aquela ic\u00f3gnita pela metade do pre\u00e7o, e quando toca um r\u00e1dio infernal que se houve a 5 quarteir\u00f5es de dist\u00e2ncia. Ser\u00e1 que essas pessoas entendem os riscos envolvidos?<\/p>\n<p>O vendedor de queijo coalho circula por uma praia cheia com um pequeno forno e carv\u00e3o em brasa. Uma queda pode causar queimaduras graves. O ambulante do milho transporta uma panela com \u00e1gua fervente perto de crian\u00e7as, idosos e banhistas distra\u00eddos. H\u00e1 ainda os espetos de madeira usados para servir alimentos. Quando abandonados na areia, podem perfurar o p\u00e9 de quem estiver caminhando pela praia, isso sem contar que se desconhece a higiene e os produtos utilizados. Tudo isso em meio a in\u00fameros quiosques que vendem as mais variadas coisas. <\/p>\n<p>E o tal do camar\u00e3o? Quase todo mundo conhece algu\u00e9m que passou mal depois de consumir o produto vendido sob o sol. A mesma preocupa\u00e7\u00e3o vale para as condi\u00e7\u00f5es de higiene e conserva\u00e7\u00e3o de outros alimentos comercializados na orla. O esp\u00edrito carioca exige mesmo aceitar o risco de uma queimadura ou de uma infec\u00e7\u00e3o intestinal?<\/p>\n<p>Esses vendedores n\u00e3o possuem autoriza\u00e7\u00e3o alguma  da <strong>Prefeitura do Rio<\/strong>. N\u00e3o sei porque mas parece que ficou desagrad\u00e1vel dizer o \u00f3bvio: atividade irregular \u00e9 proibido . Durante a crise da Covid-19, quando o desemprego cresceu e milhares de fam\u00edlias perderam renda, havia algum espa\u00e7o para maior toler\u00e2ncia e pol\u00edticas de transi\u00e7\u00e3o. Hoje, s\u00e3o muitos os casos de camel\u00f4s que faturam mais do que \u00e9 lojas regulares  sem pagar impostos. Lembram do caso da doceira de rua que no Centro \u2013 que teve seu movimento bastante atingido nos \u00faltimos anos \u2013 fatura 60 mil reais por m\u00eas?  Perguntada, disse o \u00f3bvio:  n\u00e3o quer expandir o neg\u00f3cio. Claro: se pagar impostos, custos previdenci\u00e1rios, licen\u00e7as e cumprir as normas da vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria, quanto seu lucro vai cai?<\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-di-rio-do-rio-de-janeiro wp-block-embed-di-rio-do-rio-de-janeiro\"\/>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 diferente. A economia apresenta sinais de recupera\u00e7\u00e3o e o desemprego caiu. Isso n\u00e3o elimina a necessidade de criar alternativas para quem depende do com\u00e9rcio ambulante, mas tamb\u00e9m n\u00e3o transforma uma atividade sem licen\u00e7a e sem controle em direito adquirido.  Tamb\u00e9m n\u00e3o estamos mais na \u00e9poca do Prefeito-bispo que achava gra\u00e7a em transformar a cidade toda numa feira de Acari, eliminando anos brilhantes de ordem urbana come\u00e7adas pelo prefeito <strong>C\u00e9sar Maia.<\/strong><\/p>\n<p>Quem nunca teve autoriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode afirmar que perdeu uma licen\u00e7a que jamais existiu. Tamb\u00e9m n\u00e3o pode bloquear ruas, impedir fiscaliza\u00e7\u00f5es ou transformar toda a\u00e7\u00e3o de ordenamento em confronto. Muito menos faz sentido defender que a ess\u00eancia do carioca est\u00e1 na desorganiza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Talvez essa romantiza\u00e7\u00e3o da bagun\u00e7a ajude a explicar por que o <strong>Rio de Janeiro<\/strong> passou a ser chamado de <strong>Gotham City<\/strong>. A cidade que muitos desejam n\u00e3o \u00e9 essa. O Rio dos antigos registros, limpo, organizado e agrad\u00e1vel, n\u00e3o precisa existir apenas em v\u00eddeos de arquivo. Ordem urbana n\u00e3o apaga a identidade carioca. \u00c9, sim, uma das condi\u00e7\u00f5es para que a cidade seja boa de viver para todos. A informalidade \u00e9 um c\u00e2ncer que consome a urbe do Rio de Janeiro pouco a pouco, e devemos evitar a sua <strong>met\u00e1stase<\/strong> antes que seja tarde. <\/p>\n<div data-ad-id=\"353515\" style=\"text-align:left; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-353515  \">\n<div class=\"grupowhats\" style=\"margin: 10px 0;\">Receba not\u00edcias no WhatsApp e e-mail<br \/>\n<br \/>\n<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/GoFichcopncHfX8xV4HArk\" target=\"blank\" class=\"tdm-inline-image-wrap\" rel=\"noopener\"><\/a><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodorio.com\/rio-precisa-de-ordem-nao-de-romantizacao-da-ilegalidade\/\">D\u00edario Regional RJ <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto : Rafael Catarcione\/RioTur O carioca vive reclamando que a cidade est\u00e1 desorganizada, que virou uma bagun\u00e7a e que algu\u00e9m precisa fazer alguma coisa. 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