{"id":36634,"date":"2026-08-10T15:51:46","date_gmt":"2026-08-10T18:51:46","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=36634"},"modified":"2026-08-10T15:51:46","modified_gmt":"2026-08-10T18:51:46","slug":"agosto-lilas-vinte-anos-de-uma-lei-que-transformou-silencio-em-direito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=36634","title":{"rendered":"Agosto Lil\u00e1s: vinte anos de uma lei que transformou sil\u00eancio em direito"},"content":{"rendered":"<p><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodorio.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/patrulha-maria-da-penha.jpeg\" \/><\/p>\n<div>\n            <!-- image --><\/p>\n<div class=\"td-post-featured-image\">\n<figure><figcaption class=\"wp-caption-text\">A Patrulha Maria da Penha ganhar\u00e1 picapes para opera\u00e7\u00f5es em \u00e1reas de dif\u00edcil acesso \/<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>            <!-- content --><\/p>\n<div class=\"wp-block-group alignright\">\n<div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-avatar\"><\/div>\n<p>Rafael Iorio<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Agosto Lil\u00e1s: mem\u00f3ria, alerta e compromisso<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em agosto, o lil\u00e1s ocupa pr\u00e9dios p\u00fablicos, campanhas e redes sociais. A cor, por\u00e9m, n\u00e3o pode funcionar como ornamento passageiro. O Agosto Lil\u00e1s \u00e9 um convite para reconhecer a viol\u00eancia contra a mulher antes que ela chegue ao desfecho extremo. Institu\u00edda nacionalmente pela Lei n\u00ba 14.448\/2022<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, a campanha divulga direitos, formas de viol\u00eancia, medidas de prote\u00e7\u00e3o, servi\u00e7os de atendimento e canais de den\u00fancia. Em 2026, ela ganha significado especial: em 7 de agosto, a Lei Maria da Penha completou vinte anos<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Brasil construiu um dos mais importantes sistemas normativos de prote\u00e7\u00e3o de g\u00eanero do mundo e, ainda assim, continua contando mulheres assassinadas por serem mulheres. A aparente contradi\u00e7\u00e3o ensina algo fundamental, leis transformam institui\u00e7\u00f5es e salvam vidas, mas n\u00e3o eliminam, sozinhas, rela\u00e7\u00f5es sociais marcadas por dom\u00ednio, medo, depend\u00eancia e desigualdade<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Quando o \u201cproblema de fam\u00edlia\u201d virou quest\u00e3o de Estado<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Antes de 2006, agress\u00f5es dom\u00e9sticas eram frequentemente reduzidas a infra\u00e7\u00f5es de menor potencial ofensivo. A resposta podia terminar em pagamento de cesta b\u00e1sica ou presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os comunit\u00e1rios. A Lei n\u00ba 11.340<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a> rompeu essa banaliza\u00e7\u00e3o. Nomeou as viol\u00eancias f\u00edsica, psicol\u00f3gica, sexual, patrimonial e moral; criou medidas protetivas de urg\u00eancia; previu juizados especializados; articulou seguran\u00e7a, sa\u00fade, assist\u00eancia social e Justi\u00e7a; e atribuiu ao Estado a responsabilidade por prevenir, acolher, proteger e responsabilizar.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O artigo 6\u00ba cont\u00e9m a chave de leitura de todo o sistema, \u201ca viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher constitui uma das formas de viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos\u201d. N\u00e3o se trata de ret\u00f3rica. A casa n\u00e3o \u00e9 uma fronteira atr\u00e1s da qual desaparecem a dignidade, a liberdade, a integridade f\u00edsica e ps\u00edquica, a igualdade e o direito \u00e0 vida. Direitos humanos valem justamente onde o poder se torna mais assim\u00e9trico e a v\u00edtima encontra maior dificuldade para pedir ajuda<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa compreens\u00e3o tamb\u00e9m explica a origem da lei. Depois de sobreviver a duas tentativas de homic\u00eddio praticadas pelo ent\u00e3o marido e enfrentar longa demora judicial, Maria da Penha Maia Fernandes levou seu caso ao sistema interamericano. Em 2001, a Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos responsabilizou o Brasil por neglig\u00eancia, omiss\u00e3o e toler\u00e2ncia diante da viol\u00eancia dom\u00e9stica. A lei de 2006 nasceu, portanto, da coragem de uma mulher, da mobiliza\u00e7\u00e3o feminista e do dever internacional de devida dilig\u00eancia<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Direitos humanos, nesse caso, deixaram de ser promessa abstrata e passaram a exigir preven\u00e7\u00e3o, investiga\u00e7\u00e3o, san\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o. A Lei Maria da Penha relaciona-se diretamente com compromissos assumidos pelo Brasil, como a Conven\u00e7\u00e3o sobre a Elimina\u00e7\u00e3o de Todas as Formas de Discrimina\u00e7\u00e3o contra a Mulher<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, conhecida como CEDAW, e a Conven\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m do Par\u00e1<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. Esses documentos reconhecem que a discrimina\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia de g\u00eanero n\u00e3o s\u00e3o acidentes particulares, mas problemas sociais e pol\u00edticos que imp\u00f5em deveres ao Estado<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Vinte anos de amplia\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma boa lei continua viva quando sua interpreta\u00e7\u00e3o acompanha a realidade. O Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) tiveram papel decisivo nesse percurso. Suas decis\u00f5es ampliaram o alcance da legisla\u00e7\u00e3o, fortaleceram as medidas protetivas e procuraram impedir que formalidades processuais devolvessem a v\u00edtima \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de desamparo que a lei buscou superar<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em 2012, o STF assentou que a a\u00e7\u00e3o penal por les\u00e3o corporal praticada no contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 p\u00fablica incondicionada. Isso significa que o processo pode prosseguir sem autoriza\u00e7\u00e3o ou representa\u00e7\u00e3o da v\u00edtima. A solu\u00e7\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o que medo, depend\u00eancia econ\u00f4mica, reconcilia\u00e7\u00e3o aparente, amea\u00e7as e press\u00e3o familiar podem produzir uma desist\u00eancia que n\u00e3o seja verdadeiramente livre<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A decis\u00e3o n\u00e3o retirou import\u00e2ncia da vontade da mulher. Procurou impedir que a responsabiliza\u00e7\u00e3o pela agress\u00e3o f\u00edsica ficasse condicionada a uma manifesta\u00e7\u00e3o produzida em ambiente de controle ou intimida\u00e7\u00e3o. Ao reconhecer o interesse p\u00fablico na persecu\u00e7\u00e3o dessas les\u00f5es, o Supremo reafirmou que a viol\u00eancia dom\u00e9stica n\u00e3o pertence exclusivamente \u00e0 esfera privada do casal<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em 2023, o STF decidiu que o juiz n\u00e3o pode convocar, por iniciativa pr\u00f3pria, audi\u00eancia destinada a obter uma poss\u00edvel retrata\u00e7\u00e3o da v\u00edtima nos crimes em que a representa\u00e7\u00e3o ainda seja exigida. A audi\u00eancia somente deve ocorrer quando a pr\u00f3pria mulher manifesta interesse em retirar a representa\u00e7\u00e3o. Seu n\u00e3o comparecimento, por si s\u00f3, n\u00e3o pode ser interpretado como desist\u00eancia<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\">[13]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As duas posi\u00e7\u00f5es s\u00e3o complementares. Uma impede que a press\u00e3o privada paralise a persecu\u00e7\u00e3o da les\u00e3o corporal; a outra evita que o pr\u00f3prio Estado convoque a mulher para um ato que possa constrang\u00ea-la a abandonar a prote\u00e7\u00e3o. Em ambas, o objetivo \u00e9 compreender a liberdade da v\u00edtima em seu contexto concreto, sem romantizar escolhas tomadas sob medo ou depend\u00eancia<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\">[14]<\/a>.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>G\u00eanero, n\u00e3o biologia estreita<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A jurisprud\u00eancia tamb\u00e9m afastou interpreta\u00e7\u00f5es excludentes. O STJ reconheceu a aplica\u00e7\u00e3o da Lei Maria da Penha \u00e0s mulheres transexuais, porque a finalidade da norma \u00e9 combater a viol\u00eancia baseada em g\u00eanero, e n\u00e3o proteger apenas quem se enquadre em uma defini\u00e7\u00e3o estritamente biol\u00f3gica de sexo<a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\">[15]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em 2026, a Corte aplicou a lei \u00e0 agress\u00e3o praticada por uma mulher contra outra em uma rela\u00e7\u00e3o homoafetiva. A identidade da agressora n\u00e3o apaga a vulnerabilidade estrutural que fundamenta a prote\u00e7\u00e3o. A lei procura enfrentar a viol\u00eancia sofrida pela mulher em raz\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero e de poder, e n\u00e3o simplesmente comparar a for\u00e7a f\u00edsica das pessoas envolvidas<a href=\"#_ftn16\" id=\"_ftnref16\">[16]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O STJ j\u00e1 havia reconhecido que a prote\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a agress\u00f5es ocorridas em rela\u00e7\u00f5es de namoro, mesmo sem coabita\u00e7\u00e3o e at\u00e9 depois do t\u00e9rmino. Tamb\u00e9m fixou que a Lei Maria da Penha deve ser aplicada aos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra meninas, independentemente da idade, sem que a exist\u00eancia do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente<a href=\"#_ftn17\" id=\"_ftnref17\">[17]<\/a> afaste a compet\u00eancia especializada<a href=\"#_ftn18\" id=\"_ftnref18\">[18]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 S\u00e3o avan\u00e7os relevantes porque a desigualdade n\u00e3o se apresenta em um \u00fanico modelo de fam\u00edlia. Ela pode atravessar namoro, casamento, uni\u00e3o homoafetiva, parentesco e rela\u00e7\u00f5es j\u00e1 encerradas. Interpretar a lei de acordo com sua finalidade impede que formalidades escondam o risco concreto. Ao mesmo tempo, exige an\u00e1lise s\u00e9ria de cada caso, perspectiva de g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 presun\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica de culpa, mas m\u00e9todo para evitar que estere\u00f3tipos produzam cegueira institucional.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Medidas protetivas: avan\u00e7o e sinal de perigo<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O crescimento das medidas protetivas resume a ambival\u00eancia destes vinte anos. Dados reunidos pelo Migalhas a partir do painel do Conselho Nacional de Justi\u00e7a mostram que os registros mensais passaram de 28.179, no in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica de 2020, ao pico de 104.389 em 2026, aumento aproximado de 270%. Nos cinco primeiros meses de 2026, o Judici\u00e1rio contabilizou 463.879 medidas protetivas<a href=\"#_ftn19\" id=\"_ftnref19\">[19]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Considerando as movimenta\u00e7\u00f5es registradas at\u00e9 junho de 2026, foram identificados 532.815 registros. Desse total, 337.149 correspondiam a medidas concedidas, 107.505 a revoga\u00e7\u00f5es, 43.504 a prorroga\u00e7\u00f5es e 43.343 a negativas. Havia ainda uma pequena parcela de medidas determinadas inicialmente pela autoridade policial e posteriormente submetidas ao controle judicial<a href=\"#_ftn20\" id=\"_ftnref20\">[20]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esses n\u00fameros requerem cautela. \u201cMovimenta\u00e7\u00e3o\u201d processual n\u00e3o significa necessariamente uma nova v\u00edtima, pois o mesmo caso pode gerar concess\u00e3o, prorroga\u00e7\u00e3o ou revoga\u00e7\u00e3o. O crescimento dos registros tamb\u00e9m n\u00e3o prova, sozinho, aumento equivalente da viol\u00eancia. Pode refletir maior conhecimento dos direitos, melhoria da coleta de dados, amplia\u00e7\u00e3o dos canais de den\u00fancia e mais acesso ao sistema de Justi\u00e7a<a href=\"#_ftn21\" id=\"_ftnref21\">[21]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas os dados tampouco autorizam uma comemora\u00e7\u00e3o simples. A predomin\u00e2ncia de concess\u00f5es demonstra que, em grande parte dos pedidos analisados, o Judici\u00e1rio reconheceu a necessidade de provid\u00eancias urgentes. O aumento tamb\u00e9m pode revelar a persist\u00eancia ou o agravamento das situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia que chegam ao conhecimento das autoridades<a href=\"#_ftn22\" id=\"_ftnref22\">[22]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os processos relacionados ao descumprimento das medidas igualmente cresceram. Na principal classe acompanhada pelo painel do CNJ, foram registrados 10.261 novos casos em 2020. O n\u00famero subiu para 19.284 em 2021, 31.915 em 2022, 50.004 em 2023, 63.014 em 2024 e 74.438 em 2025. Uma ordem escrita somente protege quando \u00e9 concedida com rapidez, fiscalizada e acompanhada de consequ\u00eancias diante da viola\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn23\" id=\"_ftnref23\">[23]<\/a>.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Fam\u00edlia, filhos e viol\u00eancia que muda de forma<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A prote\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m chegou ao Direito das Fam\u00edlias. Div\u00f3rcio, guarda, conviv\u00eancia, alimentos, partilha de bens e exerc\u00edcio da parentalidade n\u00e3o podem ser decididos como se a viol\u00eancia fosse um processo completamente separado da vida familiar. A Lei Maria da Penha permitiu que essas quest\u00f5es passassem a ser examinadas considerando o contexto de viol\u00eancia e as desigualdades presentes na rela\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn24\" id=\"_ftnref24\">[24]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Crian\u00e7as que presenciam amea\u00e7as, humilha\u00e7\u00f5es e agress\u00f5es tamb\u00e9m sofrem consequ\u00eancias emocionais, psicol\u00f3gicas e sociais, ainda que n\u00e3o sejam atingidas fisicamente. A exposi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua ao medo deve ser considerada nas decis\u00f5es sobre guarda e conviv\u00eancia. A viol\u00eancia praticada contra a m\u00e3e pode revelar, igualmente, aspectos relevantes sobre a forma como o agressor exerce a parentalidade<a href=\"#_ftn25\" id=\"_ftnref25\">[25]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O uso dos filhos para amea\u00e7ar, controlar ou causar sofrimento \u00e0 mulher caracteriza a chamada viol\u00eancia vic\u00e1ria. Ela evidencia que o abuso pode mudar de instrumento sem perder sua finalidade. A viol\u00eancia dom\u00e9stica n\u00e3o se reduz, portanto, \u00e0 agress\u00e3o corporal, pode alcan\u00e7ar a maternidade, os v\u00ednculos afetivos, o patrim\u00f4nio e a estabilidade emocional da v\u00edtima<a href=\"#_ftn26\" id=\"_ftnref26\">[26]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Existe ainda a viol\u00eancia processual, caracterizada pelo emprego abusivo do sistema de Justi\u00e7a para prolongar o controle. Multiplica\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es, prolongamento artificial dos lit\u00edgios, oculta\u00e7\u00e3o patrimonial e instrumentaliza\u00e7\u00e3o de disputas de guarda podem ser usados para produzir exaust\u00e3o financeira e emocional. Reconhecer esse problema n\u00e3o significa restringir o direito de defesa, mas impedir o abuso do processo<a href=\"#_ftn27\" id=\"_ftnref27\">[27]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O di\u00e1logo entre as varas de fam\u00edlia e as varas de viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 indispens\u00e1vel para reduzir decis\u00f5es contradit\u00f3rias e evitar a repeti\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria de relatos traum\u00e1ticos. A prote\u00e7\u00e3o integral exige que o Estado enxergue a hist\u00f3ria completa, e n\u00e3o apenas fragmentos distribu\u00eddos em processos que n\u00e3o se comunicam<a href=\"#_ftn28\" id=\"_ftnref28\">[28]<\/a>.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Da rea\u00e7\u00e3o \u00e0 preven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Direito Penal \u00e9 necess\u00e1rio para responsabilizar, mas chega, muitas vezes, depois do dano. A Lei Maria da Penha foi concebida para ir al\u00e9m da puni\u00e7\u00e3o. Ela determina pol\u00edticas p\u00fablicas de preven\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia e prote\u00e7\u00e3o; prev\u00ea atendimento especializado; estimula programas educacionais; e prop\u00f5e a integra\u00e7\u00e3o entre Justi\u00e7a, seguran\u00e7a p\u00fablica, sa\u00fade, assist\u00eancia social e sociedade civil<a href=\"#_ftn29\" id=\"_ftnref29\">[29]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A evolu\u00e7\u00e3o legislativa ao longo desses vinte anos procurou fechar lacunas e adaptar a prote\u00e7\u00e3o a novas formas de viol\u00eancia. Entre as mudan\u00e7as destacadas pelas fontes est\u00e3o a criminaliza\u00e7\u00e3o do descumprimento das medidas protetivas, o fortalecimento do monitoramento eletr\u00f4nico, a amplia\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o contra a viol\u00eancia psicol\u00f3gica praticada com recursos tecnol\u00f3gicos e o reconhecimento de novos instrumentos de prote\u00e7\u00e3o patrimonial, familiar e pessoal<a href=\"#_ftn30\" id=\"_ftnref30\">[30]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa evolu\u00e7\u00e3o demonstra que a Lei Maria da Penha n\u00e3o \u00e9 um texto im\u00f3vel. Desde 2006, novas normas procuraram responder a dificuldades reveladas pela experi\u00eancia: demora na prote\u00e7\u00e3o, descumprimento de ordens, uso da tecnologia para agredir, depend\u00eancia econ\u00f4mica e necessidade de atua\u00e7\u00e3o integrada. O aperfei\u00e7oamento legislativo, por\u00e9m, s\u00f3 produz resultados quando acompanhado de estrutura e or\u00e7amento<a href=\"#_ftn31\" id=\"_ftnref31\">[31]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma escola que ensina respeito, igualdade, consentimento e dignidade n\u00e3o invade a esfera familiar. Cumpre o dever democr\u00e1tico de formar pessoas capazes de reconhecer limites e rejeitar rela\u00e7\u00f5es baseadas em posse. A transforma\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es culturais n\u00e3o ocorre automaticamente com a edi\u00e7\u00e3o de leis; depende de educa\u00e7\u00e3o permanente e da desconstru\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos que naturalizam a submiss\u00e3o das mulheres<a href=\"#_ftn32\" id=\"_ftnref32\">[32]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tamb\u00e9m \u00e9 indispens\u00e1vel capacitar policiais, profissionais de sa\u00fade, assist\u00eancia social, Minist\u00e9rio P\u00fablico, Defensoria P\u00fablica, advocacia e magistratura. Perguntas culpabilizadoras, descr\u00e9dito autom\u00e1tico e repeti\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria do relato afastam v\u00edtimas. Acolher n\u00e3o significa abandonar a apura\u00e7\u00e3o rigorosa; significa produzir prova sem reproduzir viol\u00eancia ou impor novos constrangimentos<a href=\"#_ftn33\" id=\"_ftnref33\">[33]<\/a>.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Conclus\u00e3o: uma campanha de todos os dias<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Agosto Lil\u00e1s ser\u00e1 efetivo se ampliar conhecimento e responsabilidade coletiva. A Central de Atendimento \u00e0 Mulher \u2014 Ligue 180 \u2014 \u00e9 gratuita, funciona vinte e quatro horas por dia e pode ser acionada pela pr\u00f3pria mulher ou por qualquer pessoa que tenha conhecimento de uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia. Tamb\u00e9m h\u00e1 atendimento por WhatsApp, e-mail e videochamada em Libras. Em emerg\u00eancia, deve-se acionar a Pol\u00edcia Militar pelo telefone 190<a href=\"#_ftn34\" id=\"_ftnref34\">[34]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A rede de apoio deve escutar sem julgar, respeitar o tempo da mulher, preservar sua seguran\u00e7a e evitar confrontar diretamente o agressor quando isso puder aumentar o risco. Parentes, amigos, vizinhos e colegas n\u00e3o substituem os servi\u00e7os especializados, mas podem ajudar a romper o isolamento e facilitar o acesso \u00e0 prote\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn35\" id=\"_ftnref35\">[35]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vinte anos depois, a Lei Maria da Penha mudou a linguagem p\u00fablica. A agress\u00e3o dom\u00e9stica deixou de ser simples \u201cbriga de casal\u201d; as viol\u00eancias psicol\u00f3gica e patrimonial ganharam nome; a prote\u00e7\u00e3o urgente tornou-se direito; e diferentes mulheres passaram a ser reconhecidas pelo sistema jur\u00eddico. Esse patrim\u00f4nio merece celebra\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, cada feminic\u00eddio recorda a dist\u00e2ncia entre norma e vida.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O compromisso dos direitos humanos \u00e9 reduzir essa dist\u00e2ncia. Isso exige lei, jurisprud\u00eancia, or\u00e7amento, educa\u00e7\u00e3o, dados confi\u00e1veis, trabalho em rede e mudan\u00e7a cultural. Sobretudo, exige escutar quem pede socorro sem dispensar a apura\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel, agir antes da escalada e compreender que nenhuma tradi\u00e7\u00e3o, afeto ou v\u00ednculo familiar autoriza o dom\u00ednio sobre outra pessoa.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O lil\u00e1s de agosto s\u00f3 cumprir\u00e1 sua promessa quando se converter, durante todo o ano, em liberdade para viver sem medo.<\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> e <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> e .<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> e  e <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> e <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> e <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> e <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> e <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\">[15]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref16\" id=\"_ftn16\">[16]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref17\" id=\"_ftn17\">[17]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref18\" id=\"_ftn18\">[18]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref19\" id=\"_ftn19\">[19]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref20\" id=\"_ftn20\">[20]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref21\" id=\"_ftn21\">[21]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref22\" id=\"_ftn22\">[22]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref23\" id=\"_ftn23\">[23]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref24\" id=\"_ftn24\">[24]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref25\" id=\"_ftn25\">[25]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref26\" id=\"_ftn26\">[26]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref27\" id=\"_ftn27\">[27]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref28\" id=\"_ftn28\">[28]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref29\" id=\"_ftn29\">[29]<\/a> e <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref30\" id=\"_ftn30\">[30]<\/a> e <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref31\" id=\"_ftn31\">[31]<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref32\" id=\"_ftn32\">[32]<\/a> e <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref33\" id=\"_ftn33\">[33]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref34\" id=\"_ftn34\">[34]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref35\" id=\"_ftn35\">[35]<\/a><\/p>\n<div data-ad-id=\"464195\" style=\"text-align:left; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-464195  \">\n<p>&#13;<br \/>\nAs opini\u00f5es expressas neste artigo s\u00e3o de exclusiva responsabilidade do autor e n\u00e3o refletem, necessariamente, a posi\u00e7\u00e3o\u00a0do\u00a0jornal.&#13;\n<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div data-ad-id=\"353515\" style=\"text-align:left; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-353515  \">\n<div class=\"grupowhats\" style=\"margin: 10px 0;\">Receba not\u00edcias no WhatsApp e e-mail<br \/>\n<br \/>\n<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/Gf8Gpqw6IIV7NqiLOHpccY?s=sw&amp;p=a&amp;ilr=4\" target=\"blank\" class=\"tdm-inline-image-wrap\" rel=\"noopener\"><\/a><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodorio.com\/agosto-lilas-vinte-anos-de-uma-lei-que-transformou-silencio-em-direito\/\">D\u00edario Regional RJ <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Patrulha Maria da Penha ganhar\u00e1 picapes para opera\u00e7\u00f5es em \u00e1reas de dif\u00edcil acesso \/ Reprodu\u00e7\u00e3o Rafael Iorio Agosto Lil\u00e1s: mem\u00f3ria, alerta e compromisso \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em agosto, o lil\u00e1s ocupa pr\u00e9dios p\u00fablicos, campanhas e redes sociais. A cor, por\u00e9m, n\u00e3o pode funcionar como ornamento passageiro. O Agosto Lil\u00e1s \u00e9 um convite para reconhecer a viol\u00eancia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":36635,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-36634","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/36634","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=36634"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/36634\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/36635"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=36634"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=36634"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=36634"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}