{"id":35643,"date":"2026-07-28T19:53:13","date_gmt":"2026-07-28T22:53:13","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=35643"},"modified":"2026-07-28T19:53:13","modified_gmt":"2026-07-28T22:53:13","slug":"jorge-jaber-quando-tratamento-se-torna-privilegio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=35643","title":{"rendered":"Jorge Jaber: Quando tratamento se torna privil\u00e9gio"},"content":{"rendered":"<p><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodorio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/image-136.png\" \/><\/p>\n<div>\n            <!-- image --><\/p>\n<div class=\"td-post-featured-image\">\n<figure><figcaption class=\"wp-caption-text\">Banco de Imagem: Alerj<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>            <!-- content --><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nunca se falou tanto sobre sa\u00fade mental no Brasil. A depress\u00e3o deixou de ser confundida com falta de vontade. A ansiedade passou a ocupar espa\u00e7o nas conversas familiares, nas empresas e nas escolas. A depend\u00eancia qu\u00edmica vem sendo reconhecida, cada vez mais, como uma doen\u00e7a que exige tratamento especializado. O estigma diminuiu, campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o se multiplicaram e o tema finalmente entrou na agenda p\u00fablica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse avan\u00e7o \u00e9 ineg\u00e1vel. Mas ele convive com um paradoxo preocupante: justamente quando a sociedade compreende melhor os transtornos mentais, muitas fam\u00edlias encontram mais obst\u00e1culos para transformar o diagn\u00f3stico em tratamento. O custo das interna\u00e7\u00f5es particulares \u00e9 elevado, a inadimpl\u00eancia afastou parte da popula\u00e7\u00e3o dos planos de sa\u00fade, a rede p\u00fablica segue pressionada pela demanda crescente e, mesmo entre benefici\u00e1rios de conv\u00eanios, nem sempre a autoriza\u00e7\u00e3o ou a indica\u00e7\u00e3o de uma unidade adequada acontece no tempo necess\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema se torna ainda mais evidente porque o sofrimento ps\u00edquico tamb\u00e9m mudou de escala.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dados recentes da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade revelam que mais de 1 bilh\u00e3o de pessoas vivem com transtornos mentais em todo o mundo. No Brasil, esse cen\u00e1rio \u00e9 agravado por fatores que se acumulam. As consequ\u00eancias econ\u00f4micas da pandemia ainda afetam milh\u00f5es de fam\u00edlias, a hiper conex\u00e3o reduziu os espa\u00e7os de descanso mental e as redes sociais intensificaram a compara\u00e7\u00e3o permanente, sobretudo entre os jovens. Mais recentemente, a expans\u00e3o acelerada das apostas esportivas on-line trouxe um novo elemento de preocupa\u00e7\u00e3o. O endividamento provocado pelas bets j\u00e1 aparece associado ao aumento da ansiedade, da depress\u00e3o, dos conflitos familiares e de comportamentos compulsivos, compondo um quadro que desafia profissionais de sa\u00fade e pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nunca tantos fatores atuaram simultaneamente sobre a sa\u00fade emocional da popula\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, o caminho entre reconhecer a necessidade de tratamento e efetivamente receb\u00ea-lo tornou-se mais dif\u00edcil. Essa realidade se revela de maneira particularmente dram\u00e1tica nos casos de depend\u00eancia qu\u00edmica. Existe uma janela de oportunidade em que o paciente aceita ajuda. Muitas vezes, depois de meses ou anos de sofrimento, a fam\u00edlia consegue convenc\u00ea-lo de iniciar um tratamento. \u00c9 um momento raro, delicado e decisivo. Quando n\u00e3o h\u00e1 acesso r\u00e1pido ao cuidado especializado, essa oportunidade pode desaparecer. A reca\u00edda costuma significar mais sofrimento, maior desgaste familiar e um tratamento ainda mais complexo no futuro.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mesmo racioc\u00ednio vale para diversos transtornos psiqui\u00e1tricos graves. Quanto maior a demora para oferecer o cuidado adequado, maiores tendem a ser os preju\u00edzos para o paciente, para sua fam\u00edlia e para a pr\u00f3pria sociedade. Durante d\u00e9cadas, o maior desafio da sa\u00fade mental foi combater o preconceito. Hoje, um novo obst\u00e1culo ganha protagonismo: garantir acesso ao tratamento.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa discuss\u00e3o n\u00e3o diz respeito apenas \u00e0s cl\u00ednicas, aos hospitais ou aos planos de sa\u00fade. Trata-se de uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica. Uma sociedade que n\u00e3o consegue cuidar adequadamente das pessoas em sofrimento ps\u00edquico paga um pre\u00e7o elevado em afastamentos do trabalho, perda de produtividade, rompimento de v\u00ednculos familiares, viol\u00eancia, abandono escolar, uso abusivo de \u00e1lcool e outras drogas e, nos casos mais extremos, suic\u00eddios.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil j\u00e1 demonstrou ser capaz de amadurecer o debate sobre sa\u00fade mental. Esse foi um avan\u00e7o importante e deve ser reconhecido. Mas conscientiza\u00e7\u00e3o, por si s\u00f3, n\u00e3o trata ningu\u00e9m. \u00c9 preciso ampliar o acesso ao cuidado, discutir novos modelos de financiamento, fortalecer a rede p\u00fablica, aperfei\u00e7oar a atua\u00e7\u00e3o dos planos de sa\u00fade e criar alternativas para que nenhuma fam\u00edlia fique sem atendimento quando mais precisa. Porque, em psiquiatria, o tempo tamb\u00e9m faz parte do tratamento.<br \/>*Jorge Jaber \u00e9 psiquiatra e grande benfeitor da Academia Nacional de Medicina<\/p>\n<div data-ad-id=\"464195\" style=\"text-align:left; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-464195  \">\n<p>&#13;<br \/>\nAs opini\u00f5es expressas neste artigo s\u00e3o de exclusiva responsabilidade do autor e n\u00e3o refletem, necessariamente, a posi\u00e7\u00e3o\u00a0do\u00a0jornal.&#13;\n<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div data-ad-id=\"353515\" style=\"text-align:left; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-353515  \">\n<div class=\"grupowhats\" style=\"margin: 10px 0;\">Receba not\u00edcias no WhatsApp e e-mail<br \/>\n<br \/>\n<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/HGbEbKJPiof9gpEtKRQyl6?s=sw&amp;p=a&amp;ilr=4&amp;amv=0\" target=\"blank\" class=\"tdm-inline-image-wrap\" rel=\"noopener\"><\/a><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodorio.com\/jorge-jaber-quando-tratamento-se-torna-privilegio\/\">D\u00edario Regional RJ <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Banco de Imagem: Alerj Nunca se falou tanto sobre sa\u00fade mental no Brasil. A depress\u00e3o deixou de ser confundida com falta de vontade. A ansiedade passou a ocupar espa\u00e7o nas conversas familiares, nas empresas e nas escolas. A depend\u00eancia qu\u00edmica vem sendo reconhecida, cada vez mais, como uma doen\u00e7a que exige tratamento especializado. O estigma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":35644,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-35643","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=35643"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35643\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/35644"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=35643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=35643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=35643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}