{"id":36563,"date":"2026-08-09T13:27:29","date_gmt":"2026-08-09T16:27:29","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=36563"},"modified":"2026-08-09T13:27:29","modified_gmt":"2026-08-09T16:27:29","slug":"demolidas-mas-nao-desprotegidas-diario-do-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=36563","title":{"rendered":"Demolidas, mas n\u00e3o desprotegidas &#8211; Di\u00e1rio do Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"<p><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodorio.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/IMG_2221.jpeg\" \/><\/p>\n<div>\n            <!-- image --><\/p>\n<div class=\"td-post-featured-image\">\n<figure><figcaption class=\"wp-caption-text\">Igrejas de S. P. dos Cl\u00e9rigos e Bom Jesus do Calv\u00e1rio \u201catrapalhando\u201d a abertura da Av. Pres. Vargas. Foto do Arquivo Noronha Santos \u2013 IPHAN.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>            <!-- content --><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A abertura da Avenida Presidente Vargas apagou do centro do Rio de Janeiro ruas inteiras, casas, largos, modos de vida e antigos espa\u00e7os religiosos, entre eles a Igreja de S\u00e3o Pedro dos Cl\u00e9rigos, a Igreja de Nosso Senhor Bom Jesus do Calv\u00e1rio e Via-Sacra, a Capela de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o e a Igreja de S\u00e3o Domingos. Nem todas essas igrejas se encontravam, por\u00e9m, na mesma situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica. S\u00e3o Pedro dos Cl\u00e9rigos e Bom Jesus do Calv\u00e1rio estavam tombadas pelo nascente Servi\u00e7o do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional. Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o e S\u00e3o Domingos desapareceram no mesmo grande processo de transforma\u00e7\u00e3o urbana, mas sua demoli\u00e7\u00e3o n\u00e3o percorreu, at\u00e9 onde a documenta\u00e7\u00e3o examinada neste estudo permite afirmar, o mesmo procedimento administrativo de cancelamento do tombamento. A distin\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental, n\u00e3o apenas porque impede que hist\u00f3rias distintas sejam artificialmente igualadas, mas porque permite compreender a extraordin\u00e1ria singularidade do que aconteceu com os dois templos protegidos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o Pedro n\u00e3o era apenas mais uma igreja antiga. Constru\u00edda a partir do s\u00e9culo XVIII pela Irmandade de sacerdotes hom\u00f4nima, com sua extraordin\u00e1ria planta curvil\u00ednea e um interior dominado pela riqueza da obra de talha, era reconhecida pelos pr\u00f3prios t\u00e9cnicos do patrim\u00f4nio como exemplar excepcional da arquitetura religiosa brasileira. Guardava ainda sepultamentos ligados \u00e0 hist\u00f3ria religiosa, art\u00edstica e intelectual do Rio de Janeiro. Ao tomb\u00e1-la, o Estado reconhecia justamente o valor da unidade formada pelo edif\u00edcio, pelos altares, pela talha, pelas imagens, pelas cantarias, pelos espa\u00e7os lit\u00fargicos e pela mem\u00f3ria acumulada durante s\u00e9culos.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tomada da C\u00fapula da antiga Igreja da Vener\u00e1vel Irmandade do Pr\u00edncipe S\u00e3o Pedro \u2013 S\u00e3o Pedro dos Cl\u00e9rigos \/ Foto: Arquivo Noronha Santos \u2013 Iphan<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A constru\u00e7\u00e3o da Avenida Presidente Vargas colocou essa unidade diante de uma contradi\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de ignorar. O mesmo Estado que havia acabado de organizar uma pol\u00edtica nacional de preserva\u00e7\u00e3o pretendia abrir uma avenida monumental atrav\u00e9s de bens que ele pr\u00f3prio declarara integrantes do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e art\u00edstico nacional. O Decreto-Lei n\u00ba 25, de 30 de novembro de 1937, n\u00e3o oferecia caminho simples para afastar a prote\u00e7\u00e3o conferida pelo tombamento. Em 29 de novembro de 1941, Get\u00falio Vargas editou ent\u00e3o o Decreto-Lei n\u00ba 3.866, cujo artigo \u00fanico autorizava o presidente da Rep\u00fablica, por motivos de interesse p\u00fablico, a determinar\u00a0<strong>o cancelamento do tombamento<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A terminologia merece aten\u00e7\u00e3o. O legislador de 1941 n\u00e3o empregou a palavra \u201cdestombamento\u201d. Falou em\u00a0<strong>cancelamento do tombamento<\/strong>. A diferen\u00e7a, neste caso, n\u00e3o \u00e9 meramente sem\u00e2ntica. A express\u00e3o \u201cdestombamento\u201d, tal como empregada correntemente hoje, pode sugerir uma retirada global da tutela estatal, quase uma declara\u00e7\u00e3o de que o bem deixa de interessar ao patrim\u00f4nio p\u00fablico. N\u00e3o foi isso o que os documentos relativos a S\u00e3o Pedro e Bom Jesus estabeleceram. O tombamento dos im\u00f3veis seria cancelado para que uma obra urbana espec\u00edfica pudesse atravessar os\u00a0locais onde eles se encontravam, mas os templos continuavam considerados monumentos de excepcional valor hist\u00f3rico e art\u00edstico, e seus elementos continuavam submetidos a um programa oficial de preserva\u00e7\u00e3o, guarda, documenta\u00e7\u00e3o, transfer\u00eancia e reconstru\u00e7\u00e3o. O cancelamento afastava uma prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica determinada; n\u00e3o equivalia \u00e0 declara\u00e7\u00e3o de que tudo aquilo que compunha os monumentos poderia ser abandonado, alienado ou disperso.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova norma tampouco ordenava a demoli\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Pedro. Muito menos autorizava a dispers\u00e3o de altares, imagens, talhas ou documentos. Apenas conferia ao presidente da Rep\u00fablica o poder jur\u00eddico para cancelar um tombamento quando entendesse que outro interesse p\u00fablico deveria prevalecer. A decis\u00e3o sobre o que seria feito com os monumentos continuaria a depender dos atos administrativos posteriores e, no caso das igrejas atingidas pela Avenida Presidente Vargas, esses atos s\u00e3o inequ\u00edvocos quanto \u00e0 exist\u00eancia de uma obriga\u00e7\u00e3o de reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Altar Mor da antiga Igreja da Vener\u00e1vel Irmandade do Pr\u00edncipe S\u00e3o Pedro \u2013 S\u00e3o Pedro dos Cl\u00e9rigos \/ Foto: Arquivo Noronha Santos \u2013 Iphan<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 29 de dezembro de 1942, o prefeito Henrique Dodsworth encaminhou a Vargas o pedido formal. Explicou que a continuidade da avenida exigiria um corte no Campo de Santana e a demoli\u00e7\u00e3o das igrejas de Bom Jesus e S\u00e3o Pedro. Transcreveu o artigo do Decreto-Lei n\u00ba 3.866 e pediu autoriza\u00e7\u00e3o para que fosse cancelado o tombamento dos im\u00f3veis. Mas acrescentou uma declara\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode ser reduzida a uma f\u00f3rmula protocolar: era desejo da Prefeitura que\u00a0<strong>a demoli\u00e7\u00e3o e a reconstru\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0dos referidos templos fossem realizadas com a assist\u00eancia e orienta\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, desde o pr\u00f3prio pedido municipal, a opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o era descrita simplesmente como uma demoli\u00e7\u00e3o. Havia duas etapas articuladas: demolir os templos onde se encontravam e reconstru\u00ed-los em outro local.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rodrigo Melo Franco de Andrade, diretor do SPHAN, procurou assegurar que essa inten\u00e7\u00e3o se transformasse em compromisso administrativo expresso. Em of\u00edcio ao ministro Gustavo Capanema, advertiu que, caso o presidente decidisse cancelar os tombamentos, deveria ficar estabelecida a obriga\u00e7\u00e3o assumida pela Prefeitura Municipal de executar, \u00e0s suas expensas, as obras de reconstru\u00e7\u00e3o dos monumentos atingidos, de acordo com os projetos e sob orienta\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Servi\u00e7o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 8 de janeiro de 1943, Get\u00falio Vargas decidiu. O documento preservado no processo n\u00e3o emprega nenhuma express\u00e3o semelhante a \u201cdesproteger\u201d ou \u201cdestombar\u201d. Seu comando \u00e9 preciso:<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAprovado. Cancele-se o tombamento dos im\u00f3veis referidos, na forma do artigo \u00fanico do Decreto-lei n. 3866, de 29 de novembro de 1941. Ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o para que seja dado cumprimento a este despacho pelo Servi\u00e7o do Patrim\u00f4nio Art\u00edstico e Hist\u00f3rico Nacional, que dever\u00e1 acompanhar e orientar a demoli\u00e7\u00e3o e a reconstru\u00e7\u00e3o dos templos atingidos pela nova Avenida.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ato presidencial, portanto, deve ser lido integralmente. A mesma decis\u00e3o que manda\u00a0<strong>cancelar o tombamento<\/strong>manda tamb\u00e9m\u00a0<strong>acompanhar e orientar a demoli\u00e7\u00e3o e\u00a0<\/strong><strong>a reconstru\u00e7\u00e3o dos templos<\/strong>. N\u00e3o h\u00e1 intervalo entre essas determina\u00e7\u00f5es; elas pertencem ao mesmo despacho e \u00e0 mesma opera\u00e7\u00e3o administrativa.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 nesse ponto que a hist\u00f3ria assume um significado bastante diferente daquele que a express\u00e3o gen\u00e9rica \u201cdestombamento\u201d costuma sugerir. O cancelamento retirou o impedimento jur\u00eddico representado pelo tombamento dos im\u00f3veis, tornando poss\u00edvel sua demoli\u00e7\u00e3o para a abertura da avenida. Mas n\u00e3o houve uma declara\u00e7\u00e3o de perda do valor hist\u00f3rico dos templos. N\u00e3o se afirmou que S\u00e3o Pedro deixara de constituir patrim\u00f4nio de extraordin\u00e1ria import\u00e2ncia. N\u00e3o se converteram suas talhas em simples madeira, suas imagens em mercadorias ordin\u00e1rias ou suas cantarias em material de constru\u00e7\u00e3o sem origem. O tombamento dos im\u00f3veis foi cancelado para permitir uma interven\u00e7\u00e3o urbana espec\u00edfica, enquanto a preserva\u00e7\u00e3o material daquilo que pudesse integrar os templos reconstru\u00eddos continuava expressamente prevista.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00f3prio processo administrativo demonstra que a reconstru\u00e7\u00e3o n\u00e3o era uma ideia vaga destinada a suavizar politicamente a destrui\u00e7\u00e3o das igrejas. Os t\u00e9cnicos come\u00e7aram a estudar m\u00e9todos de levantamento, desmontagem, transfer\u00eancia, guarda e recomposi\u00e7\u00e3o. Para S\u00e3o Pedro, pretendia-se determinar o melhor crit\u00e9rio a seguir na reconstru\u00e7\u00e3o da nova igreja e na reintegra\u00e7\u00e3o do material antigo, inclusive com a poss\u00edvel recupera\u00e7\u00e3o de elementos que haviam sido encobertos ou alterados em interven\u00e7\u00f5es posteriores. O programa previa investiga\u00e7\u00e3o das paredes, dos pisos, do presbit\u00e9rio, da cobertura, das torres e dos espa\u00e7os ocultos pela pr\u00f3pria obra de talha, seguida de documenta\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica e de levantamento arquitet\u00f4nico rigoroso.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dois m\u00e9todos chegaram a ser discutidos. Num deles, construir-se-ia inicialmente um novo arcabou\u00e7o, para o qual os elementos antigos seriam gradualmente transferidos e reintegrados. No outro, o monumento seria desmontado e toda a obra de talha e os demais materiais seriam recolhidos a um dep\u00f3sito provis\u00f3rio, enquanto a reconstru\u00e7\u00e3o fosse realizada.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O parecer t\u00e9cnico percebeu imediatamente o perigo desse segundo caminho. A obra interna de S\u00e3o Pedro n\u00e3o era constitu\u00edda apenas por ret\u00e1bulos independentes que pudessem ser retirados e novamente instalados como m\u00f3veis. A talha formava o pr\u00f3prio corpo interior da igreja. Desmantel\u00e1-la simultaneamente, transport\u00e1-la em massa e mant\u00ea-la por tempo indeterminado em dep\u00f3sito significava colocar em risco a unidade material do conjunto. Os t\u00e9cnicos registraram ainda um temor de extraordin\u00e1ria lucidez: uma vez demolida a igreja, dificuldades de ordem financeira ou administrativa, ou mesmo conveni\u00eancias urban\u00edsticas supervenientes, poderiam protelar indefinidamente a prometida reconstru\u00e7\u00e3o. Aquilo que nascera como dep\u00f3sito provis\u00f3rio poderia transformar-se, silenciosamente, em destino permanente.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O SPHAN previu, portanto, com precis\u00e3o desconcertante, a natureza do problema que poderia vir a surgir.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A documenta\u00e7\u00e3o posterior demonstra ainda que a reconstru\u00e7\u00e3o era tratada como empreendimento concreto. Foram procurados terrenos capazes de receber as igrejas, inclusive uma poss\u00edvel localiza\u00e7\u00e3o para S\u00e3o Pedro nas \u00e1reas remodeladas pr\u00f3ximas da antiga Pra\u00e7a Onze. Elaboraram-se cronogramas para levantamentos, projetos,\u00a0constru\u00e7\u00e3o dos novos arcabou\u00e7os, desmontagem, transporte e recoloca\u00e7\u00e3o dos elementos antigos. Calculou-se que uma transfer\u00eancia direta demandaria pelo menos dezessete meses; caso se utilizassem dep\u00f3sitos intermedi\u00e1rios, o prazo poderia chegar a vinte meses.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m foram preparados or\u00e7amentos, propostas profissionais e previs\u00f5es de equipes para o levantamento das duas igrejas. N\u00e3o se tratava, portanto, de erguer em algum momento futuro um templo moderno apenas em homenagem ao edif\u00edcio perdido. O programa t\u00e9cnico que acompanhava o cancelamento dos tombamentos previa documenta\u00e7\u00e3o, desmontagem, transporte e reintegra\u00e7\u00e3o material.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es elaboradas para a concorr\u00eancia da demoli\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Pedro confirmam esse objetivo. Todo o material resultante da demoli\u00e7\u00e3o \u2014 grades, vigas, ferro, cantarias, telhas, ladrilhos e outros elementos \u2014 deveria ser transportado para um galp\u00e3o. N\u00e3o seriam tolerados danos ou quebras nas pe\u00e7as de cantaria, obras de talha, esquadrias e elementos de serralheria. Materiais sujeitos \u00e0 quebra deveriam ser cuidadosamente protegidos para transporte e dep\u00f3sito. Mais importante: pensando expressamente na\u00a0<strong>futura reconstru\u00e7\u00e3o<\/strong>, o empreiteiro deveria documentar por plantas ou fotografias os conjuntos de cantaria, entalhes e esquadrias, identificando as pe\u00e7as que os compunham.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa passagem \u00e9 decisiva para compreender a extens\u00e3o da tutela que subsistia mesmo depois do cancelamento do tombamento dos im\u00f3veis. A talha n\u00e3o deveria simplesmente desaparecer no mercado. As cantarias n\u00e3o deveriam perder sua proced\u00eancia. Os elementos retirados n\u00e3o eram material dispon\u00edvel ao acaso. Era preciso identific\u00e1-los porque existia para eles um destino administrativo projetado: integrar novamente os templos reconstru\u00eddos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1944, entretanto, a execu\u00e7\u00e3o da demoli\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a se afastar daquilo que havia sido estabelecido. Gustavo Capanema chegou a perguntar se o SPHAN acompanharia os trabalhos que, segundo os jornais, estavam prestes a come\u00e7ar. Rodrigo Melo Franco respondeu que as provid\u00eancias para a demoli\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Pedro e Bom Jesus do Calv\u00e1rio tinham sido tomadas pela Prefeitura inteiramente \u00e0 revelia do Servi\u00e7o e em sentido contr\u00e1rio ao crit\u00e9rio por ele proposto. E recordou ao ministro que o despacho presidencial determinara expressamente que o SPHAN deveria acompanhar e orientar a demoli\u00e7\u00e3o\u00a0<strong>e a reconstru\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0dos templos atingidos pela avenida.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o deixa ent\u00e3o de ser apenas a destrui\u00e7\u00e3o de dois edif\u00edcios. Surge outra, juridicamente e historicamente mais inquietante: o descumprimento do programa de prote\u00e7\u00e3o material que deveria acompanhar o cancelamento dos tombamentos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os jornais da \u00e9poca ainda noticiavam que, apesar da demoli\u00e7\u00e3o, o patrim\u00f4nio hist\u00f3rico seria preservado com a constru\u00e7\u00e3o de um templo igual. O prefeito reafirmava publicamente que a Prefeitura n\u00e3o pretendia simplesmente eliminar a igreja, mas reconstru\u00ed-la. O contraste entre essas declara\u00e7\u00f5es e os acontecimentos posteriores permite compreender por que \u00e9 inadequado reduzir toda essa hist\u00f3ria \u00e0 f\u00f3rmula simples segundo a qual as igrejas teriam sido \u201cdestombadas e demolidas\u201d. Elas tiveram seus tombamentos cancelados para permitir uma opera\u00e7\u00e3o urban\u00edstica, enquanto a\u00a0documenta\u00e7\u00e3o continuava tratando-as como monumentos cuja subst\u00e2ncia hist\u00f3rica deveria ser, tanto quanto poss\u00edvel, recuperada e reconstitu\u00edda.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1946, dois anos depois da demoli\u00e7\u00e3o, a pr\u00f3pria Irmandade de S\u00e3o Pedro escreveu ao SPHAN afirmando estar empenhada na constru\u00e7\u00e3o de sua nova igreja, \u201cem substitui\u00e7\u00e3o daquela que constitu\u00eda um verdadeiro monumento hist\u00f3rico e uma joia de arte de inestim\u00e1vel valor\u201d. Ao pedir c\u00f3pia dos documentos do processo, declarava querer resguardar sua responsabilidade e seus direitos na quest\u00e3o do cancelamento do tombamento e da demoli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova igreja acabaria efetivamente criada, mas n\u00e3o propriamente \u201cconstru\u00edda\u201d. O que n\u00e3o se realizou foi uma reconstru\u00e7\u00e3o nos termos concebidos quando se decidiu sacrificar o templo original: com levantamento rigoroso, desmontagem controlada e reintegra\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica dos elementos que constitu\u00edam a antiga igreja. Acabou instalada na antiga igreja do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus do Semin\u00e1rio S\u00e3o Jos\u00e9, no Rio Comprido, que recebeu adapta\u00e7\u00f5es para isto. A pedra fundamental da nova igreja jamais constru\u00edda chegou a ser colocada num terreno na Avenida Haddock Lobo, mas as obras nunca foram \u00e0 frente ap\u00f3s a aquisi\u00e7\u00e3o, pela irmandade, do templo do Rio Comprido. <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi ent\u00e3o que surgiu a prova material de que o temor registrado pelos t\u00e9cnicos anos antes n\u00e3o era abstrato.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 8 de setembro de 1953, Rodrigo Melo Franco escreveu ao secret\u00e1rio-geral de Via\u00e7\u00e3o e Obras da Prefeitura. Informava que grande parte da obra de talha proveniente do interior da Igreja de S\u00e3o Pedro estava exposta \u00e0 venda em uma loja de antiqu\u00e1rio da Rua Siqueira Campos. Queria saber em que condi\u00e7\u00f5es aquelas pe\u00e7as haviam sido alienadas ou cedidas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A argumenta\u00e7\u00e3o do diretor do patrim\u00f4nio \u00e9 talvez o documento mais importante para compreender o alcance que o pr\u00f3prio SPHAN atribu\u00eda \u00e0 decis\u00e3o de 1943. Rodrigo recordou que o despacho presidencial, embora cancelasse o tombamento da igreja para permitir sua demoli\u00e7\u00e3o, determinara posteriormente provid\u00eancias que\u00a0<strong>\u201cimpunham a preserva\u00e7\u00e3o de todos os elementos arquitet\u00f4nicos e decorativos do templo\u201d<\/strong>. E acrescentou que n\u00e3o constava ao Servi\u00e7o que aquele despacho tivesse sido tornado sem efeito, de maneira a facilitar a\u00a0<strong>\u201cdispers\u00e3o irrepar\u00e1vel\u201d<\/strong>\u00a0da obra de talha mediante a venda avulsa de suas pe\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escolha das palavras \u00e9 extraordin\u00e1ria e deve ser tomada com toda a seriedade. Ningu\u00e9m melhor do que Rodrigo Melo Franco, respons\u00e1vel m\u00e1ximo pelo \u00f3rg\u00e3o que acompanhara o processo, para explicar o sentido administrativo que se atribu\u00eda ao cancelamento. A igreja perdera o tombamento enquanto im\u00f3vel porque sua localiza\u00e7\u00e3o se tornara incompat\u00edvel com o tra\u00e7ado imposto para a avenida. Mas isso n\u00e3o havia sido entendido pelo SPHAN como autoriza\u00e7\u00e3o para dissipar seus elementos arquitet\u00f4nicos e decorativos. Ao contr\u00e1rio, a preserva\u00e7\u00e3o desses elementos era considerada consequ\u00eancia das provid\u00eancias determinadas pelo pr\u00f3prio presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 exatamente por isso que a palavra \u201cdestombamento\u201d, embora frequente na bibliografia posterior e \u00fatil em sentido gen\u00e9rico para designar a retirada de um tombamento, pode obscurecer mais do que esclarecer neste caso particular. Ela cria a impress\u00e3o de uma ruptura total entre o bem e a tutela patrimonial. O que os autos revelam \u00e9 mais complexo. Houve um\u00a0<strong>cancelamento formal do tombamento dos\u00a0<\/strong><strong>im\u00f3veis<\/strong>, acompanhado, por\u00e9m, de comandos administrativos destinados a preservar, documentar, guardar e reintegrar os elementos dos monumentos. A prote\u00e7\u00e3o mudou de forma; n\u00e3o simplesmente desapareceu.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em dezembro de 1953, a pr\u00f3pria Irmandade procurou saber se o protesto do SPHAN contra a dispers\u00e3o das obras de talha dizia respeito a S\u00e3o Pedro ou a Bom Jesus do Calv\u00e1rio. A resposta esclareceu que o epis\u00f3dio conhecido se referia \u00e0 talha de S\u00e3o Pedro e que o \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o possu\u00eda informa\u00e7\u00e3o de que pe\u00e7as de Bom Jesus tamb\u00e9m estivessem sendo oferecidas \u00e0 venda. A cautela documental \u00e9 importante: a aus\u00eancia de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o demonstra que todo o conjunto de Bom Jesus permaneceu unido, apenas estabelece o limite do que pode ser afirmado a partir desse processo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os remanescentes de S\u00e3o Pedro seguiram, ao longo das d\u00e9cadas, destinos diversos. Partes foram reaproveitadas em outros espa\u00e7os; pe\u00e7as ingressaram em institui\u00e7\u00f5es; outras circularam pelo com\u00e9rcio de antiguidades e por cole\u00e7\u00f5es particulares. Cada fragmento pode hoje possuir valor aut\u00f4nomo e estar, eventualmente, muito bem conservado. Mas a preserva\u00e7\u00e3o isolada de fragmentos n\u00e3o equivale \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do conjunto hist\u00f3rico do qual fizeram parte.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 justamente essa a quest\u00e3o que o processo administrativo torna imposs\u00edvel evitar.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa tradicional costuma resumir os acontecimentos em uma sequ\u00eancia simples: a cidade precisava da Avenida Presidente Vargas; o governo retirou a prote\u00e7\u00e3o; as igrejas foram demolidas; algumas pe\u00e7as sobreviveram. A documenta\u00e7\u00e3o demonstra que entre uma coisa e outra existia muito mais. Entre o cancelamento do tombamento e a demoli\u00e7\u00e3o existia um compromisso de reconstru\u00e7\u00e3o. Entre as paredes derrubadas e as pe\u00e7as posteriormente dispersas existia um programa de levantamento, identifica\u00e7\u00e3o, transporte, guarda e reintegra\u00e7\u00e3o. Entre a autoriza\u00e7\u00e3o para remover os edif\u00edcios de seu local original e o destino final de seus acervos existiam responsabilidades p\u00fablicas expressamente assumidas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O\u00a0<strong>cancelamento do tombamento n\u00e3o foi uma carta branca para a desprote\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Get\u00falio Vargas decidiu que, diante do conflito apresentado, a Avenida Presidente Vargas prevaleceria sobre a perman\u00eancia dos dois templos naqueles terrenos. Mas o mesmo ato que cancelou o tombamento determinou que o \u00f3rg\u00e3o federal de patrim\u00f4nio acompanhasse sua demoli\u00e7\u00e3o e sua reconstru\u00e7\u00e3o. N\u00e3o houve, portanto, ato administrativo declarando desnecess\u00e1ria a conserva\u00e7\u00e3o de seus elementos hist\u00f3ricos e art\u00edsticos. N\u00e3o houve autoriza\u00e7\u00e3o presidencial para que conjuntos de talha fossem fragmentados e negociados avulsamente. N\u00e3o houve declara\u00e7\u00e3o de que as pe\u00e7as destinadas \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o passassem a constituir coisas sem v\u00ednculo com o monumento de origem.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o Pedro dos Cl\u00e9rigos e Bom Jesus do Calv\u00e1rio tiveram seus tombamentos formalmente cancelados. Foram demolidas para dar passagem \u00e0 nova avenida.\u00a0<strong>Mas n\u00e3o foram declaradamente desprotegidas.<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez esteja justamente a\u00ed a parte mais perturbadora de toda essa hist\u00f3ria. A primeira demoli\u00e7\u00e3o foi f\u00edsica, p\u00fablica e vis\u00edvel: paredes desapareceram, quarteir\u00f5es foram rasgados e uma nova paisagem urbana se imp\u00f4s sobre a antiga. A segunda foi muito mais lenta e silenciosa. Ocorreu quando altares se transformaram em pe\u00e7as isoladas, quando imagens se separaram de seus contextos, quando cantarias se converteram em material de reaproveitamento e quando aquilo que o pr\u00f3prio Estado havia planejado guardar para uma reconstru\u00e7\u00e3o deixou de existir como conjunto.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o se trata de afirmar, retrospectivamente, que toda transfer\u00eancia posterior de uma pe\u00e7a tenha sido ilegal, muito menos de presumir responsabilidade de museus, igrejas ou particulares que posteriormente receberam objetos provenientes dos templos. Cada cadeia de propriedade e cada transfer\u00eancia precisam ser investigadas documentalmente. Tamb\u00e9m n\u00e3o se trata de imaginar que hoje seria poss\u00edvel simplesmente reunir todos esses elementos e recriar materialmente uma igreja desaparecida h\u00e1 mais de oito d\u00e9cadas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o \u00e9 anterior e mais profunda.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso localizar os remanescentes, reconstruir suas cadeias de cust\u00f3dia, identificar invent\u00e1rios e autoriza\u00e7\u00f5es, confrontar fotografias e documentos, estudar as aliena\u00e7\u00f5es e entender em que momento aquilo que deveria ter permanecido reunido para uma reconstru\u00e7\u00e3o deixou de possuir esse destino. O primeiro passo para recompor S\u00e3o Pedro dos Cl\u00e9rigos n\u00e3o \u00e9 levantar outra vez suas paredes. \u00c9 reconhecer documentalmente que os fragmentos que dela sobreviveram\u00a0<strong>n\u00e3o nasceram como fragmentos<\/strong>\u00a0e, sobretudo, n\u00e3o se tornaram coisas sem prote\u00e7\u00e3o simplesmente porque o tombamento do im\u00f3vel foi cancelado.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo os documentos produzidos pelo pr\u00f3prio Estado, eles tinham outro destino.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Deveriam preservar a continuidade poss\u00edvel de um monumento condenado a deixar seu lugar, mas n\u00e3o a desaparecer.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E \u00e9 precisamente porque essa continuidade foi rompida que essa hist\u00f3ria ainda n\u00e3o terminou.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mestre Valentim da Fonseca e Silva (1745-1813) \u2013 Tocheiro esculpido em madeira, aparelhada e dourada, medindo 130 m, que pertenceu ao Altar Mor da Igreja de S. Pedro dos Cl\u00e9rigos do Rio de Janeiro, indo a leil\u00e3o no pr\u00f3ximo dia 23\/7 na casa de leil\u00f5es Onze Dinheiros, no Rio de Janeiro (Lote 454), com lance inicial de R$30.000,00. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o da Internet<br \/><\/figcaption><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mestre Valentim da Fonseca e Silva (1745-1813) \u2013 Tocheiro esculpido em madeira, aparelhada e dourada, medindo 130 m, que pertenceu ao Altar Mor da Igreja de S. Pedro dos Cl\u00e9rigos do Rio de Janeiro, indo a leil\u00e3o no pr\u00f3ximo dia 23\/7 na casa de leil\u00f5es Onze Dinheiros, no Rio de Janeiro (Lote 454), com lance inicial de R$30.000,00. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o da Internet<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n<div data-ad-id=\"353515\" style=\"text-align:left; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-353515  \">\n<div class=\"grupowhats\" style=\"margin: 10px 0;\">Receba not\u00edcias no WhatsApp e e-mail<br \/>\n<br \/>\n<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/Gf8Gpqw6IIV7NqiLOHpccY?s=sw&amp;p=a&amp;ilr=4\" target=\"blank\" class=\"tdm-inline-image-wrap\" rel=\"noopener\"><\/a><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-ad-id=\"320841\" style=\"text-align:center; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-320841  \">\n<p>\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/igrejalapadosmercadores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><\/a>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodorio.com\/demolidas-mas-nao-desprotegidas\/\">D\u00edario Regional RJ <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Igrejas de S. P. dos Cl\u00e9rigos e Bom Jesus do Calv\u00e1rio \u201catrapalhando\u201d a abertura da Av. Pres. Vargas. Foto do Arquivo Noronha Santos \u2013 IPHAN. A abertura da Avenida Presidente Vargas apagou do centro do Rio de Janeiro ruas inteiras, casas, largos, modos de vida e antigos espa\u00e7os religiosos, entre eles a Igreja de S\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":36564,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-36563","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/36563","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=36563"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/36563\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/36564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=36563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=36563"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=36563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}