Sete em cada dez brasileiros têm dificuldade para entender os próprios direitos

Sete em cada dez brasileiros que acreditam ter sido vítimas de alguma ilegalidade consideram difícil ou muito difícil encontrar informações sobre seus direitos e sobre como buscar ajuda na Justiça. O dado faz parte de uma pesquisa realizada pelo instituto Ipsos, a pedido do portal Jusbrasil.

O levantamento mostra ainda que 72% dos entrevistados ou alguém que mora com eles tiveram ou podem ter tido algum direito violado nos últimos 12 meses. Desse total, 36% afirmam ter certeza de que houve uma violação, enquanto outros 36% apenas suspeitam que isso tenha acontecido.

Outros 22% disseram não ter passado por uma situação desse tipo, e 6% não souberam responder ou não se lembraram de algum caso.

A dificuldade para entender os próprios direitos também pode impedir que as pessoas procurem ajuda. Segundo a pesquisa, 60% dos entrevistados afirmam já ter deixado de receber algum direito ou benefício por não saber o que fazer.

 

Dificuldade atinge diferentes grupos

O problema aparece entre pessoas de diferentes classes sociais e níveis de escolaridade. Segundo o levantamento, ter mais anos de estudo não significa, necessariamente, maior facilidade para entender os direitos ou saber como garanti-los.

Entre as pessoas que identificaram uma possível violação de direito, 33% disseram ter tomado alguma providência. Outros 10% estão no início de uma questão legal ou processo, enquanto 17% afirmaram já ter encerrado um processo.

Por outro lado, 27% ainda têm um processo que não foi iniciado e 13% não sabem informar qual é a situação do caso.

A pesquisa ouviu 1,5 mil pessoas com 18 anos ou mais, de todas as regiões do país e classes sociais. As entrevistas foram realizadas entre 28 de julho e 4 de agosto de 2026. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.

 

Especialista defende educação sobre direitos

Para o advogado Paulo Mariante, da Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares, o poder público precisa ampliar o acesso da população a informações sobre direitos.

Ele defende que esse conhecimento seja levado para as escolas desde o ensino básico. Segundo o advogado, a população precisa saber não apenas quais são seus direitos, mas também como buscar ajuda quando eles são desrespeitados.

Mariante também critica a linguagem usada no meio jurídico, que, segundo ele, muitas vezes é complexa e difícil de entender.

Para o especialista, tornar a informação jurídica mais simples e acessível pode ajudar mais pessoas a reconhecer situações de violação e buscar seus direitos.



Diario Regional RJ

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