{"id":37075,"date":"2026-08-16T00:12:47","date_gmt":"2026-08-16T03:12:47","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=37075"},"modified":"2026-08-16T00:12:47","modified_gmt":"2026-08-16T03:12:47","slug":"o-camiseiro-a-loja-que-tomou-a-rua-da-assembleia-com-palmas-pregoes-e-loucuras-de-maio-e-fez-drummond-lamentar-seu-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=37075","title":{"rendered":"O Camiseiro: a loja que tomou a Rua da Assembleia com palmas, preg\u00f5es e Loucuras de Maio \u2014 e fez Drummond lamentar seu fim"},"content":{"rendered":"<p><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodorio.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/IMG_2443.jpeg\" \/><\/p>\n<div>\n            <!-- image --><\/p>\n<div class=\"td-post-featured-image\">\n<figure><figcaption class=\"wp-caption-text\">Rua da Assembleia em imagem hist\u00f3rica: foi nesse trecho do Centro que O Camiseiro cresceu de uma \u00fanica porta at\u00e9 ocupar uma sequ\u00eancia de im\u00f3veis, transformando a rua em palco de suas c\u00e9lebres promo\u00e7\u00f5es \/ Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o da internet<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>            <!-- content --><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em mar\u00e7o de 1964, uma das lojas mais conhecidas do Centro do Rio estava de portas fechadas. N\u00e3o era apenas mais um estabelecimento que desaparecia diante das transforma\u00e7\u00f5es do com\u00e9rcio carioca. O fim de O Camiseiro foi suficientemente marcante para levar <strong>Carlos Drummond de Andrade<\/strong> a escrever, no <em>Correio da Manh\u00e3<\/em>, a cr\u00f4nica \u201cA loja fechou\u201d, uma esp\u00e9cie de elegia a uma casa comercial que havia se misturado durante d\u00e9cadas \u00e0 pr\u00f3pria vida da cidade.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Drummond come\u00e7ou pedindo \u00e0 musa da cr\u00f4nica uma \u201cn\u00eania\u201d pela morte de O Camiseiro \u2014 uma can\u00e7\u00e3o f\u00fanebre para uma loja. Recordou as c\u00e9lebres \u201cLoucuras de Maio\u201d e associou o desaparecimento da casa \u00e0 perda de outros peda\u00e7os do velho Rio. Poucas semanas depois, o cronista <strong>Jota Efeg\u00ea<\/strong> tamb\u00e9m trataria do fechamento e apontaria a raz\u00e3o de maneira menos po\u00e9tica: a empresa havia sucumbido financeiramente.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em linguagem mais simples, era o fim de um grande imp\u00e9rio do varejo: O Camiseiro quebrou.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era um final surpreendente para uma organiza\u00e7\u00e3o que, apenas uma d\u00e9cada antes, parecia estar no auge. A empresa constru\u00eda edif\u00edcios, transformava empregados em acionistas, ocupava uma sucess\u00e3o de im\u00f3veis na Rua da Assembleia e tinha capital de milh\u00f5es de cruzeiros. Para entender como O Camiseiro chegou a esse tamanho \u00e9 preciso voltar a 1919 e a um portugu\u00eas que come\u00e7ara a vida no Rio atr\u00e1s de balc\u00f5es.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Screenshot<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>De caixeiro a dono de uma das maiores casas do Centro<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Agostinho Pereira de Souza<\/strong> nasceu no Porto, em Portugal, em 28 de novembro de 1889, e chegou ao Rio ainda menino, aos 12 anos. Trabalhou em diversas casas conhecidas do com\u00e9rcio carioca, entre elas alfaiatarias e camisarias, aprendendo por dentro um setor que naquele in\u00edcio do s\u00e9culo XX se concentrava especialmente nas ruas do Ouvidor, do Carmo, da Quitanda, Sete de Setembro e Assembleia. Grande benfeitor, doou para hospitais, educand\u00e1rios e obras sociais. <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <strong>1\u00ba de maio de 1919<\/strong>, abriu O Camiseiro. Fontes posteriores \u00e0s vezes mencionam 1917, mas os registros publicados durante a vida de Agostinho, inclusive as comemora\u00e7\u00f5es de anivers\u00e1rio da pr\u00f3pria casa, apontam para 1919. Em abril de 1932, ao noticiar o 13\u00ba anivers\u00e1rio da empresa, o <em>Di\u00e1rio Carioca<\/em> descrevia O Camiseiro como uma das casas mais populares e prestigiosas da capital e confirmava que as \u201cLoucuras de Maio\u201d eram a grande venda de anivers\u00e1rio. (<a href=\"https:\/\/hemeroteca-pdf.bn.gov.br\/093092\/per093092_1932_01146.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hemeroteca Digital<\/a>)<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O neg\u00f3cio come\u00e7ara modestamente, com capital de 10 contos de r\u00e9is e uma \u00fanica porta na Rua da Assembleia. N\u00e3o demoraria a permanecer pequeno.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1925, documentos comerciais da pr\u00f3pria firma j\u00e1 registravam O Camiseiro nos n\u00fameros <strong>28 e 30 da Rua da Assembleia<\/strong>. Poucos anos depois eram 28, 30 e 32. Vieram ent\u00e3o o 34, o 36 e o 38. Na d\u00e9cada de 1950, os an\u00fancios informavam simplesmente: <strong>Rua da Assembleia, 28 a 38<\/strong>.  Sua presen\u00e7a no local atraiu tamb\u00e9m outros neg\u00f3cios semelhantes, como o Imp\u00e9rio das Camisas e outros, que fizeram da Assembl\u00e9ia naquela \u00e9poca uma rua \u201ct\u00eaxtil\u201d. <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A loja cresceu literalmente derrubando paredes.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma de suas propagandas brincava com isso: <em>\u201cJ\u00e1 furamos a parede!\u201d<\/em> Conforme o neg\u00f3cio prosperava, Agostinho incorporava o im\u00f3vel ao lado e aumentava o sal\u00e3o de vendas. O processo acabou transformando um pequeno estabelecimento em uma extensa frente comercial no cora\u00e7\u00e3o do Centro.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parte dessa hist\u00f3ria permanece escrita nos pr\u00f3prios edif\u00edcios da rua. Nos n\u00fameros 36 e 38 ainda est\u00e3o os edif\u00edcios <strong>Agostinho I<\/strong> e <strong>Agostinho II<\/strong>, testemunhos do momento em que o comerciante deixou de ser apenas lojista e passou tamb\u00e9m a investir pesadamente em im\u00f3veis. Em 1954, uma reportagem sobre a empresa registrava que Agostinho estava construindo na Rua da Assembleia um pr\u00e9dio de 12 pavimentos, do qual v\u00e1rios andares seriam usados pela pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O homem que come\u00e7ara com uma porta havia conquistado a rua horizontalmente e agora subia por ela em altura.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a Assembleia n\u00e3o foi o \u00fanico endere\u00e7o de seus neg\u00f3cios. Em 1925, a firma de Agostinho j\u00e1 controlava tamb\u00e9m <strong>As Cem Mil Camisas<\/strong>, na <strong>Rua Sete de Setembro, 29<\/strong>. Poucos anos depois, documentos comerciais mostram uma terceira casa, a <strong>Camisaria do Ouvidor<\/strong>, instalada na <strong>Rua do Carmo, 56<\/strong>, praticamente junto \u00e0 Rua do Ouvidor.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era, portanto, uma pequena rede de varejo com marcas distintas no Centro.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 ainda uma mem\u00f3ria posterior que situa O Camiseiro na pr\u00f3pria Rua Sete de Setembro durante os anos 1940, o que pode indicar que As 100 Mil Camisas acabou absorvida pela marca principal. Os an\u00fancios encontrados at\u00e9 agora, por\u00e9m, n\u00e3o permitem afirmar com seguran\u00e7a quando ou mesmo se essa mudan\u00e7a formal de nome ocorreu.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Palmas, gritos e Loucuras de Maio na cal\u00e7ada<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agostinho compreendeu cedo uma coisa que comerciantes de outras gera\u00e7\u00f5es levariam d\u00e9cadas para aprender: vender n\u00e3o dependia apenas da mercadoria. <strong>Era preciso fazer o pedestre parar diante da loja.<\/strong> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E O Camiseiro fazia isso de uma maneira que hoje parece quase inacredit\u00e1vel. Foi pioneiro.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D\u00e9cadas depois, <strong>Carlos Heitor Cony<\/strong> ainda guardava uma lembran\u00e7a muito n\u00edtida da Rua da Assembleia. O Camiseiro e seu concorrente O Cruzeiro disputavam a mesma cal\u00e7ada e, segundo o escritor, juntos apresentavam <strong>12 portas voltadas para a rua<\/strong>. As liquida\u00e7\u00f5es das duas casas coincidiam com seus anivers\u00e1rios e ganharam nomes que ficaram famosos: de um lado, as \u201cLoucuras de Maio\u201d; do outro, os \u201cEsc\u00e2ndalos de Abril\u201d. O pr\u00f3prio Cony j\u00e1 n\u00e3o conseguia lembrar qual campanha pertencia a qual concorrente, t\u00e3o associadas as duas haviam ficado em sua mem\u00f3ria. (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/opiniao\/fz15099805.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Folha de S.Paulo<\/a>)<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a propaganda n\u00e3o terminava nos jornais, nos cartazes ou nas vitrines. <strong>Homens eram colocados na cal\u00e7ada para chamar os fregueses.<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eles batiam palmas diante das portas para chamar a aten\u00e7\u00e3o de quem passava pela Assembleia e, entre uma palma e outra, berravam os preg\u00f5es de venda. Cony recordou um deles: <em>\u201cAproveitem que vai acabar!\u201d<\/em> Outros apelos pressionavam o transeunte a n\u00e3o deixar a compra para o dia seguinte. N\u00e3o era um vendedor esperando educadamente atr\u00e1s do balc\u00e3o. Era uma convoca\u00e7\u00e3o p\u00fablica ao consumo, feita no meio da rua. <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cony guardou at\u00e9 o rosto de um daqueles homens. Chamava-se <strong>Moacyr<\/strong>, filho de um vizinho seu. Certa tarde, o futuro escritor passou pela Assembleia e encontrou o conhecido no meio da cal\u00e7ada, batendo palmas e conclamando os passantes a aproveitar a liquida\u00e7\u00e3o. A lembran\u00e7a ficou com Cony por tantas d\u00e9cadas que, em 1998, ele a transformou em cr\u00f4nica na <em>Folha de S.Paulo<\/em>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cena ajuda a reconstruir uma Rua da Assembleia completamente diferente da atual. Em \u00e9poca de liquida\u00e7\u00e3o, as portas das grandes camisarias avan\u00e7avam simbolicamente sobre a cal\u00e7ada: homens batiam palmas, os preg\u00f5es se cruzavam, cartazes anunciavam pre\u00e7os e duas casas rivais disputavam n\u00e3o apenas o bolso, mas a aten\u00e7\u00e3o f\u00edsica de quem caminhava pelo Centro. <strong>A cal\u00e7ada fazia parte da loja.<\/strong> Nada mais carioca! <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E as \u201cLoucuras de Maio\u201d n\u00e3o foram uma lembran\u00e7a inventada posteriormente. Em 29 de abril de 1932, o <em>Di\u00e1rio Carioca<\/em> anunciava o 13\u00ba anivers\u00e1rio de O Camiseiro e explicava que esse era o nome dado pela casa \u00e0 sua grande venda de maio. O jornal dizia ainda que Agostinho &amp; Cia. distribu\u00eda aos clientes um cat\u00e1logo especialmente preparado para divulgar as vantagens e os pre\u00e7os da campanha. (<a href=\"https:\/\/hemeroteca-pdf.bn.gov.br\/093092\/per093092_1932_01146.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hemeroteca Digital<\/a>)<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A criatividade publicit\u00e1ria aparecia tamb\u00e9m nos slogans. Entre as frases associadas \u00e0 casa estavam <em>\u201cPequenos lucros, grandes vendas\u201d<\/em> e <em>\u201cVender camisas \u00e9 uma ci\u00eancia\u201d<\/em>. Em 1939, a empresa chegou a levar \u00e0 Justi\u00e7a uma disputa com a vizinha <strong>Camisaria 36<\/strong>, acusada de imitar recursos de publicidade e apresenta\u00e7\u00e3o utilizados por O Camiseiro.  A reclama\u00e7\u00e3o n\u00e3o prosperou, mas o epis\u00f3dio mostra a import\u00e2ncia que Agostinho dava \u00e0 identidade comercial da casa. Sem falar que depois Agostinho comprou a loja vizinha! <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar do nome, nos anos 1950 O Camiseiro j\u00e1 era muito mais do que uma camisaria.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">An\u00fancios da \u00e9poca ofereciam artigos de cama e mesa, malhas, perfumaria, cristais, artigos esportivos, produtos infantis e at\u00e9 artigos el\u00e9tricos. A casa trabalhava ainda com vendas a cr\u00e9dito. O antigo com\u00e9rcio especializado havia se aproximado do modelo das grandes lojas de departamentos que dominariam o varejo carioca no p\u00f3s-guerra.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse crescimento fez de O Camiseiro uma das empresas de primeira linha do com\u00e9rcio do Rio. Em 7 de novembro de 1955, poucas semanas depois da morte de Agostinho, a <strong>Agostinho S.A. \u2014 O Camiseiro<\/strong> esteve entre as onze empresas fundadoras do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro, ao lado de nomes como Mesbla, Ponto Frio, Exposi\u00e7\u00e3o Modas, Casa Neno e Barbosa Freitas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Empregados que viravam s\u00f3cios<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma particularidade da organiza\u00e7\u00e3o de Agostinho ajuda a explicar tanto o sucesso quanto a complexidade da empresa depois de sua morte.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde os anos 1920, empregados de confian\u00e7a come\u00e7aram a receber participa\u00e7\u00e3o nos neg\u00f3cios. Em 1925, <strong>Benedicto Orlando Costa<\/strong> e <strong>Cezario Araripe<\/strong>, antigos auxiliares da casa, foram admitidos como s\u00f3cios de ind\u00fastria. Em 1928, <strong>Raymundo Grillo<\/strong>, guarda-livros da casa, e <strong>Raymundo Troia<\/strong>, ligado \u00e0 se\u00e7\u00e3o de malhas, tamb\u00e9m receberam interesse na firma. Outros funcion\u00e1rios aparecem nos documentos como participantes do empreendimento.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Benedicto Orlando Costa tornou-se figura particularmente importante. Em 1930, quando O Camiseiro comemorava 11 anos, uma reportagem o apresentava como gerente e um dos homens respons\u00e1veis pelo crescimento da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O modelo chegou ao ponto m\u00e1ximo em 1954. Naquele ano, a antiga Agostinho &amp; Cia. foi transformada em <strong>Agostinho S.A.<\/strong>, com capital de <strong>Cr$ 10 milh\u00f5es<\/strong>. Uma reportagem publicada na ocasi\u00e3o fazia quest\u00e3o de observar que n\u00e3o havia entrado capital externo na sociedade. Os demais acionistas, al\u00e9m do fundador, eram homens que tinham sido formados dentro da pr\u00f3pria casa.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A empresa de Agostinho era, portanto, muito diferente de uma organiza\u00e7\u00e3o familiar em que apenas filhos e parentes aguardavam a sucess\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando Agostinho morreu, em <strong>12 de outubro de 1955<\/strong>, deixou uma estrutura empresarial formada tamb\u00e9m por antigos empregados que haviam passado a interessados, s\u00f3cios e acionistas. Sua mulher, <strong>Deolinda Veloso de Souza Agostinho<\/strong>, havia morrido exatamente um ano antes, em 12 de outubro de 1954. Agostinho nunca se recuperou da morte da companheira, e se foi com menos de 70 anos de idade. <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agostinho construiu ainda uma trajet\u00f3ria importante fora do com\u00e9rcio. Ligado ao movimento esp\u00edrita, participou de institui\u00e7\u00f5es assistenciais e esteve relacionado \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de obras de sa\u00fade e benefic\u00eancia, entre elas a constru\u00e7\u00e3o do Hospital Esp\u00edrita Pedro de Alc\u00e2ntara, no Rio Comprido.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Santa Teresa, a mem\u00f3ria de antigos conhecidos do comerciante aponta para um casar\u00e3o na <strong>Rua Almirante Alexandrino, 986<\/strong>, al\u00e9m de outra resid\u00eancia na antiga Rua do Aqueduto. O casar\u00e3o da Almirante Alexandrino ainda existe, mas at\u00e9 agora n\u00e3o foi localizado documento de \u00e9poca que permita associar definitivamente o n\u00famero 986 ao empres\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cautela n\u00e3o diminui a dimens\u00e3o de sua fortuna. Os pr\u00e9dios deixados na Assembleia s\u00e3o uma prova muito mais vis\u00edvel dela.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nove anos depois, O Camiseiro quebrou<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A morte do fundador n\u00e3o produziu uma queda imediata.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1956, O Camiseiro continuava enorme. Ocupava os n\u00fameros 28 a 38 da Assembleia, anunciava v\u00e1rios departamentos e vendia a cr\u00e9dito. A companhia estava entre os fundadores do principal organismo do com\u00e9rcio lojista carioca e ainda carregava o patrim\u00f4nio constru\u00eddo durante d\u00e9cadas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguma coisa, por\u00e9m, mudou nos anos seguintes.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ficha hist\u00f3rica da <strong>Agostinho S.A. \u2014 O Camiseiro<\/strong> na Junta Comercial registra como \u00faltimo arquivamento conhecido a data de <strong>26 de julho de 1963<\/strong>. O documento em si ainda n\u00e3o foi localizado em inteiro teor, e por isso n\u00e3o se sabe se naquele ato houve mudan\u00e7a de diretoria, altera\u00e7\u00e3o de capital, transfer\u00eancia de a\u00e7\u00f5es ou alguma tentativa de reorganiza\u00e7\u00e3o da companhia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dado ganha import\u00e2ncia porque apenas oito meses depois a loja j\u00e1 estava fechada.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <strong>25 de mar\u00e7o de 1964<\/strong>, Drummond publicou \u201cA loja fechou\u201d. Em abril, Jota Efeg\u00ea referiu-se ao desaparecimento da casa e atribuiu-o aos problemas financeiros da empresa.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O Camiseiro quebrara.<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contempor\u00e2neos registraram que a casa n\u00e3o conseguira sobreviver financeiramente, e a rapidez com que uma empresa ainda t\u00e3o conhecida \u00e9 mesmo querida desapareceu impressionou a cidade. <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A companhia fizera uma grande expans\u00e3o patrimonial durante os anos 1950, constru\u00edra im\u00f3veis, ampliara sua sede, transformara-se em sociedade an\u00f4nima e trabalhava com vendas a cr\u00e9dito. Depois perdera o homem que comandara o neg\u00f3cio desde 1919. Ao mesmo tempo, o varejo carioca mudava rapidamente e o Brasil atravessava, no in\u00edcio dos anos 1960, um per\u00edodo de forte infla\u00e7\u00e3o e crescente instabilidade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o h\u00e1, entretanto, documento conhecido que permita apontar um \u00fanico desses fatores como respons\u00e1vel pela quebra. O que se sabe \u00e9 o resultado.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fim de O Camiseiro foi t\u00e3o marcante que transformou o fechamento de uma loja em assunto liter\u00e1rio. Drummond percebeu que n\u00e3o desaparecia apenas um com\u00e9rcio. Ia embora um peda\u00e7o da experi\u00eancia cotidiana de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de cariocas, assim como haviam desaparecido caf\u00e9s, cinemas, bondes e outras refer\u00eancias de uma cidade que passava a vida reconstruindo a pr\u00f3pria paisagem.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agostinho n\u00e3o viveu para assistir \u00e0 quebra. Morreu nove anos antes, quando sua cria\u00e7\u00e3o ainda fazia parte da elite do com\u00e9rcio do Rio.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A empresa desapareceu, as Loucuras de Maio viraram lembran\u00e7a e as vitrines foram substitu\u00eddas. Mas quem passa pela Rua da Assembleia ainda encontra os edif\u00edcios <strong>Agostinho I e Agostinho II<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quase ningu\u00e9m que olha para seus nomes hoje sabe que eles pertencem ao portugu\u00eas que come\u00e7ou com uma \u00fanica porta, abriu outras casas pelo Centro, fez empregados virarem s\u00f3cios e construiu um dos mais populares imp\u00e9rios comerciais do Rio da primeira metade do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<div data-ad-id=\"353515\" style=\"text-align:left; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-353515  \">\n<div class=\"grupowhats\" style=\"margin: 10px 0;\">Receba not\u00edcias no WhatsApp e e-mail<br \/>\n<br \/>\n<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/Gf8Gpqw6IIV7NqiLOHpccY?s=sw&amp;p=a&amp;ilr=4\" target=\"blank\" class=\"tdm-inline-image-wrap\" rel=\"noopener\"><\/a><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-ad-id=\"320841\" style=\"text-align:center; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-320841  \">\n<p>\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/igrejalapadosmercadores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><\/a>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodorio.com\/o-camiseiro-a-loja-que-tomou-a-rua-da-assembleia-com-palmas-pregoes-e-loucuras-de-maio-e-fez-drummond-lamentar-seu-fim\/\">D\u00edario Regional RJ <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rua da Assembleia em imagem hist\u00f3rica: foi nesse trecho do Centro que O Camiseiro cresceu de uma \u00fanica porta at\u00e9 ocupar uma sequ\u00eancia de im\u00f3veis, transformando a rua em palco de suas c\u00e9lebres promo\u00e7\u00f5es \/ Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o da internet Em mar\u00e7o de 1964, uma das lojas mais conhecidas do Centro do Rio estava de portas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37076,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-37075","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/37075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=37075"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/37075\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/37076"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=37075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=37075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=37075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}