
A piscina mais famosa do Brasil vai passar por uma transformação. Construída em 1934, a piscina principal do Copacabana Palace, em Copacabana, ficará fechada por três meses para obras na área de lazer do hotel. As informações são d´O Globo.
O espaço carrega parte da história do hotel e da própria cidade. Nos anos 1970, a cantora Janis Joplin nadou nua ali. Também foi na piscina do Copa que Maria Lenk ensinou alunos os nados crawl e borboleta nos anos 1930.
Durante o fechamento da piscina principal, os hóspedes do hotel terão acesso a uma área quase sempre restrita: a chamada black pool, feita em mármore negro. O espaço costuma ser reservado a quem ocupa as suítes presidenciais do sexto andar.
A piscina exclusiva já foi usada por chefes de Estado e celebridades como Gisele Bündchen, Richard Gere, Katy Perry, Shakira, Lady Gaga, Madonna e integrantes dos Rolling Stones. O rei Charles, do Reino Unido, também frequentou o local nos anos 1990.
Na mesma visita, Lady Di preferiu ficar longe do então marido e relaxou na piscina principal, sem se incomodar com os fotógrafos. Mais recentemente, a cantora Rosalía também aproveitou as espreguiçadeiras próximas ao Pérgula, restaurante do térreo do hotel.
Antigo Anexo será transformado em Edifício Piscina
A reforma é tratada como um dos maiores investimentos globais da Belmond, rede responsável pelo Copacabana Palace e pelo Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu. Os valores não foram divulgados.
Além da área da piscina, o prédio hoje conhecido como Anexo também será reformado e passará a se chamar Edifício Piscina. O espaço terá novo conceito, com foco em bem-estar, relaxamento e permanência mais longa dos hóspedes.
O número de acomodações será reduzido. As atuais 96 unidades darão lugar a 60 suítes e 8 quartos, sendo quatro comunicantes. O prédio terá cinco andares voltados ao conceito wellness, com serviços ligados a cuidados, bem-estar e atividades físicas.
“Este é o maior investimento feito de uma vez só na história do hotel”, afirmou Ulisses Marreiros, gerente-geral do Copacabana Palace e diretor da Belmond no Brasil. Segundo ele, a obra busca preservar a memória do hotel e, ao mesmo tempo, preparar o Copa para uma nova fase.
Quartos maiores e foco em slow luxury
O projeto do novo Edifício Piscina é assinado pelo escritório de Ivan Rezende, que também foi responsável pela reforma do teatro do hotel em 2021.
As suítes terão entre 70 e 80 metros quadrados e serão preparadas para receber famílias e hóspedes de longa permanência. A proposta segue a linha do chamado slow luxury, conceito ligado a conforto, desconexão e experiências menos apressadas.
O antigo Anexo foi construído em 1948, durante a gestão de Octavio Guinle, fundador do hotel. A edificação ocupou o lugar das antigas quadras de tênis e surgiu para atender à demanda crescente de hóspedes em Copacabana.
Na época, os apartamentos com quarto e sala eram uma novidade. Ao longo dos anos, passaram pelo prédio nomes como Jô Soares, Bob Marley, Jorge Ben e Freddie Mercury.
A nova fase também prevê referências à cultura brasileira. O prédio terá uma biblioteca decorada com menções a artistas como Carybé, Aldemir Martins e Ciro Fernandes.
O spa será distribuído em dois pavimentos. Já o antigo espaço no térreo dará lugar a uma área fitness mais ampla, com equipamentos modernos e estrutura voltada ao cuidado e ao relaxamento.
A renovação inclui ainda o restaurante Cipriani, comandado por Nello Cassesse, fechado para obras desde maio do ano passado. O hotel também estuda a possibilidade de alguns quartos terem varandas voltadas para a nova piscina.
Hotel seguirá funcionando durante as obras
A conclusão das obras está prevista para o fim do segundo semestre de 2026. Durante o período, o Copacabana Palace seguirá funcionando normalmente, com o edifício principal e os restaurantes Mee e Pérgula abertos.
Em nota, o hotel informou que as movimentações da obra ficarão concentradas no prédio anexo, com entrada independente pela Avenida Nossa Senhora de Copacabana, para não interferir no restante da operação.
A piscina principal do Copa também guarda lembranças de uma época em que o acesso não era exclusivo para hóspedes. Há cerca de dez anos, era possível comprar um cartão-piscina anual, com valores que iam de R$ 10 mil a R$ 13,5 mil.
O grupo era restrito e incluía moradores do vizinho Edifício Chopin. A advogada e ex-deputada estadual Alice Tamborindeguy lembra desse período ao lado da irmã, Narcisa Tamborindeguy. “Os cartões-piscina tinham várias modalidades: individual, família”, recordou.
Ela também cita a época em que o hotel era comandado por Mariazinha Guinle, lembrada pela postura firme na administração do Copa. Foi ela quem determinou a expulsão de Rod Stewart e sua banda, em 1977, depois que o grupo jogou futebol na suíte presidencial e danificou quadros.
“Lembro dela percorrendo o hotel com seu blazer, sempre no comando”, contou Alice Tamborindeguy.


















































