INTO amplia atendimento para casos de ‘Pé Torto Congênito’ em bebês


Crédito: Ministério da Saúde

Um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde, mostra que cerca de 200 mil bebês nascem com Pé Torto Congênito (PTC), problema que pode comprometer um ou ambos os pés. A condição altera a posição dos membros, que se voltam para dentro, e envolve ossos, músculos, ligamentos e tendões. A falta de tratamento adequado, pode prejudicar a marcha e a qualidade de vida do paciente.

Atualmente, no Centro de Atendimento Especializado (CAE) da Criança e do Adolescente, do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (INTO), aproximadamente 30% dos atendimentos infantis estão relacionados ao pé torto congênito. Em 2025, a unidade realizou mais de duas mil consultas, com cerca de 600 delas voltadas para crianças com a deformidade. Diante de quantidade de casos, o CAE triplicou a oferta de consultas ambulatoriais para o PTC, ampliando o acesso ao tratamento especializado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O tratamento mais empregado em todo o mundo é o Método de Ponseti, considerado padrão-ouro para a correção da deformidade. A técnica baseia-se em manipulações seriadas dos pés do bebê, associadas à troca semanal de gessos, a realização de uma pequena cirurgia e posterior uso de órteses para manter a correção obtida.

Quanto mais cedo a criança iniciar o tratamento mais chances ela tem de corrigir o Pé Torto Congênito e garantir seu desenvolvimento motor. O caso de Maya, de quase dois anos, é emblemático. A menina foi diagnosticada ainda durante a gestação com PTC e teve o seu tratamento iniciado em seus primeiros meses de vida.

Hoje, graças ao acompanhamento do INTO, Maya se desenvolve como qualquer criança da sua idade, demonstrando como o diagnóstico precoce e o tratamento especializado podem transforma vidas, como destaca o ortopedista Daniel Furst, chefe do CAE Infantil do hospital:

“É importante conscientizar os profissionais das maternidades e unidades básicas de saúde para o diagnóstico precoce e o encaminhamento o mais rápido possível. Além disso, o comprometimento dos responsáveis durante todas as etapas, especialmente no uso correto das órteses, é fundamental para o sucesso terapêutico”, explica Furst.

O início do tratamento no momento adequado impede ainda que a criança desenvolva deformidades ortopédicas associadas, de acordo com o ortopedista pediátrico Régis Rodrigues:

“Em média, conseguimos corrigir o pé após cerca de seis trocas semanais de gesso e um procedimento cirúrgico. Depois disso, a criança utiliza órteses até os quatro anos e permanece em acompanhamento para garantir o desenvolvimento adequado”, esclarece o médico.

O Subchefe do CAE Infantil, o ortopedista Gustavo Trovão explica que o método Ponseti é a primeira escolha para corrigir o PTC que, ao ser diagnosticado é tratado primeiramente de forma conservadora, sendo que outras abordagens podem ser adotadas para complementar a correção.

Foi esse o caminho seguido pela família de Maya, que teve o seu diagnóstico feito durante o ultrassom morfológico, ainda na gestação:

“Quando recebemos o diagnóstico, ninguém na família sabia o que era pé torto congênito. Começamos a pesquisar, entender a condição e procurar tratamento para que estivéssemos preparados quando ela nascesse”, relembra Patrícia Martins, a mãe da menina, que foi encaminhada ao INTO pelo Sistema de Regulação (SISREG).

Hoje, Maya corre, brinca e se desenvolve normalmente, comenta Patricia: “As pessoas olham para os pezinhos dela e nem imaginam tudo o que eles passaram. Ver minha filha caminhando, correndo e fazendo tudo o que qualquer criança faz é emocionante. Para as famílias que acabaram de receber esse diagnóstico, eu diria para confiar no processo. Cada etapa passa e o resultado vale a pena”.

Para atendimento no INTO, a criança precisa ser encaminhada pelo SISREG, devendo passar antes por um serviço de saúde o mais rápido possível após a suspeita ou confirmação do diagnóstico.

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Díario Regional RJ

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