
Com uma trajetória ligada aos palcos desde os tempos do Império, o Rio de Janeiro pretende transformar essa tradição em política cultural de escala internacional. A Prefeitura articula a criação do primeiro Festival Internacional de Teatro da cidade, previsto para 2027, como parte do esforço para recolocar o município no centro das grandes produções cênicas e consolidar a capital fluminense como referência mundial do setor.
A proposta foi anunciada durante o projeto Caminhos do Rio, realizado no auditório da Editora Globo, na Cidade Nova. Segundo o secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, a expectativa é que o festival aconteça já no próximo ano com organização da produtora Sarau Cultura Brasileira, comandada por Andréa Alves.
O movimento ocorre num momento em que a prefeitura também negocia o título de capital mundial do teatro em 2027. Caso a tratativa avance, a previsão é que o anúncio seja feito em setembro, durante a Semana de Arte do Rio.
A iniciativa resgata uma vocação histórica da cidade nas artes cênicas. Desde o século XVIII, o Rio se consolidou como um dos principais polos teatrais do país, reunindo salões de ópera, teatros de rua e grandes casas de espetáculo. Ao longo dos anos, mais de 300 edifícios e espaços voltados ao teatro integraram a paisagem cultural carioca.
Reabertura do Teatro Villa-Lobos
Durante o evento, Padilha afirmou que a cidade precisa ampliar sua infraestrutura cultural para acompanhar esse movimento de expansão. Nesse contexto, reiterou o interesse da prefeitura em reassumir o Teatro Villa-Lobos, em Copacabana, fechado desde o incêndio de 2011.
“Nosso plano é reconstruir o Teatro Villa-Lobos, transformando-o em um espaço com mil lugares. A gente precisa de um teatro de mil lugares na cidade, especificamente em Copacabana”, afirmou o secretário.
Segundo ele, o espaço teria perfil multiúso, apto a receber tanto espetáculos de artes cênicas quanto apresentações musicais e concertos. A prefeitura já encaminhou ao governo estadual um pedido formal de transferência do equipamento para o município. De acordo com Padilha, o ofício foi enviado pelo prefeito Eduardo Cavaliere e pelo secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, ao governador interino Ricardo Couto.
“O Villa-Lobos não é um terreno, é um teatro, ainda que precise ser reconstruído do zero“, completou.
O debate também abordou o impacto econômico da cultura na cidade. Segundo o subsecretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Marcel Balassiano, a indústria criativa representa atualmente 7,6% do PIB carioca.
Ao longo do encontro, representantes do setor cultural discutiram ainda mecanismos de financiamento, políticas públicas e incentivos fiscais para produções culturais. Entre as medidas anunciadas pela prefeitura estão editais em fluxo contínuo, com quatro ciclos de seleção por ano, além de um programa de residência artística em equipamentos culturais municipais.


















































