Como duas aeronaves ocuparam a mesma rota no Recreio? Acidente é considerado raro


Foto: Reprodução

A colisão entre dois helicópteros que matou seis pessoas na manhã deste domingo (14), no Recreio dos Bandeirantes, levanta uma série de questionamentos sobre como as duas aeronaves acabaram ocupando o mesmo espaço aéreo. Considerado um tipo de ocorrência incomum na aviação, o acidente será investigado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), responsável por reconstruir os últimos momentos dos voos e identificar as causas da tragédia.

Para especialistas em aviação, acidentes desse tipo são considerados raros. O advogado e especialista em aeronáutica José Luiz Magalhães, que atuou na Força Aérea Brasileira (FAB), afirmou ao jornal O Globo que colisões entre helicópteros em voo são eventos pouco comuns, principalmente em rotas conhecidas e amplamente utilizadas pelos pilotos.

Segundo ele, os corredores aéreos destinados aos helicópteros funcionam de maneira semelhante a vias de trânsito, com regras específicas de circulação e comunicação constante entre as aeronaves.

“O que chama atenção é que se trata de uma rota conhecida, sem obstáculos significativos e onde normalmente existe boa visibilidade. São situações em que os pilotos costumam manter contato frequente e acompanhar a movimentação das demais aeronaves na região”, explicou.

As aeronaves se chocaram no ar pouco antes das 9h e caíram em um terreno utilizado para armazenamento de veículos elétricos da BYD, próximo à Avenida das Américas. O impacto provocou explosões, incêndio e a morte de todos os ocupantes. Um dos helicópteros transportava quatro passageiros e um piloto, enquanto a outra aeronave era ocupada apenas pelo comandante.

Investigação vai reconstruir trajetória dos voos

As apurações iniciais do Cenipa devem se concentrar na reconstrução das trajetórias percorridas pelos helicópteros antes da colisão. Os investigadores irão analisar informações de navegação, registros operacionais, condições meteorológicas, planos de voo e o histórico das aeronaves e dos pilotos.

Segundo José Luiz Magalhães, uma das principais linhas de investigação será entender como ambas as aeronaves passaram a ocupar simultaneamente a mesma área do corredor visual utilizado para deslocamentos na região.

Informações divulgadas apontam que um dos helicópteros havia partido de Angra dos Reis, na Costa Verde, enquanto o outro decolou do Aeroporto de Jacarepaguá. Os investigadores tentarão determinar os movimentos realizados por cada aeronave nos minutos que antecederam o impacto. Embora hipóteses sejam levantadas neste primeiro momento, José Luiz Magalhães ressalta que ainda é cedo para apontar qualquer causa.

“Em uma colisão no ar, a possibilidade de falha humana naturalmente passa a ser considerada, mas isso não significa que ela tenha ocorrido. É preciso avaliar todos os fatores envolvidos, incluindo equipamentos, condições operacionais e procedimentos adotados pelos pilotos”, destacou.

Aeronaves estavam regulares

Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indicam que os dois helicópteros estavam com a documentação em dia e possuíam certificados de aeronavegabilidade válidos.

Uma das aeronaves era um Eurocopter AS350 B2, conhecido como Esquilo e atualmente denominado Airbus H125. O outro helicóptero era um Bell 206B Jet Ranger. Ambos eram considerados aptos para operação no momento do acidente.

Além da análise dos destroços, o Cenipa também deverá verificar registros de manutenção, licenças dos pilotos, exames médicos obrigatórios e eventuais comunicações realizadas durante os voos.

Relatório preliminar deve sair em até 30 dias

Conforme o protocolo adotado em investigações aeronáuticas, o Cenipa realizou ainda neste domingo a chamada “ação inicial”, etapa que envolve a coleta de informações, preservação dos vestígios e documentação da cena do acidente.

A expectativa é que um relatório preliminar seja divulgado em cerca de 30 dias. Já o relatório final poderá levar meses ou até anos para ser concluído, dependendo da complexidade das análises.

Receba notícias no WhatsApp e e-mail



Díario Regional RJ

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ÚLTIMAS nOTÍCIAS