Clube Marapendi, na Barra, é disputado por incorporadoras e pode dar lugar a condomínio de luxo


Clube ocupa uma área de cerca de 170 metros quadrados, em um dos pontos mais nobres da Barra

Seis meses após a Câmara do Rio aprovar uma emenda que liberou a construção de unidades residenciais no terreno do tradicional Clube Marapendi, na Barra da Tijuca, o mercado imobiliário iniciou uma verdadeira disputa por uma das áreas mais cobiçadas do bairro. Com cerca de 170 mil metros quadrados, ainda pertencente às famílias Magaldi e Veiga de Almeida, o espaço é alvo de cinco incorporadoras interessadas em desenvolver um grande condomínio de alto padrão no local.

Entre as interessadas no enorme terreno estão a TGB, de Rogério Chor, e a Cyrela, que tentam estruturar uma proposta conjunta. Além da Tegra, da Patrimar e da Performance. A intenção seria erguer um empreendimento no conceito de condomínio-clube. Os proprietários do Marapendi ainda não definiram o formato da negociação. Entre as possibilidades em análise estão a venda integral do imóvel ou uma operação de permuta por apartamentos do futuro empreendimento.

Preço e potencial construtivo travam acordo

Embora o interesse das incorporadoras seja grande, segundo informações do Metro Quadrado, dois fatores têm dificultado o avanço das negociações. O primeiro é o valor do terreno. Até o momento, compradores e vendedores não chegaram a um consenso sobre o preço da área.

O segundo obstáculo envolveria o potencial construtivo. Fontes do mercado afirmam que a implantação de um projeto residencial de maior porte depende da aquisição de direitos adicionais de construção, o que permitiria ampliar a área edificável e aumentar a viabilidade econômica do empreendimento.

É nesse ponto que entra o empresário Wilson Borges, da SOD Capital. Ele assinou uma intenção de compra da totalidade do potencial construtivo acumulado pelo Vasco da Gama a partir do projeto de reforma de São Januário, um estoque estimado em 280 mil metros quadrados. A estratégia é comercializar esses direitos para empreendimentos interessados em ampliar sua capacidade construtiva. Há anos, porém, Borges busca fechar um acordo com o Marapendi para vincular a venda desse potencial construtivo ao futuro desenvolvimento da área. Nos bastidores, o entendimento é que uma solução para o terreno passa necessariamente por essa discussão, o que ajuda a explicar a cautela das incorporadoras nas negociações.

Recentemente, inclusive, o empresário também adquiriu o Riviera Country Club, na orla da Barra, em uma negociação estimada em cerca de R$ 150 milhões.

Clube Marapendi

Fundado em 1964, o Clube Marapendi foi uma das primeiras ocupações da Barra, quando a região ainda era um imenso areal. Durante décadas, foi ponto de encontro de moradores da Grande Tijuca e da Zona Sul, atraídos pela estrutura esportiva e pelas áreas de lazer. Ao longo de sua história, o espaço recebeu eventos importantes, como partidas da Copa Davis e competições de tênis dos Jogos Pan-Americanos de 2007. Atualmente, mantém instalações como piscina semiolímpica, academia e salão de festas, embora esteja distante dos períodos de maior movimentação.

Dentro do terreno, em uma área anexa ao clube, continuam em funcionamento ainda um campus da Universidade Veiga de Almeida e uma unidade do Colégio Veiga de Almeida.

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