
A espanhola Aena pretende transformar a ligação entre o Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro, e o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em um dos principais eixos de sua estratégia no Brasil.
Administradora de Congonhas, a companhia trabalha com a expectativa de assumir a gestão do Galeão antes de outubro. A empresa venceu, no fim de março, o leilão de relicitação do aeroporto carioca.
“O Rio de Janeiro é uma praça importantíssima, e poder conectar o principal aeroporto doméstico do Brasil com o principal aeroporto internacional do Brasil é o que a gente quer fazer”, afirmou Santiago Yus, diretor-presidente da Aena Brasil, em entrevista ao jornal Valor Econômico.
A transferência depende da conclusão dos trâmites regulatórios e do processo de transição com a atual concessionária. Até a mudança ser concluída, o Galeão continuará sob a administração da operadora atual.
Galeão registrou crescimento de 166%
A Aena receberá um aeroporto que passa por um período de recuperação. Entre 2022 e 2025, o número de passageiros do Galeão subiu de cerca de 6,7 milhões para 17,8 milhões, um crescimento aproximado de 166%.
A retomada ocorreu após a adoção de medidas para reorganizar o tráfego aéreo no Rio de Janeiro. As regras foram implementadas pelo Governo Federal, por decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após articulação com o então prefeito Eduardo Paes e entidades empresariais.
Participaram da mobilização a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a Fecomércio RJ e a Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).
Apesar da alta no número de passageiros, o Galeão ainda opera abaixo de sua capacidade. Para a nova concessionária, o cenário permite ampliar a movimentação nos próximos anos sem a necessidade imediata de grandes obras de expansão.
Aena pagará cerca de R$ 2,9 bilhões
A empresa venceu o leilão com uma proposta de aproximadamente R$ 2,9 bilhões. O valor representou ágio superior a 210% sobre o lance mínimo definido pelo Governo Federal.
Com a concessão do Galeão, a Aena passará a administrar 18 aeroportos no Brasil. O contrato terá validade até 2039, com possibilidade de prorrogação por mais cinco anos.
Os primeiros investimentos deverão se concentrar na eficiência das operações, na experiência dos passageiros e na ampliação das rotas nacionais e internacionais.
A companhia também defende a manutenção das regras de distribuição de voos entre o Galeão e o Aeroporto Santos Dumont. A avaliação é que o controle da movimentação no terminal central é necessário para preservar o Galeão como principal porta de entrada internacional do Estado do Rio.
Empresa é controlada pelo governo espanhol
A Aena S.A. é uma companhia de capital misto controlada pelo Estado espanhol. Atualmente, 51% de suas ações pertencem à Enaire, empresa pública responsável pela navegação aérea da Espanha.
Os outros 49% são negociados na Bolsa de Valores de Madri e estão distribuídos entre investidores privados.



































































































