Luminárias históricas restauradas no Centro já aparecem destruídas na Praça XV e na Rua Sete de Setembro


A recuperação das luminárias históricas do Centro do Rio foi anunciada com pompa em 2023. Houve cerimônia, botão simbólico, acendimento inaugural e a promessa de devolver ao Centro Histórico parte da atmosfera urbana que fez da região o coração político, comercial e cultural do Brasil por séculos. Na Rua do Mercado, onde ocorreu a inauguração, o resultado ainda resiste. As luminárias seguem funcionando e ajudam a compor uma das paisagens mais bonitas do Rio antigo.

Basta, porém, caminhar poucos metros em direção à Praça XV e à Rua Sete de Setembro para que o cenário mude completamente. Em levantamento fotográfico feito pelo DIÁRIO nesta manhã de sábado apôs nota do jornalista Ancelmo Góis denunciando o abandoná-lo dos belos postes em ferro fundido da região, aparecem postes mutilados, cúpulas arrancadas, estruturas improvisadas com arame, peças ornamentais desaparecidas e luminárias simplesmente sem lâmpada. O problema é especialmente grave no trecho da Rua Sete de Setembro entre o antigo Convento do Carmo, hoje ocupado pela Procuradoria-Geral do Estado e seu centro cultural, e a Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, que foi catedral do Rio até os anos 70.

Ali, no coração do Rio histórico, o que se vê é uma sequência de postes destruídos. Alguns perderam os braços laterais. Outros mantêm apenas a estrutura metálica enferrujada. Há cúpulas tortas, encaixes expostos e sinais evidentes de vandalismo. Há também ridículas gambiarras prendendo partes dos postes com arames e fios emaranhados, “à moda cacete”. Não se trata de uma rua periférica ou escondida: é o entorno imediato do Paço Imperial, da Antiga Sé, da Igreja da Ordem Terceira do Carmo e de alguns dos edifícios mais importantes da memória carioca.

O caso chama atenção porque a Prefeitura já havia anunciado, em 2024, uma nova etapa do projeto de recuperação de mais de 300 luminárias históricas do Centro. A iniciativa foi considerada na época por membros do Polo Gastronômico e Cultural da região correta e necessária. O problema é que a preservação posterior parece não acompanhar o investimento inicial. “Restaurar é importante, mas manter, fiscalizar e proteger é indispensável”, explica Sylvia Assumpção, funcionária de uma empresa na região.

O contraste é gritante. A Rua do Mercado, vitrine da inauguração, segue bem cuidada. Já a Praça XV e a Rua Sete de Setembro, justamente onde passa grande parte dos visitantes que chegam pelo VLT, pelas barcas ou pelos circuitos turísticos do Centro, apresentam um quadro de abandono inaceitável para uma cidade que diz apostar na revitalização de sua área histórica, ainda mais na região do Centro que atrai tantos turistas e cariocas para passeios, cultura e gastronomia.

O problema das luminárias se soma a outro apagamento simbólico na mesma região. A iluminação cênica externa da Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, um dos maiores monumentos religiosos e históricos da cidade, foi destruída durante as obras do VLT, segundo apuração do Diário do Rio, e jamais recomposta. A antiga Catedral do Rio, restaurada com grande investimento nos anos 2000, deixou de ser valorizada à noite por refletores externos e hoje permanece escura depois do pôr do sol, o que além de enfeiar o Centro Histórico ainda reduz a segurança.

Nota do Editor: A Prefeitura precisa explicar qual é o plano de manutenção das luminárias restauradas, quais peças já foram vandalizadas, quantas serão repostas e quem é o responsável pela conservação do conjunto. O Centro do Rio vive um momento de retomada, com novos empreendimentos, aumento de circulação, centros culturais, moradias e turismo histórico. Mas essa retomada não se sustenta apenas com anúncios. Ela precisa aparecer no chão da cidade, na iluminação das ruas, no cuidado com o patrimônio e na capacidade de impedir que o que foi restaurado volte a virar ruína..

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