
O Palácio Tiradentes, sede histórica da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), completou 100 anos em 2026 mantendo boa parte da imponência que fez do prédio um dos símbolos da política nacional. Inaugurado em 1926 para abrigar a Câmara dos Deputados, quando o Rio de Janeiro ainda era capital federal, o edifício atravessou ditaduras, mudanças institucionais e longos ciclos de restauração.
A preservação do prédio exigiu intervenções em diferentes momentos. Ao longo de sua história, o Palácio Tiradentes passou por mais de cinco fases de reformas e restauros, com recuperação de pinturas, vitrais, mobiliário, pisos, áreas externas e elementos artísticos. Esse trabalho permitiu manter viva uma parte importante da memória política e cultural do país.
O prédio foi construído no local onde funcionava a cadeia em que Tiradentes ficou preso. Hoje, o espaço tem exposição permanente e recebe visitas guiadas gratuitas, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h.
Na última quinta-feira (11/06), o Palácio Tiradentes foi declarado Patrimônio Histórico e Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Rio de Janeiro pela Lei 11.220/26, de autoria da deputada Verônica Lima (PT).
Primeira grande restauração ocorreu nos anos 1960
A primeira grande restauração do Palácio Tiradentes aconteceu entre 1967 e 1970. Na época, o prédio ainda pertencia à Câmara dos Deputados, mas já abrigava a então Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara (Aleg).
Nesse período, foram recuperados o mobiliário, as pinturas do plenário, os vitrais e as tribunas de imprensa. Também houve instalação de brises, raspagem e polimento dos pisos. Poucos anos depois, em 1974, a Câmara dos Deputados fez um amplo inventário dos móveis, obras de arte e espaços antes de deixar o edifício.
Douglas Liborio, historiador da Diretoria Geral da Alerj, explicou que esse processo foi decisivo para a ocupação do prédio pela Assembleia após a fusão do antigo Estado da Guanabara com o Estado do Rio de Janeiro. “O início da história da Alerj no Palácio está vinculado à preservação da memória do Poder Legislativo porque, para preparar o prédio para a fusão do estado da Guanabara com o Rio de Janeiro, em 1975, foi feita uma grande reforma. A Câmara restaurou a estrutura e a mobília, além de fazer um inventário dos móveis e peças de arte, para que a Assembleia fosse abrigada”.
Tombamento reforçou proteção do prédio
A preservação ganhou novo peso na década de 1990. Em 1992, durante as comemorações pelos 200 anos da execução de Tiradentes, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) concedeu tombamento provisório ao prédio. A proteção foi efetivada no ano seguinte.
Em 1996, quando o Palácio Tiradentes completou 70 anos, teve início outra grande etapa de restauração. O processo se estendeu até o começo dos anos 2000 e recuperou boa parte das pinturas históricas do edifício, incluindo painéis dos corredores laterais e o painel localizado ao fundo do plenário.
Foi também nesse período que os corredores passaram a homenagear personagens importantes da história política brasileira, como Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda.
As ações de conservação seguiram nas décadas seguintes. Entre 2015 e 2017, o prédio passou por uma nova etapa de restauração, com limpeza externa da edificação e revitalização da cúpula. Em 2020, durante a pandemia da Covid-19, foram feitas intervenções nos postes históricos da área externa.
Oficina formou servidores para conservação do acervo
Em 2022, a Alerj promoveu a Oficina-Escola de Conservação e Restauro, voltada para servidores e funcionários de empresas responsáveis pela manutenção do Palácio Tiradentes. A iniciativa integrou os preparativos para a reabertura do edifício ao público após a transferência administrativa da Assembleia para a Rua da Ajuda.
O projeto começou com oficinas de metal e mobiliário. Na mesma época, foi feito um levantamento de mais de 700 peças do acervo da Casa, entre esculturas, móveis, lustres e objetos decorativos.
Um dos participantes foi Marcelo Alves, que atuava como estagiário de engenharia na Alerj. Segundo ele, o restauro exige cuidado técnico e respeito à história de cada peça. “Na prática, o trabalho é pautado no respeito histórico e cultural, devendo manter ao máximo as características originais. Para isso, fizemos uma pesquisa histórica bem aprofundada para manter o mínimo de intervenção, com máximo cuidado”.
Depois da oficina, Marcelo Alves concluiu a graduação em Engenharia Civil e fez pós-graduação em Conservação e Restauro. Hoje, trabalha na recuperação de igrejas históricas do Centro do Rio, entre elas a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte, na Rua Buenos Aires, e a Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, na Rua do Ouvidor. “O que me motivou a dar continuidade na área foi o resultado final de cada objeto restaurado. Fico deslumbrado até hoje com a beleza das peças que passam pelo processo de limpeza. Realmente é fascinante”.























































