{"id":37116,"date":"2026-08-16T14:45:51","date_gmt":"2026-08-16T17:45:51","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=37116"},"modified":"2026-08-16T14:45:51","modified_gmt":"2026-08-16T17:45:51","slug":"camisaria-progresso-a-loja-da-praca-tiradentes-que-vestiu-o-rio-pegou-fogo-no-reveillon-e-renasceu-em-11-meses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/?p=37116","title":{"rendered":"Camisaria Progresso: a loja da Pra\u00e7a Tiradentes que vestiu o Rio, pegou fogo no R\u00e9veillon e renasceu em 11 meses"},"content":{"rendered":"<p><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodorio.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/IMG_2521.jpeg\" \/><\/p>\n<div>\n            <!-- image --><\/p>\n<div class=\"td-post-featured-image\">\n<figure><figcaption class=\"wp-caption-text\">Fachada da Matriz da Progresso na esquina da rua Carioca com a Pra\u00e7a Tiradentes, antes do inc\u00eandio de 1957 <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>            <!-- content --><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante boa parte do s\u00e9culo XX, bastava dizer <strong>Camisaria Progresso<\/strong> para que um carioca soubesse onde procurar camisas, pijamas, gravatas, roupas de cama, tecidos, artigos femininos, infantis e uma quantidade cada vez maior de mercadorias. N\u00f3s bonitos sobrados de esquina da Pra\u00e7a Tiradentes com a Rua da Carioca \u2013 hoje um horroroso pr\u00e9dio que parece uma Fortaleza de concreto com lojas embaixo, seu enorme nome acompanhou bondes, autom\u00f3veis, teatros, caf\u00e9s e gera\u00e7\u00f5es de fregueses. A palavra \u201ccamisaria\u201d, mantida por tradi\u00e7\u00e3o, acabaria se tornando pequena para uma empresa que teve f\u00e1brica pr\u00f3pria, diferentes estabelecimentos, filial em Copacabana e at\u00e9 um departamento dedicado a lou\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua hist\u00f3ria atravessou mais de sete d\u00e9cadas de profundas transforma\u00e7\u00f5es no com\u00e9rcio do Rio. Quando <strong>Agostinho Pereira<\/strong> abriu O Camiseiro, em 1919, a Progresso j\u00e1 tinha 21 anos. Quando <strong>Daniel Villela Monteiro<\/strong> come\u00e7ava a crescer no mesmo ramo, a casa da Pra\u00e7a Tiradentes j\u00e1 era uma institui\u00e7\u00e3o. Quando o <strong>Parc Royal <\/strong>desapareceu depois de seu devastador inc\u00eandio, em 1943, a Progresso continuou vendendo. E quando chegou a vez de suas pr\u00f3prias instala\u00e7\u00f5es serem consumidas pelo fogo, na \u00faltima noite de 1957, a empresa fez algo ainda mais impressionante: reconstruiu a matriz e voltou a funcionar no mesmo ponto apenas 11 meses depois.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-di-rio-do-rio-de-janeiro wp-block-embed-di-rio-do-rio-de-janeiro\"\/>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa feita pelo <strong>DI\u00c1RIO DO RIO<\/strong> em jornais e revistas preservados pela Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, almanaques comerciais e trabalhos universit\u00e1rios revela uma empresa muito mais complexa e curiosa do que a lembran\u00e7a de uma antiga camisaria. A Progresso participou da cria\u00e7\u00e3o de uma maneira tipicamente carioca de vender: transformando o com\u00e9rcio tamb\u00e9m em espet\u00e1culo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Antes da Progresso, Augusto Brand\u00e3o j\u00e1 vendia camisas no Rio<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A data celebrada pela pr\u00f3pria empresa era <strong>1\u00ba de julho de 1898<\/strong>, quando <strong>Augusto de Castro Lopes Brand\u00e3o<\/strong> fundou a Camisaria Progresso. O comerciante portugu\u00eas, entretanto, j\u00e1 aparece alguns anos antes no ramo de camisas da Rua da Carioca. O <em>Almanak Laemmert<\/em> registra Castro Lopes Brand\u00e3o em atividade pelo menos desde 1895, permitindo perceber que a cria\u00e7\u00e3o da Progresso foi mais um passo na carreira de algu\u00e9m que j\u00e1 conhecia bem o com\u00e9rcio carioca.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos primeiros anos do s\u00e9culo XX, o mesmo nome aparece associado tamb\u00e9m a estabelecimentos como a Camisaria Brazileira e a Camisaria Popular. Em dezembro de 1905, a Progresso anunciou a conclus\u00e3o de importantes obras no estabelecimento da <strong>Pra\u00e7a Tiradentes 2, esquina da Rua da Carioca<\/strong>, comunicando que reuniria ali mercadorias at\u00e9 ent\u00e3o espalhadas por suas casas filiais. Aos poucos, o endere\u00e7o se consolidaria como um dos pontos comerciais mais conhecidos daquela regi\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A empresa j\u00e1 demonstrava naquela \u00e9poca uma concep\u00e7\u00e3o bastante moderna de varejo. An\u00fancios ofereciam pre\u00e7os fixos e prometiam troca da mercadoria ou devolu\u00e7\u00e3o do dinheiro quando o cliente n\u00e3o ficasse satisfeito. Em 1911, ocupando os n\u00fameros <strong>2 e 4 da Pra\u00e7a Tiradentes<\/strong>, a casa anunciava importa\u00e7\u00e3o direta, oficinas pr\u00f3prias e produ\u00e7\u00e3o de roupas brancas para homens, senhoras e crian\u00e7as. Seu telefone era o 1880.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Progresso tamb\u00e9m publicava cat\u00e1logos. Um exemplar de 1908 atravessou o s\u00e9culo e hoje integra o acervo da National Library of Australia, evid\u00eancia da dimens\u00e3o alcan\u00e7ada rapidamente pelo estabelecimento carioca.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Augusto Brand\u00e3o, ali\u00e1s, era um personagem que n\u00e3o cabe apenas atr\u00e1s de um balc\u00e3o. Natural de <strong>Cucuj\u00e3es, em Oliveira de Azem\u00e9is<\/strong>, manteve fortes v\u00ednculos com Portugal. Em 1917, participou da constru\u00e7\u00e3o de uma escola masculina em sua terra natal, batizada significativamente de <strong>Escola Progresso<\/strong>. Seu nome acabaria tamb\u00e9m perpetuado na topon\u00edmia local.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Rio, foi comerciante e industrial, mas aparece ainda na imprensa como homem interessado em literatura e artes, referido como poeta, jornalista e autor teatral. Seu filho <strong>Augusto Brand\u00e3o Filho<\/strong> seguiu carreira musical e estudou violino no Conservat\u00f3rio de Bruxelas. O fundador morreu em 26 de outubro de 1948, em Couto de Cucuj\u00e3es, em Portugal, depois de ver o pequeno neg\u00f3cio transformado numa das casas comerciais tradicionais da ent\u00e3o capital brasileira.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A organiza\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria tamb\u00e9m cresceu. Em 1924, a antiga Castro Lopes &amp; Brand\u00e3o foi reorganizada. <strong>Francisco Dias Lopes Brand\u00e3o<\/strong> retirou-se da firma, enquanto Augusto permaneceu no neg\u00f3cio ao lado de <strong>Jos\u00e9 Maria Lopes da Costa<\/strong> e <strong>Carlos Darbelly Brand\u00e3o<\/strong>. <strong>Henriqueta Ida Brand\u00e3o<\/strong> aparecia como s\u00f3cia de ind\u00fastria. Carlos Brand\u00e3o se tornaria, nas d\u00e9cadas seguintes, um dos principais rostos p\u00fablicos da empresa.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o acompanhou a expans\u00e3o. Em 1929, an\u00fancios j\u00e1 destacavam formalmente a <strong>F\u00e1brica Progresso<\/strong>, instalada na Rua do Senado 189. A velha camisaria produzia e comercializava camisas, pijamas, roupa \u00edntima, chap\u00e9us, gabardines, tecidos, artigos femininos, roupas de cama e muitos outros produtos.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Screenshot<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos anos 1940, a estrutura j\u00e1 podia ser considerada um pequeno grupo comercial. Al\u00e9m da matriz, os Brand\u00e3o controlavam <strong>A Cristaleira<\/strong>, na regi\u00e3o da Pra\u00e7a Tiradentes; a <strong>Alfaiataria Guanabara<\/strong>, na Rua da Carioca 54; <strong>A Progresso de Copacabana<\/strong>, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana 1350; e a pr\u00f3pria f\u00e1brica da Rua do Senado. A Cristaleira chegou a ser anunciada como o departamento de lou\u00e7as da Camisaria Progresso. Depois do inc\u00eandio da matriz, apareceria ainda uma unidade na Rua Visconde de Piraj\u00e1 102, em Ipanema.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trajet\u00f3ria guarda certa semelhan\u00e7a com a expans\u00e3o que, em outra escala e por caminhos diferentes, seria feita por <strong>Daniel Villela Monteiro<\/strong>, que tamb\u00e9m partiu do vestu\u00e1rio e construiu uma estrutura combinando varejo, fabrica\u00e7\u00e3o e diferentes marcas. N\u00e3o h\u00e1, por\u00e9m, evid\u00eancia de sociedade ou neg\u00f3cio entre os dois grupos. Eles pertenciam ao mesmo extraordin\u00e1rio universo comercial que fez do Centro do Rio um dos maiores polos de consumo do pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Antes das Loucuras de Maio, a Progresso j\u00e1 colocava a loja na rua<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem leu no DI\u00c1RIO DO RIO a hist\u00f3ria de Agostinho Pereira e de <strong>O Camiseiro<\/strong> conhece a dimens\u00e3o quase teatral que o com\u00e9rcio carioca poderia assumir. Agostinho fazia barulho, colocava vendedores nas portas, promovia campanhas com nomes como \u201cLoucuras de Maio\u201d e transformava uma ida \u00e0 Rua da Assembleia numa experi\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Progresso participou da mesma tradi\u00e7\u00e3o \u2014 e muito cedo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <strong>1912<\/strong>, sete anos antes da funda\u00e7\u00e3o de O Camiseiro, a Camisaria Progresso organizou um verdadeiro <strong>pr\u00e9stito carnavalesco pelas ruas do Rio<\/strong>. N\u00e3o se tratava de uma met\u00e1fora publicit\u00e1ria. A loja levou \u00e0s ruas cavaleiros, m\u00fasicos, carros ornamentados, fantasias, flores, confetes e alegorias, divulgando antecipadamente at\u00e9 o itiner\u00e1rio do desfile.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As not\u00edcias da \u00e9poca descrevem uma longa composi\u00e7\u00e3o de landaus e carros decorados, concebidos para divertir o p\u00fablico e, evidentemente, colocar o nome da Progresso diante de milhares de cariocas. Uma das alegorias representava o Forte de S\u00e3o Marcelo e lan\u00e7ava flores e confetes. O sucesso foi tamanho que no Carnaval seguinte a imprensa ainda se referia ao pr\u00e9stito comercial promovido pela casa.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrat\u00e9gia demonstra que, muito antes do marketing contempor\u00e2neo, o varejo carioca j\u00e1 compreendia o valor de transformar uma marca em acontecimento urbano.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe, inclusive, uma liga\u00e7\u00e3o ainda mais intrigante com Agostinho Pereira. Biografias do fundador de O Camiseiro afirmam que, antes de abrir sua pr\u00f3pria casa em 1919, ele trabalhou em diversos estabelecimentos, tendo como \u00faltimo emprego uma <strong>\u201cCamisaria Brand\u00e3o\u201d<\/strong>. A Camisaria Progresso pertencia justamente a Castro Lopes Brand\u00e3o, e n\u00e3o foi localizada na pesquisa outra grande casa independente que explique de forma inequ\u00edvoca aquela refer\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hip\u00f3tese de que Agostinho tenha trabalhado na pr\u00f3pria Progresso \u00e9, portanto, bastante plaus\u00edvel, embora as fontes encontradas n\u00e3o permitam trat\u00e1-la como fato definitivamente comprovado. O que \u00e9 certo \u00e9 que, depois, Progresso e O Camiseiro passaram a disputar o mesmo p\u00fablico. Almanaques comerciais colocam as duas firmas na mesma categoria e, em 1940, uma mesma edi\u00e7\u00e3o do peri\u00f3dico <em>Beira-Mar<\/em> trazia uma grande promo\u00e7\u00e3o dos <strong>\u201c30 Dias da Feira\u201d da Camisaria Progresso<\/strong> e, algumas p\u00e1ginas depois, uma reportagem comemorando O Camiseiro e suas famosas Loucuras de Maio.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era a batalha pela aten\u00e7\u00e3o do carioca impressa dentro do mesmo jornal.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Progresso, curiosamente, nem sempre gostou da ideia de liquida\u00e7\u00e3o. Em determinados per\u00edodos, sua propaganda afirmava que a casa n\u00e3o precisava liquidar porque mantinha pre\u00e7os baixos o ano inteiro. Posteriormente, por\u00e9m, a empresa abra\u00e7ou com entusiasmo as grandes campanhas promocionais. Os <strong>30 Dias da Feira<\/strong> tornaram-se tradicionais e acabaram atravessando o jornal para chegar ao r\u00e1dio.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O publicit\u00e1rio e compositor <strong>Miguel Gustavo<\/strong>, que anos mais tarde escreveria <em>Pra Frente Brasil<\/em>, criou o jingle <strong>\u201cTrinta Dias de Feira da Camisaria Progresso\u201d<\/strong>, preservado no disco <em>Samba de Jingles<\/em>, de Britinho. Era a velha casa de 1898 aprendendo a falar a l\u00edngua da publicidade moderna.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m havia promo\u00e7\u00f5es fora das lojas. Em dezembro de 1936, durante uma festa no Vasco da Gama, a Progresso ofereceu pr\u00eamios para provas infantis e distribuiu <strong>5 mil avi\u00f5ezinhos de papel<\/strong> numa homenagem \u00e0 avia\u00e7\u00e3o nacional. Em outros momentos patrocinou concursos, eventos e programa\u00e7\u00e3o radiof\u00f4nica.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E o com\u00e9rcio carioca daquele tempo n\u00e3o vivia em compartimentos isolados. Em fevereiro de 1936, uma reportagem do <em>Di\u00e1rio de Not\u00edcias<\/em> sobre compras para o Carnaval colocou lado a lado <strong>Parc Royal, Camisaria Progresso e A Exposi\u00e7\u00e3o<\/strong>, entre as casas procuradas pelos consumidores. O carioca percorria aquele Centro comparando pre\u00e7os, tecidos, novidades e promo\u00e7\u00f5es d\u00e9cadas antes de o shopping center se tornar parte da paisagem urbana.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O inc\u00eandio na noite de Ano-Novo e uma reconstru\u00e7\u00e3o em tempo recorde<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maior trag\u00e9dia da hist\u00f3ria da Camisaria Progresso come\u00e7ou \u00e0s <strong>19h31 de 31 de dezembro de 1957<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto o Rio se preparava para a passagem do ano, a velha loja da Pra\u00e7a Tiradentes come\u00e7ou a arder. A coincid\u00eancia criou uma imagem quase cinematogr\u00e1fica registrada pela imprensa: uma parte da decora\u00e7\u00e3o ainda desejava <strong>Feliz Natal<\/strong>, enquanto outra saudava o <strong>Ano Novo<\/strong>. Em poucas horas, uma das mais conhecidas casas comerciais da cidade estava devastada.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\">\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"perfmatters-lazy-video\" data-provider=\"youtube\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2IJKrBammh8\" data-id=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2IJKrBammh8\" data-query=\"feature=oembed\" data-referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" onclick=\"perfmattersLazyLoadVideo(this);\">\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fogo mobilizou bombeiros, atingiu ou amea\u00e7ou im\u00f3veis vizinhos e reuniu uma multid\u00e3o na Pra\u00e7a Tiradentes. Houve bombeiros feridos e os jornais publicaram diferentes estimativas para os preju\u00edzos, ent\u00e3o avaliados em dezenas de milh\u00f5es de cruzeiros.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Carlos Brand\u00e3o<\/strong>, que j\u00e1 ocupava posi\u00e7\u00e3o central na condu\u00e7\u00e3o da empresa, enfrentou imediatamente outro problema: os empregados. Mais de duas centenas de trabalhadores dependiam da Progresso. Nos dias seguintes ao inc\u00eandio, Brand\u00e3o afirmou que n\u00e3o pretendia simplesmente dispens\u00e1-los e que buscaria redistribuir funcion\u00e1rios entre os demais estabelecimentos enquanto a matriz fosse recuperada.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 aqui que a hist\u00f3ria da Progresso se distancia radicalmente de outra casa que os leitores do DI\u00c1RIO DO RIO conhecem bem.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O gigantesco inc\u00eandio de 1943 marcou praticamente o fim do <strong>Parc Royal<\/strong>. A Camisaria Progresso, quatorze anos depois, recusou-se a ter o mesmo destino.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto a opera\u00e7\u00e3o era reorganizada em outros pontos do grupo, come\u00e7ou a reconstru\u00e7\u00e3o da matriz. <strong>Em apenas 11 meses, um novo edif\u00edcio estava pronto no mesmo local.<\/strong> A reinaugura\u00e7\u00e3o aconteceu em dezembro de 1958, com a presen\u00e7a de autoridades como <strong>Negr\u00e3o de Lima<\/strong>, que havia autorizado a reconstru\u00e7\u00e3o quando prefeito, e do ent\u00e3o prefeito <strong>S\u00e1 Freire Alvim<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A velha Progresso conseguira algo extraordin\u00e1rio: transformar um inc\u00eandio que poderia ter encerrado seis d\u00e9cadas de atividade numa reinaugura\u00e7\u00e3o antes mesmo do primeiro anivers\u00e1rio da trag\u00e9dia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O epis\u00f3dio teve ainda uma consequ\u00eancia improv\u00e1vel na hist\u00f3ria da televis\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos primeiros tempos da TV, <strong>Abelardo Barbosa, o Chacrinha<\/strong>, criou um programa infantil chamado <em>Rancho Alegre<\/em>. Levou o projeto a Carlos Brand\u00e3o, que aceitou colocar a Camisaria Progresso como patrocinadora. Uma reportagem da <em>Revista do R\u00e1dio<\/em>, publicada em 1959, registrou a sequ\u00eancia: depois do inc\u00eandio da loja, Chacrinha precisou procurar outro anunciante.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O patrocinador seguinte seria <strong>Casas da Banha<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, uma das in\u00fameras ramifica\u00e7\u00f5es daquele inc\u00eandio da Pra\u00e7a Tiradentes acabou alcan\u00e7ando a pr\u00f3pria trajet\u00f3ria de um personagem que se tornaria s\u00edmbolo da televis\u00e3o brasileira.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Depois de mais de 70 anos, a Progresso desapareceu \u2014 e deu lugar \u00e0 Sapasso<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O inc\u00eandio, portanto, n\u00e3o encerrou a empresa. A documenta\u00e7\u00e3o consultada pelo DI\u00c1RIO DO RIO ainda registra a <strong>Camisaria Progresso na Pra\u00e7a Tiradentes 2 e 4 em 1969<\/strong>, mais de sete d\u00e9cadas depois da funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 refer\u00eancias posteriores segundo as quais o controle da empresa teria passado para o comerciante <strong>Jos\u00e9 Tufick Sim\u00e3o<\/strong> e, mais tarde, para seus herdeiros. Tamb\u00e9m circulam vers\u00f5es envolvendo uma posterior passagem do ponto para outras redes. A pesquisa realizada at\u00e9 aqui n\u00e3o encontrou documenta\u00e7\u00e3o suficientemente segura para reconstruir toda essa sucess\u00e3o societ\u00e1ria, e n\u00e3o h\u00e1 necessidade de preencher artificialmente as lacunas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que se sabe \u00e9 que a Camisaria Progresso acabou desaparecendo do com\u00e9rcio carioca nos anos seguintes, e o antigo ponto da Pra\u00e7a Tiradentes seria ocupado por d\u00e9cadas  pela <strong>Sapataria Sapasso<\/strong>, loja ainda lembrada por quem frequentou aquele trecho do Centro nas d\u00e9cadas posteriores.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Encerrava-se assim uma das hist\u00f3rias mais longas do velho com\u00e9rcio carioca.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Progresso atravessou o Rio dos bondes, dos grandes teatros da Pra\u00e7a Tiradentes, das camisarias da Rua da Assembleia, das primeiras grandes liquida\u00e7\u00f5es, do r\u00e1dio, do credi\u00e1rio e da televis\u00e3o. Viu nascer concorrentes, viu desaparecer casas gigantescas, acompanhou o deslocamento de parte do com\u00e9rcio para Copacabana e Ipanema e sobreviveu at\u00e9 ao inc\u00eandio que poderia t\u00ea-la destru\u00eddo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu desaparecimento ajuda tamb\u00e9m a medir a transforma\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Centro. Hoje, para muita gente que atravessa a Pra\u00e7a Tiradentes, \u00e9 dif\u00edcil imaginar que naquele endere\u00e7o funcionou durante mais de 70 anos uma casa conhecida em praticamente todo o Rio \u2014 uma camisaria que fabricava suas pr\u00f3prias mercadorias, teve diferentes lojas, colocou carros aleg\u00f3ricos nas ruas no Carnaval, distribuiu milhares de avi\u00f5ezinhos, virou jingle, patrocinou Chacrinha e, depois de arder inteira na \u00faltima noite de um ano, voltou a abrir as portas antes que o seguinte terminasse.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A placa desapareceu. A <strong>Camisaria Progresso<\/strong>, por\u00e9m, pertence \u00e0quela gera\u00e7\u00e3o de estabelecimentos que fizeram do com\u00e9rcio carioca muito mais do que uma simples sucess\u00e3o de balc\u00f5es e vitrines: fizeram dele parte da mem\u00f3ria e da personalidade da cidade.<\/p>\n<div data-ad-id=\"353515\" style=\"text-align:left; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-353515  \">\n<div class=\"grupowhats\" style=\"margin: 10px 0;\">Receba not\u00edcias no WhatsApp e e-mail<br \/>\n<br \/>\n<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/Gf8Gpqw6IIV7NqiLOHpccY?s=sw&amp;p=a&amp;ilr=4\" target=\"blank\" class=\"tdm-inline-image-wrap\" rel=\"noopener\"><\/a><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-ad-id=\"320841\" style=\"text-align:center; margin-top:px; margin-bottom:px; margin-left:px; margin-right:px;float:none;\" class=\"afw afw_custom  afw_ad afwadid-320841  \">\n<p>\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/igrejalapadosmercadores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><\/a>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodorio.com\/camisaria-progresso-a-loja-da-praca-tiradentes-que-vestiu-o-rio-pegou-fogo-no-reveillon-e-renasceu-em-11-meses\/\">D\u00edario Regional RJ <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fachada da Matriz da Progresso na esquina da rua Carioca com a Pra\u00e7a Tiradentes, antes do inc\u00eandio de 1957 Durante boa parte do s\u00e9culo XX, bastava dizer Camisaria Progresso para que um carioca soubesse onde procurar camisas, pijamas, gravatas, roupas de cama, tecidos, artigos femininos, infantis e uma quantidade cada vez maior de mercadorias. N\u00f3s [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37117,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-37116","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/37116","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=37116"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/37116\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/37117"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=37116"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=37116"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionalrj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=37116"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}