{"id":36412,"date":"2026-08-07T09:11:41","date_gmt":"2026-08-07T12:11:41","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=36412"},"modified":"2026-08-07T09:11:41","modified_gmt":"2026-08-07T12:11:41","slug":"o-diagnostico-que-vem-do-feed-como-os-videos-curtos-estao-transformando-sintomas-em-entretenimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=36412","title":{"rendered":"O diagn\u00f3stico que vem do feed: como os v\u00eddeos curtos est\u00e3o transformando sintomas em entretenimento"},"content":{"rendered":"<p><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodorio.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Uniabeu-Diagnosticos-por-redes-sociais-1-scaled.png\" \/><\/p>\n<div>\n            <!-- image --><\/p>\n<div class=\"td-post-featured-image\">\n<figure><figcaption class=\"wp-caption-text\">A hashtag sobre lipedema acumula 580 mil publica\u00e7\u00f5es no Instagram e 122 mil no TikTok | Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o IA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>            <!-- content --><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O consumo massivo de v\u00eddeos curtos sobre sa\u00fade tem levado usu\u00e1rios a buscarem respostas m\u00e9dicas nas redes sociais. A dimens\u00e3o da busca pelo tema se reflete em n\u00fameros expressivos nas plataformas, onde apenas a hashtag sobre lipedema acumula 580 mil publica\u00e7\u00f5es no Instagram e 122 mil no TikTok. Como consequ\u00eancia dessa superexposi\u00e7\u00e3o, profissionais de sa\u00fade t\u00eam lidado cada vez mais com uma onda de autodiagn\u00f3sticos imprecisos. Na psiquiatria, m\u00e9dicos j\u00e1 alertam para a dissemina\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3sticos equivocados de transtornos mentais, como o D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o com Hiperatividade (TDAH), impulsionados por reels e posts superficiais nas redes.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos formatos mais populares e criticados por profissionais da sa\u00fade mental \u00e9 a <em>gamifica\u00e7\u00e3o<\/em> da avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica. Em din\u00e2micas virais na internet, usu\u00e1rios s\u00e3o convidados a \u201cabaixar um dedo da m\u00e3o\u201d a cada comportamento que confirmem ter, como procrastina\u00e7\u00e3o, desorganiza\u00e7\u00e3o ou timidez. Caso todos os dedos sejam abaixados, o conte\u00fado sugere, de forma simplificada, que a pessoa pode ter condi\u00e7\u00f5es como autismo ou TDAH. No entanto, especialistas alertam que diagn\u00f3sticos psicol\u00f3gicos dependem de avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica individualizada.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Ludmilla Furtado, professora e coordenadora do curso de psicologia da Uniabeu, a pr\u00e1tica esvazia o rigor cl\u00ednico. \u201cA gamifica\u00e7\u00e3o do adoecimento mental transforma sintomas complexos em entretenimento superficial\u201d, explica a psic\u00f3loga.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A especialista ressalta que atribuir um r\u00f3tulo cl\u00ednico por meio de um jogo ignora pilares b\u00e1sicos da ci\u00eancia, como o preju\u00edzo funcional que esse tipo de conduta envolve e o hist\u00f3rico de vida do paciente. Esse imediatismo gera confus\u00e3o e pode inclusive afastar o indiv\u00edduo do tratamento adequado.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Alemanha, por exemplo, dados do sistema p\u00fablico de sa\u00fade revelam que a taxa de novos diagn\u00f3sticos de TDAH em adultos saltou de 8,6 para 25,7 a cada 10 mil pessoas entre 2015 e 2024. O aumento acende o debate entre especialistas sobre os fatores por tr\u00e1s da alta, incluindo maior reconhecimento de casos antes subdiagnosticados, mas tamb\u00e9m o risco de banaliza\u00e7\u00e3o de sintomas comuns transformados em diagn\u00f3sticos. Apesar da maior procura por avalia\u00e7\u00e3o, o diagn\u00f3stico de TDAH \u00e9 um processo complexo, que exige investigar a hist\u00f3ria do paciente e comprovar que os sintomas j\u00e1 provocavam limita\u00e7\u00f5es desde a inf\u00e2ncia, normalmente antes dos 12 anos.\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>As fronteiras do autismo\u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Transtorno do Espectro Autista (TEA) enfrenta questionamentos semelhantes quanto ao alargamento de suas fronteiras. A psiquiatra alem\u00e3 Uta Frith, pioneira nos estudos sobre o tema, critica diretamente a populariza\u00e7\u00e3o do assunto nas redes sociais e na cultura pop. Ela relata que pessoas com boa comunica\u00e7\u00e3o, mas que enfrentam ansiedade social, passam a se autodiagnosticar como autistas quando estimuladas por conte\u00fados online.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Reino Unido, dados do servi\u00e7o p\u00fablico de sa\u00fade (NHS) indicam que a propor\u00e7\u00e3o de pessoas diagnosticadas com TEA passou de 0,1% em 1998 para 1,33% em 2024, alcan\u00e7ando cerca de 750 mil pessoas. Para Uta Frith, o aumento expressivo de diagn\u00f3sticos mais leves e tardios confunde as demandas de quem possui defici\u00eancia intelectual e necessita de suporte mais intensivo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lipedema e as falsas promessas<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A medicaliza\u00e7\u00e3o impulsionada pela internet tamb\u00e9m atinge condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas. Endocrinologistas da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira para o Estudo da Obesidade e S\u00edndrome Metab\u00f3lica (Abeso) relatam que diversas mulheres est\u00e3o sendo diagnosticadas com lipedema sem de fato apresentarem a doen\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo os especialistas da Abeso, esse excesso de diagn\u00f3sticos equivocados t\u00eam impulsionado a venda de protocolos e tratamentos que n\u00e3o t\u00eam respaldo ou comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. O quadro real da doen\u00e7a exige acompanhamento m\u00e9dico rigoroso e \u00e9 muito mais complexo do que o retratado em v\u00eddeos curtos focados apenas em celulite ou tamanho das pernas.<\/p>\n<div data-ad-id=\"353515\" style=\"text-align:left; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-353515  \">\n<div class=\"grupowhats\" style=\"margin: 10px 0;\">Receba not\u00edcias no WhatsApp e e-mail<br \/>\n<br \/>\n<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/KuVQE37LQy7CgJa74ffpYI?s=sw&amp;p=a&amp;ilr=4&amp;amv=0\" target=\"blank\" class=\"tdm-inline-image-wrap\" rel=\"noopener\"><\/a><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodorio.com\/o-diagnostico-que-vem-do-feed-como-os-videos-curtos-estao-transformando-sintomas-em-entretenimento\/\">D\u00edario Regional RJ <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hashtag sobre lipedema acumula 580 mil publica\u00e7\u00f5es no Instagram e 122 mil no TikTok | Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o IA O consumo massivo de v\u00eddeos curtos sobre sa\u00fade tem levado usu\u00e1rios a buscarem respostas m\u00e9dicas nas redes sociais. 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