Traficantes promovem curso de drones e atraem fila de participantes no Rio


Uma fila de pessoas em busca de treinamento para operar drones chamou a atenção da Polícia Civil no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio. Imagens registradas há cerca de duas semanas mostram dezenas de participantes reunidos em uma quadra onde, segundo as investigações, traficantes promoviam um curso para ensinar a operar os equipamentos.

A capacitação é investigada como parte do avanço do uso de drones pelo crime organizado. Os equipamentos, que podem ser comprados legalmente, passaram a ser utilizados por grupos criminosos para observar territórios, acompanhar a movimentação policial e, em alguns casos, transportar explosivos.

O cenário preocupa as forças de segurança porque o uso dos aparelhos deixou de ser restrito ao monitoramento. Segundo a Polícia Civil, 18 ocorrências envolvendo bombas lançadas por drones estão atualmente sob investigação, embora a corporação suspeite que o número real seja maior.

Ruas ganham coberturas para dificultar ação dos drones

Enquanto criminosos ampliam o uso dos equipamentos, comunidades também passaram a adotar estruturas que dificultam a visão aérea. No Complexo do Alemão, imagens obtidas pelo programa RJ2, da TV Globo, mostram ruas, vielas e outros espaços que passaram a ficar encobertos por telhados.

Um levantamento foi realizado pela inteligência da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil, a partir da comparação entre imagens de satélite de novembro de 2025 e registros aéreos de fevereiro de 2026. Em apenas 84 dias, pontos que antes eram visíveis do alto passaram a ficar escondidos por novas estruturas.

Em um dos locais analisados, uma área que funcionava como estacionamento recebeu uma cobertura de alvenaria. Em outro, uma laje passou a ter uma piscina.

Segundo os investigadores, as construções podem ter duas funções: dificultar o monitoramento realizado pela polícia e reduzir a exposição a possíveis ataques de facções rivais com explosivos transportados por drones. A região é considerada de difícil acesso por terra e pelo ar e, conforme a investigação, seria utilizada como área de esconderijo de integrantes da cúpula do Comando Vermelho.

Drones se tornaram armas no Rio

O uso dos equipamentos como arma também já foi registrado em diferentes pontos da cidade. Na semana passada, criminosos utilizaram um drone para lançar uma granada contra rivais na comunidade do Canal, em Vargem Grande, na Zona Oeste. O explosivo atingiu um trailer, mas não deixou feridos.

Segundo a Polícia Militar, o equipamento teria sido lançado de um apartamento de cobertura alugado no Recreio dos Bandeirantes. O ponto de decolagem ficava a cerca de dois quilômetros do local atingido. Dois homens suspeitos de participação no ataque foram presos. A PM apreendeu com eles outras granadas de fabricação caseira, dinheiro e o drone usado na ação.

Equipamentos também preocupam pilotos

A expansão do uso criminoso de drones também acendeu um alerta entre profissionais da aviação no Rio. A circulação desses equipamentos em áreas próximas às rotas de helicópteros e aeronaves aumenta a preocupação com possíveis acidentes.

O DIÁRIO DO RIO já mostrou os riscos dessa situação e os alertas feitos por pilotos que atuam na região de Jacarepaguá, onde drones já foram identificados próximos às rotas utilizadas pelas aeronaves.

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