
A modelo e influenciadora digital Maynara Bittencourt denunciou ter sido vítima de racismo dentro de um elevador de um prédio localizado no Centro do Rio, na noite de sexta-feira (29/05). O caso foi registrado na Polícia Civil e será investigado pela 1ª DP (Praça Mauá).
Conhecida nas redes sociais como Nara, a influenciadora contou ao portal g1 que estava deixando o trabalho quando entrou em um elevador já ocupado por outras pessoas. Segundo ela, uma mulher se irritou com sua presença e passou a fazer ofensas racistas.
“Ela se incomodou porque o elevador já estava cheio quando eu entrei, e ela achou que eu estava esbarrando nela. Ela iniciou as ofensas me chamando de favelada, disse que eu estava fazendo ‘faveladice’ e logo após me chamou de macaca”, relata Maynara.
De acordo com a modelo, ao tentar registrar a situação com o celular, ela teria sido agredida pela suspeita, que danificou o aparelho para impedir a gravação.
A Guarda Municipal foi acionada e conduziu as duas envolvidas para a 4ª DP (Presidente Vargas). Nara afirma que permaneceu na unidade policial por cerca de nove horas até que a ocorrência fosse formalizada. Após o registro, a mulher foi liberada para responder ao caso em liberdade.
Ao recordar o episódio, a influenciadora descreveu o impacto emocional provocado pelas ofensas.
“É impossível descrever a dor que senti ao ser chamada de ‘favelada’ e ‘macaca’ por uma mulher branca, simplesmente porque entrei no mesmo elevador que ela. Naquele momento, não foi apenas um xingamento. Foi uma tentativa de me diminuir, de me desumanizar e de me fazer sentir que eu não pertencia aquele espaço”, reflete a vítima.
Além das agressões verbais, Nara afirma ter sofrido ferimentos durante a confusão.
“Levei arranhões e tive meu celular quebrado em uma tentativa clara de me calar e impedir que a verdade fosse mostrada. O que mais me marcou foi perceber que a agressora só recuou quando as pessoas que estavam ao redor começaram a se revoltar com o que ela tinha feito”, emenda.
Segundo a modelo, a suspeita ainda tentou deixar o local após o ocorrido. Ela também criticou as condições encontradas na delegacia, que, segundo relatou, agravaram o desgaste emocional provocado pela situação.
“Não havia banheiro, água ou sequer um lugar adequado para sentar. Eu estava cansada, machucada, humilhada e tentando entender como alguém pode ser alvo de tanto ódio simplesmente por existir”, lamenta.
A influenciadora afirma que espera que o caso contribua para ampliar o debate sobre o racismo.
“Eu penso nos meus pais, na educação que recebi e em todas as pessoas que lutam para viver com dignidade em uma sociedade que ainda insiste em reproduzir o racismo. Eu não quero que esse caso seja apenas mais um número ou mais uma notícia passageira. Quero que ele sirva para mostrar que o racismo continua acontecendo e que ele deixa marcas profundas”, conclui.
Procurada, a Polícia Civil informou que a ocorrência foi registrada na 4ª DP (Presidente Vargas) na madrugada de sábado (30/05) e encaminhada à 1ª DP (Praça Mauá), responsável pela continuidade das investigações.
Em nota, a corporação também contestou a alegação de demora no atendimento e informou que os procedimentos relacionados ao registro da ocorrência e aos depoimentos dos envolvidos duraram aproximadamente duas horas.
“A instituição ressalta que as delegacias atendem simultaneamente diversas ocorrências de diferentes naturezas e graus de complexidade. Os agentes realizam procedimentos técnicos indispensáveis para a correta formalização dos fatos e garantir o adequado acolhimento, além da correta prestação de serviço ao cidadão”, informou a Polícia Civil.
A corporação acrescentou ainda que disponibiliza canais para reclamações e denúncias por meio da Ouvidoria e da Corregedoria.


















































