
A Polícia Civil do Rio de Janeiro apura se problemas de sinalização, infraestrutura e segurança na Trilha do Primata, localizada no Parque Nacional da Tijuca, tiveram influência na morte do turista canadense Donia Ahmed Mohamed Fawzi Mohammed, de 38 anos. O estrangeiro caiu de uma altura estimada em 170 metros enquanto seguia em direção à Cachoeira do Primata, na última quarta-feira (03/06), e morreu no local.
As investigações estão sob responsabilidade da Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat). A perícia foi realizada apenas no sábado (06/06), em razão das condições climáticas adversas registradas na cidade nos dias anteriores. Durante a vistoria, os peritos encontraram todos os pertences da vítima, incluindo celular, documentos pessoais e dinheiro.
Devido à dificuldade de acesso à área onde ocorreu o acidente, agentes da Polícia Civil contaram com o apoio do Corpo de Bombeiros e utilizaram técnicas de rapel para chegar ao local da queda.
De acordo com o relato prestado à polícia por Karim Karam, amigo que acompanhava Donia no passeio, os dois iniciaram a caminhada por volta das 13h28, saindo da região do Cristo Redentor. Durante o trajeto, receberam informações de outros visitantes de que restariam aproximadamente dez minutos para o término da trilha.
Entretanto, após mais de uma hora de caminhada, os turistas perceberam que ainda não haviam encontrado a saída do percurso. Diante da dificuldade de orientação, recorreram a um aplicativo de trilhas e passaram a seguir pela chamada Trilha do Primata, caracterizada por mata fechada e trechos de terreno irregular.
Segundo o depoimento, em determinado momento a inclinação do caminho tornou impossível o retorno. A dupla decidiu seguir adiante e passou a descer por pedras escorregadias nas proximidades de uma cachoeira cercada por vegetação densa.
O acidente aconteceu entre 15h20 e 15h30. Conforme relatado por Karim, Donia tentava ultrapassar uma árvore caída quando escorregou em uma pedra e despencou pela cachoeira.
Após a queda, o acompanhante tentou alcançar o amigo para prestar socorro, mas desistiu diante do risco de novos acidentes. Em seguida, buscou ajuda por intermédio do responsável pelo imóvel onde estava hospedado e tentou acionar o serviço de emergência pelo número 911, sem sucesso, já que o contato não opera no Brasil.
Karim então retornou pela trilha em busca de auxílio e conseguiu reunir cerca de cinco pessoas. Apesar dos esforços, ninguém conseguiu acessar o local da queda com segurança.
O Corpo de Bombeiros foi acionado e montou uma operação de resgate considerada complexa. Equipes especializadas em salvamento em altura trabalharam por várias horas até alcançar a área do acidente. O corpo do canadense foi encontrado somente próximo à madrugada de quinta-feira (04/06), com o auxílio de técnicas de rapel.
A investigação também reúne vídeos gravados pelo acompanhante durante o passeio. O material será analisado para auxiliar na reconstituição do trajeto percorrido pela dupla, determinar o ponto exato da queda e esclarecer a sequência dos acontecimentos.
Após a remoção, o corpo de Donia Ahmed Mohamed Fawzi Mohammed foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) do Centro do Rio de Janeiro, onde aguarda os procedimentos legais e o contato com familiares.
Em nota, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra o Parque Nacional da Tijuca, informou que não foi acionado para participar da ocorrência nem comunicado pelas autoridades envolvidas no resgate.
O órgão afirmou ainda que a trilha de acesso à Cachoeira dos Primatas possui sinalização alertando os visitantes sobre os riscos inerentes às trilhas em ambientes naturais. Segundo a administração do parque, ações de melhoria e ampliação da sinalização são realizadas de forma contínua. Apenas no ano passado, 34 novas placas informativas foram instaladas nas trilhas da unidade de conservação.


















































