{"id":35021,"date":"2026-07-20T23:30:57","date_gmt":"2026-07-21T02:30:57","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=35021"},"modified":"2026-07-20T23:30:57","modified_gmt":"2026-07-21T02:30:57","slug":"apos-sucessivos-prejuizos-bilionarios-governo-lula-poe-a-venda-historica-sede-dos-correios-no-centro-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=35021","title":{"rendered":"Ap\u00f3s sucessivos preju\u00edzos bilion\u00e1rios, Governo Lula p\u00f5e \u00e0 venda hist\u00f3rica sede dos Correios no Centro do Rio"},"content":{"rendered":"<p><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodorio.com\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/20210210_112231.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n            <!-- image --><\/p>\n<div class=\"td-post-featured-image\">\n<figure><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto Cleomir Tavares \/ Diario do Rio<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>            <!-- content --><\/p>\n<p>O Governo Federal colocou \u00e0 venda um dos edif\u00edcios mais simb\u00f3licos da hist\u00f3ria das comunica\u00e7\u00f5es brasileiras, constru\u00eddo no Segundo Reinado. A antiga sede nacional do <strong>Correio Geral<\/strong>, na Rua Primeiro de Mar\u00e7o, 64 \u2013 antiga Rua Direita \u2013 ser\u00e1 leiloada no pr\u00f3ximo dia 30 de julho, em meio \u00e0 mais grave crise financeira enfrentada pelos <strong>Correios<\/strong> em muitos anos. \u00c9 o que mostra o site VIP Leil\u00f5es, onde tamb\u00e9m podem ser encontrados v\u00e1rios outros im\u00f3veis da estatal \u00e0 venda, como a antiga ag\u00eancia filat\u00e9lica da rua da Quitanda, junto \u00e0 Assembl\u00e9ia.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Screenshot<\/figcaption><\/figure>\n<p>Mas n\u00e3o se trata de mais um im\u00f3vel administrativo inclu\u00eddo numa lista de desmobiliza\u00e7\u00e3o patrimonial. Erguido ainda durante o Imp\u00e9rio, o pr\u00e9dio foi constru\u00eddo especificamente para abrigar os servi\u00e7os postais brasileiros e, durante quase um s\u00e9culo e meio, permaneceu associado \u00e0 pr\u00f3pria imagem dos Correios no pa\u00eds. \u00c9, para a estatal, algo compar\u00e1vel ao que a sua sede hist\u00f3rica representa para a <strong>Santa Casa da Miseric\u00f3rdia<\/strong> ou o que um antigo pal\u00e1cio legislativo representa para a institui\u00e7\u00e3o que nele funcionou.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de alien\u00e1-lo \u00e9 tomada pelo <strong>Governo Federal<\/strong> depois de uma r\u00e1pida deteriora\u00e7\u00e3o dos resultados da empresa. Os Correios apresentaram lucros entre 2019 e 2021, voltaram ao vermelho em 2022 e passaram a acumular perdas cada vez maiores nos anos seguintes. Em 2024, o preju\u00edzo chegou a aproximadamente R$ 2,45 bilh\u00f5es. Em 2025, saltou para cerca de R$ 8,46 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse cen\u00e1rio que o edif\u00edcio ecl\u00e9tico de cinco pavimentos vizinho ao CCBB e \u00e0 Casa Brasil \u2013 entre outros im\u00f3veis not\u00e1veis do Conjunto Tombado Nacional da Pra\u00e7a XV \u2013 vai a leil\u00e3o. O im\u00f3vel possui \u00e1rea constru\u00edda estimada em 9.059,81 metros quadrados e terreno de 1.585,30 metros quadrados. Ocupa sozinho todo um quarteir\u00e3o delimitado pelas ruas Primeiro de Mar\u00e7o, do Ros\u00e1rio e Visconde de Itabora\u00ed, al\u00e9m da Travessa Tocantins, pr\u00f3ximo ao mar e ao Polo Gastron\u00f4mico. <\/p>\n<p>O valor inicial de venda foi fixado em <strong>R$ 53.598.124,72<\/strong>. Caso n\u00e3o apare\u00e7a comprador nas primeiras etapas, o im\u00f3vel poder\u00e1 chegar \u00e0 terceira rodada com lance m\u00ednimo de <strong>R$ 47.798.383,94<\/strong>. O edital informa ainda que existem pend\u00eancias de regulariza\u00e7\u00e3o registral e diverg\u00eancias entre as \u00e1reas constantes do cadastro municipal e do registro imobili\u00e1rio. Essas provid\u00eancias, assim como os respectivos custos, ficar\u00e3o sob responsabilidade do futuro comprador.<\/p>\n<p>O pr\u00e9dio integra o conjunto hist\u00f3rico protegido do Centro do Rio e qualquer interven\u00e7\u00e3o, mudan\u00e7a de uso ou retrofit depender\u00e1 da aprova\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela preserva\u00e7\u00e3o. Isso significa que, independentemente de quem venha a adquiri-lo, sua arquitetura dever\u00e1 ser respeitada.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que a transfer\u00eancia \u00e0 iniciativa privada seja necessariamente uma condena\u00e7\u00e3o. Um novo propriet\u00e1rio pode justamente oferecer ao pr\u00e9dio o investimento e o uso que o poder p\u00fablico deixou de garantir. A quest\u00e3o levantada pela venda \u00e9 outra: se o Governo Federal deveria mesmo abrir m\u00e3o daquele que \u00e9 sem sombra de d\u00favida o maior s\u00edmbolo arquitet\u00f4nico da hist\u00f3ria dos Correios no Brasil.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-di-rio-do-rio-de-janeiro wp-block-embed-di-rio-do-rio-de-janeiro\"\/>\n<p><strong>Um pal\u00e1cio constru\u00eddo para os Correios do Imp\u00e9rio<\/strong><\/p>\n<p>O edif\u00edcio foi inaugurado em 1878, durante o reinado de <strong>Dom Pedro II<\/strong>, numa \u00e9poca em que a Rua Primeiro de Mar\u00e7o ainda era um dos grandes eixos pol\u00edticos, comerciais e administrativos da capital do Imp\u00e9rio. Ali estavam o <strong>Pa\u00e7o Imperial<\/strong>, igrejas, reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, bancos, casas de com\u00e9rcio e institui\u00e7\u00f5es que ajudavam a conduzir a vida do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O projeto original \u00e9 atribu\u00eddo ao engenheiro e arquiteto <strong>Antonio de Paula Freitas<\/strong>, um dos nomes mais importantes da engenharia imperial. O edif\u00edcio nasceu com tr\u00eas pavimentos e um mezanino, numa concep\u00e7\u00e3o monumental que traduzia a import\u00e2ncia crescente dos servi\u00e7os postais para um territ\u00f3rio de dimens\u00f5es continentais. Posteriormente, recebeu altera\u00e7\u00f5es associadas a <strong>Francisco Joaquim Bethencourt da Silva<\/strong>, al\u00e9m de amplia\u00e7\u00f5es realizadas para acompanhar o crescimento dos Correios e dos servi\u00e7os telegr\u00e1ficos.<\/p>\n<p>Era o primeiro grande edif\u00edcio brasileiro concebido especialmente para concentrar os servi\u00e7os postais. A arquitetura n\u00e3o servia apenas a uma necessidade burocr\u00e1tica. Ela procurava dar aos Correios uma presen\u00e7a f\u00edsica compat\u00edvel com a ideia de um Estado moderno, capaz de ligar prov\u00edncias, autoridades, comerciantes, fam\u00edlias e jornais por meio de uma rede nacional de comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao longo do tempo, os tr\u00eas pavimentos originais foram ampliados, e o conjunto chegou \u00e0 configura\u00e7\u00e3o atual, com cinco andares. Mudaram os governos, o regime pol\u00edtico, as tecnologias e os h\u00e1bitos de comunica\u00e7\u00e3o, mas o pr\u00e9dio permaneceu. Atravessou a queda da Monarquia, a Rep\u00fablica Velha, o Estado Novo, as reformas administrativas do s\u00e9culo XX, a cria\u00e7\u00e3o da Empresa Brasileira de Correios e Tel\u00e9grafos e, finalmente, o esvaziamento gradual de suas depend\u00eancias. Antes, vale lembrar, o Correio era t\u00e3o grande que ocupava tamb\u00e9m o Pa\u00e7o Imperial e o seu atual Centro Cultural, logo na esquina. <\/p>\n<p>Por suas portas passaram cartas comerciais, documentos oficiais, mensagens familiares, encomendas e not\u00edcias que cruzaram o Brasil antes do telefone se tornar comum e muitas d\u00e9cadas antes do aparecimento da internet. N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que parte da hist\u00f3ria privada e p\u00fablica do pa\u00eds circulou por aquele quarteir\u00e3o.<\/p>\n<p>A antiga sede tamb\u00e9m comp\u00f5e uma paisagem hist\u00f3rica que ainda conserva algumas das imagens mais conhecidas do Rio. De um lado est\u00e1 a <strong>Igreja da Candel\u00e1ria<\/strong>; poucos metros adiante aparecem a Pra\u00e7a XV, o Pa\u00e7o Imperial, as hist\u00f3ricas Igrejas da Santa Cruz dos Militares, Lapa dos Mercadores e Carmo e o Arco do Teles. Nas ruas vizinhas, casar\u00f5es, igrejas e antigos edif\u00edcios de escrit\u00f3rios narram, em pedra, cal, ferro e madeira, as sucessivas vidas do Centro.<\/p>\n<p><strong>\u00c0 venda justamente quando o Centro volta a ser procurado<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma ironia evidente na escolha do momento. O Governo Federal decidiu vender o pr\u00e9dio justamente quando a regi\u00e3o come\u00e7a a superar d\u00e9cadas de esvaziamento e volta a receber moradores, turistas, empresas, institui\u00e7\u00f5es culturais e investidores.<\/p>\n<p>O <strong>Reviver Centro<\/strong> criou incentivos para a transforma\u00e7\u00e3o de antigos edif\u00edcios comerciais em resid\u00eancias. O <strong>Reviver Cultural<\/strong> passou a estimular atividades capazes de manter a regi\u00e3o viva tamb\u00e9m fora do hor\u00e1rio comercial. Empreendimentos residenciais come\u00e7am a devolver luz \u00e0s janelas de pr\u00e9dios antes inteiramente vazios, enquanto o mercado corporativo registra queda da vac\u00e2ncia, inclusive em edif\u00edcios antigos.<\/p>\n<p>A Pra\u00e7a XV voltou a receber visitantes aos fins de semana. O movimento em torno do Arco do Teles, da Rua do Ouvidor, do Pa\u00e7o Imperial e da Orla Conde aumentou significativamente. Restaurantes, feiras, museus, igrejas e eventos culturais v\u00eam atraindo novamente cariocas para uma \u00e1rea que durante anos parecia abandonada depois do expediente.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m nessa regi\u00e3o, nas proximidades da Candel\u00e1ria, que mais de dez edif\u00edcios foram vendidos recentemente para diferentes finalidades. Alguns receber\u00e3o projetos residenciais ou hoteleiros; outros foram destinados a atividades educacionais e culturais. Entre os compradores est\u00e1 o <strong>Servi\u00e7o Social do Com\u00e9rcio (SESC)<\/strong>, que pretende instalar uma escola em um dos im\u00f3veis adquiridos no entorno.<\/p>\n<p>Para <strong>Lucy Dobbin<\/strong>, superintendente de vendas da <strong>S\u00e9rgio Castro Im\u00f3veis<\/strong>, a antiga sede dos Correios re\u00fane caracter\u00edsticas praticamente inexistentes no mercado imobili\u00e1rio carioca. Al\u00e9m de estar situada numa regi\u00e3o em plena revitaliza\u00e7\u00e3o, <em>\u201cocupa um quarteir\u00e3o inteiro e possui janelas para os quatro lados\u201d<\/em>, caracter\u00edstica que amplia as possibilidades de adapta\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel para novos usos.<\/p>\n<p>Segundo Lucy, o valor m\u00ednimo previsto para o leil\u00e3o est\u00e1 relativamente compat\u00edvel com a realidade do mercado. Em sua avalia\u00e7\u00e3o, im\u00f3veis com esse perfil hoje podem alcan\u00e7ar at\u00e9 R$ 4 mil reais  por metro quadrado, o que faz com que o lance m\u00ednimo de aproximadamente R$ 47,8 milh\u00f5es n\u00e3o represente uma venda por pre\u00e7o vil.  \u201c<em>Est\u00e1 cerca de 10 a 15% mais caro que o mercado<\/em>\u201d, explica. <\/p>\n<p>Ela observa ainda que h\u00e1 um interesse crescente de investidores por edif\u00edcios hist\u00f3ricos, apesar do \u201c<em>medo que t\u00eam do Iphan<\/em>\u201d. Al\u00e9m do valor arquitet\u00f4nico, muitos desses im\u00f3veis contam com incentivos fiscais importantes. Como destaca, <em>\u201co IPTU no Centro \u00e9 muito proibitivo\u201d<\/em>, raz\u00e3o pela qual constru\u00e7\u00f5es protegidas acabam despertando maior interesse de grupos dispostos a investir em restaura\u00e7\u00e3o e retrofit.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Lucy chama aten\u00e7\u00e3o para outro fen\u00f4meno recente: o aumento do turismo e da presen\u00e7a dos pr\u00f3prios cariocas na regi\u00e3o durante os fins de semana, movimento que vem fortalecendo restaurantes, hot\u00e9is, equipamentos culturais e novos empreendimentos instalados no Centro.<\/p>\n<p><strong>Entre a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e a necessidade de dar uso<\/strong><\/p>\n<p>A venda da antiga sede dos Correios tamb\u00e9m reacendeu um debate antigo entre arquitetos e especialistas em patrim\u00f4nio: afinal, o que preserva melhor um edif\u00edcio hist\u00f3rico, a perman\u00eancia nas m\u00e3os do poder p\u00fablico ou a garantia de que ele tenha uma utiliza\u00e7\u00e3o economicamente vi\u00e1vel?<\/p>\n<p>Para o arquiteto e urbanista <strong>Carlos Fernando Andrade<\/strong>, ex-superintendente regional do <strong>Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN)<\/strong> no Rio de Janeiro, a resposta n\u00e3o passa necessariamente pelo regime de propriedade. Segundo ele, <em>\u201co regime de propriedade de um im\u00f3vel, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 garantia nem de sua manuten\u00e7\u00e3o nem da sua desgra\u00e7a\u201d<\/em>. Em outras palavras, existem exemplos de im\u00f3veis p\u00fablicos abandonados \u2013 veja-se a desastrosa administra\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria da UFRJ \u2013  e de im\u00f3veis privados cuidadosamente restaurados \u2014 e tamb\u00e9m o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Carlos Fernando, a quest\u00e3o central \u00e9 assegurar que o edif\u00edcio tenha uma ocupa\u00e7\u00e3o compat\u00edvel com sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica e arquitet\u00f4nica. Como costuma dizer, <em>\u201cim\u00f3vel vazio \u00e9 oficina do diabo\u201d<\/em>. Sem uso permanente, explica, qualquer constru\u00e7\u00e3o acaba sofrendo com infiltra\u00e7\u00f5es, depreda\u00e7\u00f5es, furtos, falta de manuten\u00e7\u00e3o e deteriora\u00e7\u00e3o progressiva.<\/p>\n<p>Isso, entretanto, n\u00e3o significa que qualquer projeto seja aceit\u00e1vel. O arquiteto ressalta que a adapta\u00e7\u00e3o de um pr\u00e9dio hist\u00f3rico deve preservar justamente aquilo que lhe confere valor. Como adverte, <em>\u201cn\u00e3o adianta dar um uso acabando com aquilo que ele tem de essencial na arquitetura\u201d<\/em>. O desafio, segundo ele, \u00e9 transformar o im\u00f3vel em um patrim\u00f4nio \u00fatil, vivo e economicamente sustent\u00e1vel, sem descaracterizar sua identidade.<\/p>\n<p>A arquiteta <strong>Leila Marques<\/strong>, doutora pela <strong>Universidade Federal Fluminense (UFF)<\/strong> e conselheira do <strong>Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU\/BR)<\/strong>, enxerga a quest\u00e3o por outro \u00e2ngulo. Para ela, a antiga sede dos Correios <em>\u201cn\u00e3o pode ser tratada como um simples ativo imobili\u00e1rio\u201d<\/em>, pois representa um <em>\u201cbem de excepcional valor hist\u00f3rico, arquitet\u00f4nico e urbano\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Leila, edif\u00edcios dessa natureza extrapolam seu valor financeiro porque carregam parte da mem\u00f3ria institucional do pa\u00eds. Ela observa que a preserva\u00e7\u00e3o f\u00edsica da constru\u00e7\u00e3o, embora indispens\u00e1vel, n\u00e3o resolve sozinha a quest\u00e3o da mem\u00f3ria coletiva. H\u00e1, segundo a arquiteta, <em>\u201cum risco concreto de perda da mem\u00f3ria coletiva\u201d<\/em> quando uma institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica deixa definitivamente o im\u00f3vel que simbolizou sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria durante quase s\u00e9culo e meio.<\/p>\n<p>Ela lembra que outros edif\u00edcios p\u00fablicos brasileiros despertam discuss\u00f5es semelhantes justamente porque seu significado vai al\u00e9m da arquitetura. S\u00e3o constru\u00e7\u00f5es que ajudam a contar a hist\u00f3ria do Estado brasileiro e das institui\u00e7\u00f5es que ali funcionaram por gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As duas an\u00e1lises n\u00e3o s\u00e3o necessariamente incompat\u00edveis. Carlos Fernando chama aten\u00e7\u00e3o para a urg\u00eancia de afastar o edif\u00edcio do abandono e garantir-lhe uma fun\u00e7\u00e3o capaz de financiar sua conserva\u00e7\u00e3o ao longo das pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Leila, por sua vez, alerta que essa solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria fazer desaparecer o v\u00ednculo hist\u00f3rico entre o im\u00f3vel e a institui\u00e7\u00e3o para a qual ele foi concebido.<\/p>\n<p>No fundo, o debate provocado pelo leil\u00e3o vai al\u00e9m da simples venda de um pr\u00e9dio. Ele coloca em discuss\u00e3o como o Brasil pretende preservar parte de seu patrim\u00f4nio arquitet\u00f4nico: mantendo-o obrigatoriamente sob controle estatal ou encontrando formas de compatibilizar preserva\u00e7\u00e3o, investimento privado e novos usos.<\/p>\n<p>Independentemente do resultado do leil\u00e3o, uma conclus\u00e3o parece consensual entre os especialistas: o pior destino para um edif\u00edcio dessa import\u00e2ncia seria continuar fechado, vazio e sem perspectiva de ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando foi inaugurado, em 1878, o antigo Correio Geral simbolizava um pa\u00eds que buscava modernizar seus servi\u00e7os p\u00fablicos e integrar um territ\u00f3rio continental por meio da correspond\u00eancia. Durante quase 150 anos, acompanhou mudan\u00e7as de regime pol\u00edtico, revolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, reformas administrativas e profundas transforma\u00e7\u00f5es urbanas no Centro do Rio.<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo dia 30 de julho, poder\u00e1 iniciar um novo cap\u00edtulo de sua hist\u00f3ria. Pela primeira vez desde o Imp\u00e9rio, o edif\u00edcio poder\u00e1 deixar de pertencer \u00e0 institui\u00e7\u00e3o para a qual foi constru\u00eddo, encerrando uma liga\u00e7\u00e3o iniciada ainda no reinado de <strong>Dom Pedro II<\/strong> e abrindo espa\u00e7o para um novo uso em uma regi\u00e3o que, ironicamente, volta a viver um dos per\u00edodos mais promissores de sua hist\u00f3ria recente.<\/p>\n<div data-ad-id=\"353515\" style=\"text-align:left; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-353515  \">\n<div class=\"grupowhats\" style=\"margin: 10px 0;\">Receba not\u00edcias no WhatsApp e e-mail<br \/>\n<br \/>\n<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/GoFichcopncHfX8xV4HArk\" target=\"blank\" class=\"tdm-inline-image-wrap\" rel=\"noopener\"><\/a><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodorio.com\/apos-sucessivos-prejuizos-bilionarios-governo-lula-poe-a-venda-historica-sede-dos-correios-no-centro-do-rio\/\">D\u00edario Regional RJ <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto Cleomir Tavares \/ Diario do Rio O Governo Federal colocou \u00e0 venda um dos edif\u00edcios mais simb\u00f3licos da hist\u00f3ria das comunica\u00e7\u00f5es brasileiras, constru\u00eddo no Segundo Reinado. 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