Campos ultrapassa 300 mil veículos e vê calçadas virarem alvo de motoristas


Vista de drone da cidade de Campos dos Goytacazes • Fotos: Rafa Pereira, Diário do Rio

Campos dos Goytacazes, uma das cidades mais importantes do interior do Estado do Rio, acaba de ultrapassar uma marca simbólica: mais de 300 mil veículos emplacados. O número ajuda a explicar um fenômeno que já não é exclusividade da capital, de Niterói ou da Baixada Fluminense: o avanço dos carros e motos sobre o espaço urbano, especialmente sobre as calçadas.

Segundo dados divulgados pela imprensa local com base no antigo Denatran, a cidade rompeu a barreira dos 300 mil veículos. Desse total, 54% são automóveis, 29% motocicletas, 10% camionetes e utilitários, 4% caminhões e apenas 1% ônibus. As motos, sozinhas, já passam de 100 mil unidades, o que revela uma mudança profunda na dinâmica de circulação da maior cidade do Norte Fluminense.

O problema não aparece apenas nos números da frota. Aparece também no comportamento dos motoristas. De janeiro a maio deste ano, a Guarda Civil Municipal de Campos registrou 1.208 notificações por estacionamento irregular, a infração recordista no município. No mesmo período, foram 174 autuações por veículos transitando sobre calçadas.

A comparação com 2025 mostra queda em alguns indicadores, mas os números seguem altos. No mesmo intervalo do ano passado, haviam sido registradas 1.385 notificações por estacionamento no passeio público e 227 por circulação de veículos sobre calçadas. Ou seja: mesmo com redução, a cidade ainda convive com uma quantidade expressiva de motoristas tratando o espaço do pedestre como extensão da rua ou da garagem.

A cena é conhecida por qualquer morador da Região Metropolitana do Rio: calçadas bloqueadas, idosos obrigados a desviar pelo asfalto, mães com carrinho de bebê sem passagem, pessoas com deficiência encontrando obstáculos onde deveria haver acessibilidade. Em Campos, o retrato se repete em escala própria, mas com o mesmo drama urbano visto em bairros da capital, em cidades da Baixada e em polos comerciais de todo o estado.

A diferença é que Campos, por seu tamanho, influência regional e força econômica, funciona como termômetro do interior fluminense. Quando uma cidade desse porte supera 300 mil veículos e vê o estacionamento irregular liderar as infrações de trânsito, o tema deixa de ser apenas local. Passa a ser uma discussão sobre o modelo de mobilidade que vem se espalhando pelo Estado do Rio.

O crescimento da frota também movimenta a economia. Campos já conta com 12 concessionárias autorizadas e deve chegar a 15 até o fim de 2026, incluindo a chegada de novas marcas e lojas especializadas. O dado mostra vigor econômico, mas também impõe uma pergunta inevitável: as cidades fluminenses estão preparadas para receber cada vez mais veículos sem sacrificar calçadas, praças, pedestres e transporte coletivo?

O Código de Trânsito Brasileiro trata o estacionamento sobre calçadas como infração grave, com multa e perda de pontos na carteira. Mais do que uma questão de punição, porém, o problema revela uma disputa cotidiana pelo espaço urbano. De um lado, o aumento da motorização. De outro, o direito básico de caminhar com segurança.

Campos dos Goytacazes pode estar a mais de 270 quilômetros da capital, mas o alerta que vem de lá é familiar para qualquer carioca: quando o carro vence sempre, quem perde primeiro é o pedestre.

Com informações do jornal Notícia Urbana e da Prefeitura de Campos dos Goytacazes. 

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