Coleta de leite humano cresce 10% no Rio de Janeiro no 1º semestre de 2026


Foto: Bruno Guimarães (IFF/Fiocruz)

O volume de leite humano coletado no Estado do Rio de Janeiro registrou uma alta de pouco mais de 10% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Os dados são da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e chegam em pleno Agosto Dourado, mês dedicado às ações de conscientização e incentivo à amamentação.

Entre janeiro e junho deste ano, os bancos de leite fluminenses arrecadaram 470 litros a mais do que no primeiro semestre do ano anterior. O dado curioso é que o aumento no volume ocorreu mesmo com uma ligeira redução no número total de doadoras cadastradas.

Segundo Danielle Aparecida da Silva, coordenadora do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), a quantidade arrecadada independe exclusivamente do número de doadoras:

“Cada pessoa em fase de lactação tem a sua produção de leite individual, e evidências científicas comprovam que a produção do leite depende de questões psicológicas, fisiológicas e de estímulos externos, como a frequência que a mulher oferece o seio”, explica a especialista.

Déficit de 20% e vazios assistenciais pelo estado

Apesar do avanço no volume arrecadado, a oferta atual ainda fica aquém das necessidades reais das maternidades fluminenses. Para suprir a demanda de todos os recém-nascidos internados apenas nos hospitais que já possuem Bancos de Leite Humano, seria necessário elevar a coleta atual em no mínimo 20%.

Atualmente, o Estado do Rio conta com 18 Bancos de Leite Humano. A Fiocruz alerta para a necessidade urgente de descentralização e criação de novas unidades em regiões que possuem leitos de UTI neonatal, mas carecem do serviço, como:

  • Baía da Ilha Grande
  • Região Norte Fluminense
  • Região dos Lagos

“Representou a sobrevivência dos meus filhos”, relata mãe de gêmeos prematuros

Para quem está do outro lado, a doação é a linha que separa a vida da complicação médica. A designer Damires Teixeira Pontes, de 37 anos, moradora de Pilares, na Zona Norte do Rio, viveu essa realidade quando seus filhos gêmeos nasceram de uma cesárea de emergência com apenas 34 semanas de gestação.

Sem conseguir produzir leite nos primeiros dias e com os bebês sem o reflexo de sucção desenvolvido para mamar no peito, o Banco de Leite Humano foi a única salvação durante a internação na UTI neonatal:

“Meus bebês precisaram receber leite do banco por conta da prematuridade. Eles nasceram com 34 semanas, ainda não sabiam sugar e precisaram receber o leite do banco. Eu tive uma cesárea de emergência, descobri que eles teriam que ficar na UTI e que eu não poderia amamentá-los porque o meu leite ainda não tinha descido”, relembra Damires.

O apoio do banco de leite trouxe alento e nutrição vital para os recém-nascidos em um momento de extrema fragilidade familiar:

“Foi difícil saber que eles não iam ser amamentados com o meu leite, mas ao mesmo tempo foi um alívio saber que o banco pôde proporcionar esse leite que eu não consegui naquele momento. O leite doado com certeza representou a sobrevivência dos meus filhos. A energia necessária, o básico necessário para a sobrevivência deles. Então, assim, foi essencial na vida dos meus filhos”, conclui.

informações do G1

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