Dois Papas tem pré-estreia vip com famosos no Rio


Vista por 25 mil espectadores, Dois Papas teve pré-estreia concorrida na noite de quinta (11) no Teatro TotalEnergies, na Sala Adolpho Bloch. Artistas como Larissa Maciel, Paloma Bernardi, Marcos Breda, Lorena Lima, Marcos Caruso, Emiliano D’Ávila, Guiseppe Oristânio, entre outros, prestigiaram os atores Zécarlos Machado e Celso Frateschi que vivem respectivamente o Papa Bento XVI e o Cardeal Jorge Bergoglio, futuro Papa Francisco. O DIÁRIO DO RIO conversou com os atores na pré-estreia. A estreia para o público aconteceu nesta sexta (12).

Frateschi, que vive o futuro Papa Francisco, comenta as diferenças entre o filme e a peça. “O filme mostra bastante o Francisco jovem na Argentina, já o espetáculo insere dois personagens femininos, que enriquecem muito com o ponto de vista feminino, uma admiradora do Bento e a outra jovem deslumbrada argentina. E tem o Ratzinger que é um ex nazista de direita e ao mesmo tempo se comove com um cachorrinho na televisão“.

Zécarlos que arranca muitas risadas da plateia, conta como foi a construção desse Ratzinger mais humanizado. “Ele tem características do inconsciente coletivo de ser conservador, um Papa mais duro e radical nas suas posições. Porém o autor do livro e da peça, Anthony McCarten, vai um pouco mais fundo. Ele escreveu esse romance, o encontro não existiu mas ele traz a persona dessas duas figuras, de uma maneira muito curiosa“.

Para Zécarlos, apesar do personagem ter posições mais conservadoras e ter sido conselheiro do Papa João Paulo II, que também era conservador, ele permite a modernização na Igreja quando “entrega” o cargo para Francisco. “Ratzinger fazia parte de um tempo que era difícil lidar com Cúria (conjunto de órgãos que administram o Vaticano) e fazer transformações e mudanças, por mais que ele achasse que fossem necessárias. Ele encobria coisas que são reveladas depois, mas que ele não tinha força, tanto que ele renuncia“.

O artista analisa outros motivos pelos quais Ratzinger queria sair : “Ele era um acadêmico, intelectual, queria escrever. Sou igual a ele, sou um ator, se me der um trabalho burocrático vou ficar infeliz e cair fora. Quando Bento renuncia abre espaço para o Papa Francisco. Ele reconhece a necessidade de transformação, apesar do seu conservadorismo, ele traz uma humanidade e acaba se desarmando pois percebe que é necessário mudar“.

Ele recebe Francisco, em primeiro lugar com alívio, se libertando, em segundo ele está entregando o posto para alguém que vem trazer alguma mudança significativa. Ele vira um Papa Emérito e não interfere na gestão de Francisco. De alguma maneira significa que ele se desarmou e comprou a ideia do Francisco. Foi um trabalho de bastante investigação para chegar nisso, se exige uma certa coragem, porque na juventude ele era um ‘nazi’, mas ele desertou da juventude ‘hitlerista’. E no meio disso, se perceber os escritos dele, mostram que ele é um defensor ferrenho da estrutura da Igreja, ele passa a reconhecer a necessidade de mudanças intrínsecas quando ele renuncia e sabe que é o Papa Francisco que tá chegando”, conclui Zécarlos.

O ator destacou o trabalho intenso durante a criação do personagem, com uma interpretação bem naturalista. “A peça é muito exigente e te obriga a trabalhar mais, você passa por dificuldades, não dorme direito, quebra a cabeça e quando você encontra os caminhos é muito gratificante. E para conquistar essa simplicidade tem que ter muito trabalho, o naturalismo, cotidiano, tem vários elementos de códigos que essa simplicidade exige“.

Zécarlos se emocionou ao relembrar que no ano de 1973 ele estreava como figurante na peça ‘O Homem de La Mancha’ no palco do Total Energies, que na época se chamava Teatro Manchete. “Comecei como figurante ao lado de grandes artistas como Paulo Autran, Bibi Ferreira e Grande Otelo“.

O espetáculo foi vencedor de Melhor Drama 2025 pelo Prêmio Arcanjo de Cultura e rendeu indicações ao Prêmio APCA de Melhor Ator aos seus protagonistas. Com direção de Munir Kanaan, a peça marca a primeira montagem internacional do texto de Anthony McCarten, também adaptado para o cinema em filme da Netflix, dirigido por Fernando Meirelles, indicado a quatro Globos de Ouro, cinco BAFTAs e três Oscars – incluindo o de Melhor Roteiro.

A história parte do momento em que Bergoglio viaja à Roma decidido a pedir sua aposentadoria. Para sua surpresa, é convocado a uma conversa pessoal com Bento XVI, que considera renunciar ao cargo diante das pressões enfrentadas pela Igreja. O que se segue é um diálogo carregado de tensão, respeito e humor, no qual visões antagônicas encontram espaço para escuta, conflito e transformação.

Além de Frateschi e Zécarlos , o espetáculo conta com a voz feminina que fica a cargo das atrizes Carol Godoy e Eliana Guttman, intérpretes de fortes personagens próximas aos protagonistas: Irmã Sofia, freira idealista transformada pela ditadura argentina e pelos ensinamentos de Bergoglio, e Irmã Brigitta, uma mulher rígida, editora de livros religiosos e amiga confidente de Bento XVI.

Em cena, é como se estivessem quatro papas. Temos em segundo plano o Papa Bento XVI e o futuro Papa Francisco, que são os papas públicos, conhecidos pelos grandes eventos e cerimônias, vistos pela TV e pela internet. E temos o mais interessante, o que busquei iluminar, a intimidade desses dois homens, aquilo que não vemos. A possibilidade do diálogo é o que move essa história, são duas visões de vida completamente diferentes. Apesar de Bento XVI ser mais conservador, é ele quem chama Bergoglio para a conversa, que apesar de ser um homem mais aberto, chega hesitante para ter esse papo reto. São as complexidades desse encontro que conduzem o diálogo sobre a necessidade de mudanças”, enfatiza o diretor Munir Kanaan.

A encenação aposta em elementos visuais para potencializar a narrativa. O cenário branco, concebido como instalação cênica, se transforma a partir de figurinos, objetos e projeções, construindo desde ambientes sacros até os momentos mais íntimos dos personagens. O
videomapping insere conteúdos documentais e amplia o impacto estético do espetáculo, enquanto a trilha sonora ambienta e guia as transições com sutileza. A peça fica em cartaz até 5 de julho.

Serviço:
Dois Papas
Local:
Teatro TotalEnergies (antigo Teatro Adolpho Bloch)
Endereço: Rua do Russel, 804 – Glória, Rio de Janeiro – RJ.
Duração: 110 minutos.
Classificação: Livre. Indicação: 14+
Datas das apresentações: de 12 de junho de 2026 ao dia 05 de julho de 2026.
Horário de Início do Espetáculo: Sextas e sábados, às 20h. Domingos, às 17h.
Preço: R$ 150 (Inteira) e R$ 75(Meia-Entrada)
Vendas:https://www.ingresso.com/espetaculos/dois-papas
*Não haverá apresentações nos dias 13 e 19 de junho por conta dos jogos do Brasil na Copa
do Mundo.
**O espetáculo conta com comunicação em Libras e audiodescrição em todas as
apresentações.

Ficha técnica:
Elenco:

Celso Frateschi (Cardeal Bergoglio), Zécarlos Machado (Papa Bento XVI), Carol Godoy (Irmã Sofia) e Eliana Guttman (Irmã Brigitta). Participação em vídeo: Rafa Steinhauser.
Direção e Equipe Criativa
Direção:
Munir Kanaan.
Dramaturgia: Anthony McCarten.
Tradução: Rui Xavier.
Diretor Assistente: Gustavo Trestini.
Trilha Sonora: Dan Maia.
Videomapping: André Grynwask e Pri Argoud.
Cenário: Eric Lenate. Figurino: Carol Roz.
Iluminação: Beto Bruel.
Produção: Gengibre Multimídia, Zug Produções e Fomenta Consultoria.
Direção de Produção: Carol Godoy.
Coordenação de Projeto: Fomenta Consultoria.
Coordenação de Produção Local: Felipe Valle – Trupe Produções Artísticas.
Produção Executiva Local: Juliana

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