
Os meses de abril e maio deste ano foram parecidos com uma série de terror para funcionários e pacientes da clínica da família Enfermeira Edna Valadão, localizada na comunidade de Acari, Zona Norte da cidade do Rio. Uma sequência de episódios de violência abalaram profundamente o cotidiano do local.
Há quase um mês, houve uma tentativa de invasão da comunidade pelo Comando Vermelho. Dois homens foram alvejados em frente à clínica. Eles foram colocados à força dentro do carro de um motorista da unidade de saúde, que era o responsável por levar as amostras de sangue da coleta do dia 04/05.
Desde então, a clínica vem enfrentando dificuldades com os fluxos de transporte de coleta de sangue, de arbovirores e teste do pezinho.
Segundo relatos apurados pela reportagem do DIÁRIO DO RIO, após essa tentativa de invasão, pessoas ligadas ao crime organizado começaram a exigir serviços específicos aos funcionários da clínica.
Em um dos casos, no mês de maio, uma agente de saúde foi abordada na porta da clínica da família Enfermeira Edna Valadão por um homem armado que impôs que ela agilizasse o tratamento de uma pessoa.
Numa situação que ocorreu no dia 25 maio, uma médica foi agredida por um paciente que não concordou com a receita dada pela profissional.
Em mais de uma ocasião, homens armados entraram na unidade de saúde ou para retirar alguém ou para serem atendidos. O vigia da clínica à noite foi “orientado” a apagar as luzes e não fazer ronda para não ser atingido por um tiro. Criminosos encapuzados cercam o local durante a madrugada.
Em abril, uma agente de saúde bucal e uma agente comunitária foram levadas por um homem armado para que fossem fazer um atendimento domiciliar.
Como não poderia ser diferente, funcionários estão com medo. Muitos pediram afastamento ou transferência de unidade. Isso vem acontecendo com pessoas de todos os setores: administrativo, médicos, agentes de saúde, enfermeiros, dentistas.
Profissionais da clínica chegaram a publicar uma nota de repúdio e paralisaram os trabalhos no último dia 27/05, após uma reunião interna na qual todos os presentes votaram a favor da pausa por motivos de segurança. A rotina seria retomada no próximo dia 08/06, mas acabou sendo antecipada para esta terça-feira, 02/06.
A clínica da família Enfermeira Edna Valadão tem sete equipes e proximamente 22 mil pacientes cadastrados. Ao todo são cerca de 80 funcionários. Em média, 700 atendimentos ocorrem por dia.
A classe médica da cidade do Rio de Janeiro está assustada com a situação. Embora muitas clínicas da família estejam localizadas em áreas conflagradas, uma onda de violência tão intensa e apavorante não é comum.
“Ninguém pode nos ajudar. A única saída é a mudança da unidade de local. O Estado não tem como mais entrar ali. Do jeito que a situação está, todo mundo perde, principalmente os moradores, que são pacientes”, disse uma pessoa que trabalha na clínica.





















































