
A construção de um parque de 400 mil m² no antigo Aeroclube de Nova Iguaçu já aparece como um dos temas com maior potencial político na Baixada Fluminense nas eleições deste ano. Antigo sonho de moradores da região, o projeto deve entrar no discurso de candidatos que tentam ampliar presença em Nova Iguaçu e nos municípios vizinhos.
Neste domingo (14/06), Eduardo Paes, pré-candidato ao governo do estado pelo PSD e ex-prefeito do Rio, visitou o terreno do antigo aeroclube e defendeu a criação de um “superparque” no local. A área fica no coração de Nova Iguaçu e tem cerca de 400 mil m².
A proposta, conhecida como Aeroparque, nunca saiu do papel. Mesmo assim, já mobilizou moradores, atletas e frequentadores do espaço. Um abaixo-assinado reúne 2.800 assinaturas, e há um projeto elaborado pelo Governo do Estado desde 2021 que acabou engavetado.
Projeto chegou a Paes por Pedro Duarte
O mesmo projeto estadual foi encaminhado a Eduardo Paes pelo vereador carioca Pedro Duarte (PSD), que tem colaborado na construção de um plano de governo com foco em temas metropolitanos. Apesar de atuar na Câmara do Rio, Duarte nasceu na Baixada Fluminense e acompanha a demanda há anos.
Pedro Duarte afirmou ao DIÁRIO DO RIO que a criação do parque teria impacto direto na qualidade de vida da população. “Ouço de amigos e familiares a demanda desse parque faz muitos anos e, por esse motivo, sei da importância que ele tem para a população. O projeto engavetado do governo é muito interessante porque seria uma oportunidade de revitalizar aquele espaço, levando opções de lazer e seguindo exemplos dos parques lineares que já existem e são um sucesso na cidade do Rio, como o Aterro do Flamengo e o Parque de Madureira”.
A entrada do tema no entorno de Paes indica que o parque deve aparecer no programa de governo do pré-candidato. A pauta, porém, também deve ser disputada por outros nomes interessados no eleitorado da região.
Moradores cobram parque público em Nova Iguaçu
Um dos principais articuladores da mobilização local é Fernando Cid, liderança do Giafe Qualivida Nova Iguaçu, movimento responsável pelo abaixo-assinado em defesa do parque. Ele afirma que Nova Iguaçu, apesar de ter mais de 800 mil habitantes, ainda não conta com um parque público nos moldes de equipamentos existentes na capital.
Segundo Cid, a cidade tem apenas praças multiuso, o que torna a área do antigo aeroclube ainda mais importante para a população. Neste domingo, ele acompanhou Paes na visita ao terreno e apresentou um esboço de outro projeto, feito por um estudante de Arquitetura antes da pandemia.
Fernando Cid afirmou: “Nosso projeto é apenas um esboço mesmo, ele já está muito defasado. Mas o importante é que Paes chancelou a ideia, e qualquer político que quiser chancelar também não sofrerá restrição. Trata-se de um projeto muito importante para a região. Tivemos 2.800 assinaturas, mas o apoio é muito maior do que isso, já que não existe uma cultura local de adesão a esse tipo de abaixo-assinado”.
O grupo que recebeu Paes era formado por atletas, moradores e pessoas que já usam o antigo aeroclube para atividades ao ar livre, mesmo com o espaço deteriorado.
Área foi fundada nos anos 1940
O Aeroclube de Nova Iguaçu foi fundado em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, e se tornou referência na formação de pilotos e em operações de pequeno porte. A ideia inicial era criar um aeroporto, mas o local acabou funcionando como aeroclube.
Nos últimos 20 anos, porém, a área foi sendo abandonada. O terreno pertence à União e passou a abrigar diferentes estruturas, como um campus da Universidade Rural, um centro de treinamento do Nova Iguaçu Futebol Clube, um quartel e outros equipamentos.
Em 2020, durante a pandemia, o Governo do Estado construiu no local o Hospital Modular de Nova Iguaçu, hoje chamado Hospital Estadual Dr. Ricardo Cruz.
Pousos irregulares preocupam frequentadores
A situação atual do terreno ainda é indefinida. Moradores entram na área para caminhar, correr e praticar exercícios, mas convivem com riscos provocados por pousos e decolagens irregulares na pista.
Há relatos de operações com cargas suspeitas e de acidentes. Em um dos casos recentes, um ultraleve colidiu com uma mulher que caminhava no local.
A indefinição poderia ter sido resolvida em 2021, quando a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Obras apresentou a ideia do Parque da Baixada, usando todo o terreno restante do antigo aeródromo. Um croqui chegou a ser elaborado, mas o projeto voltou para a gaveta após mudança na gestão da pasta.
Desde então, o mato tomou conta de parte do entorno da pista desativada, enquanto moradores seguem usando o espaço de forma improvisada.
Bruno Kazuhiro, ex-secretário estadual de Infraestrutura e responsável pelo projeto em 2021, defende que a área tem potencial para atender uma demanda antiga da cidade. “Conheci a área quando construímos o hospital no local. Há muito potencial para a cidade ali para além do que já existe em partes do terreno. O parque reconheceria essa função já naturalmente construída pelos cidadãos do entorno, oferecendo revitalização para região, opções de lazer e atividade ao ar livre, além da possibilidade de equipamentos esportivos, culturais e educacionais. Torço que agora saia do papel e a Baixada tenha esse espaço”.
Veja abaixo o croqui do projeto do governo do estado de 2021, obtido com exclusividade pelo DIÁRIO DO RIO:























































