Governador do Rio determina indenização a famílias de pedreiros mortos por PMs em São Gonçalo

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, determinou que a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) inicie imediatamente o processo de indenização às famílias dos pedreiros Edvan Felipe de Assis e Marcelo da Cruz Silva. Os dois trabalhadores foram mortos a tiros durante uma operação do 7º BPM (Alcântara) na comunidade do Jardim Catarina, em São Gonçalo, na Região Metropolitana. Testemunhas relatam que os policiais militares balearam as vítimas após confundirem suas ferramentas de trabalho com armas de fogo.

Em nota oficial, o Palácio Guanabara informou que o governador interino manifestou “profundo pesar” pela ação e ordenou que as polícias Civil e Militar conduzam as investigações com “absoluto rigor e transparência”. O objetivo é garantir a rápida responsabilização dos envolvidos. Três policiais militares são formalmente investigados pelo duplo homicídio.

O comando da Polícia Militar confirmou o afastamento imediato dos três agentes das atividades operacionais. Eles permanecerão realizando apenas serviços administrativos e fora das ruas até a conclusão dos inquéritos. A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) lidera a apuração criminal e já adotou as seguintes medidas técnicas:

  • Exame balístico: Apreensão e perícia de todas as armas de fogo utilizadas pelos policiais na ocorrência.
  • Análise audiovisual: Coleta e auditoria integral das imagens gravadas pelas câmeras corporais acopladas aos uniformes dos militares.
  • Oitiva de testemunhas: Agendamento de depoimentos de moradores que presenciaram o momento dos disparos no Jardim Catarina.

As mortes dos operários geraram revolta e protestos em São Gonçalo. O enterro de Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, ocorreu sob forte clamor por justiça. Já o sepultamento de Edvan Felipe de Assis foi realizado em clima de profunda tristeza e indignação.

Durante o funeral de Marcelo, a forte presença de forças de segurança gerou um mal-estar generalizado entre os parentes e amigos. Cerca de dez viaturas do 12º BPM (Niterói), do 7º BPM e do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom) cercaram as imediações do Cemitério São Miguel. Familiares criticaram o forte aparato, classificando a mobilização como um ato de intimidação e desrespeito ao luto. A Polícia Militar alegou que o posicionamento dos agentes teve como único objetivo prevenir distúrbios urbanos e garantir a segurança na região.

 



Diario Regional RJ

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