
Eis que eu estava ali, no Leblon, entre uma pauta e outra, procurando um lugar que resolvesse a fome sem me fazer perder tempo com deslocamentos. Queria algo saudável, bem localizado e, de preferência, que não me obrigasse a fazer firula com o garfo. Foi assim que dei de cara com o Iná e com seu cardápio que, pelo que constatei, leva em conta todo tipo de restrição alimentar. Pois bem, fui conferir.
O tal dedinho de tapioca, tratado ali como “dadinho” (R$ 35), é uma daquelas coisas que a gente come e pensa: por que não experimentei isso antes? A casquinha crocante por fora e macia por dentro tem uma textura extraordinária, e não é à toa que figura entre os mais pedidos da casa. Acompanha um queijo de castanha que faz o par perfeito e olha que sou cética com substituições veganas.
Dois pontos, porém, merecem registro. O sanduíche de pão de alho com camarão e creme de castanha (R$ 44) é uma delícia, mas me enganei: achei que dava pra comer com a mão, como todo sanduíche que se preze. Engano meu. O molho é generoso, o pão se desmancha, e lá fui eu pedir garfo e faca o que, convenhamos, tira um pouco a graça do negócio. A porção, porém, é farta e serve como prato principal nos dias em que um sanduíche resolve a fome. Não era meu caso.
Parti para a moqueca de peixe com camarão (R$ 62). O caldo encorpado, o peixe no ponto, o camarão — apesar de poucos — suculento. Já a mesa ao meu lado comia com gosto uma feijoada clássica (R$ 53) e, então, percebi uma movimentação curiosa: muitos estrangeiros à mesa, o que sempre me faz pensar se estamos diante de um achado ou de uma armadilha para turista. Fiquei com a primeira opção. A casa, inaugurada no Leblon em dezembro de 2025, tem assinatura de Katharina Guimarães, a Tita, que herdou receitas de avós e mãe e as transformou num negócio de sucesso. Já são duas unidades, sendo a outra em Botafogo.
Para beber, pedi um chai latte R$ 18, realmente delicioso, cremoso na medida. Depois, um dos sucos naturais R$ 16, igualmente bom. Não consegui chegar à sobremesa porque já estava empanturrada, mas a garçonete, simpática como só ela, recomendou o cookie vegano e o cuscuz de coco com compota de manga picante (R$ 22). Fica para a próxima.
O ambiente, projetado por Ermano Santiago, é contemporâneo e acolhedor: tons naturais, materiais orgânicos, uma sensação de conforto que conversa com a proposta da casa. O Iná, como o nome sugere — do tupi, “mãe” ou “aquela que protege” —, quer ser um abraço. E funciona.
No fim das contas, o Iná acerta ao entregar uma cozinha afetiva sem frescuras, com preços justos (o empadão de frango cremoso, carro-chefe, sai por R$ 55) e um atendimento que faz a diferença. Com cafés da 22 SpecialCoffee, drinks autorais e uma seleção de vinhos nacionais, a casa se consolida como parada obrigatória para quem quer comer bem sem abrir mão da leveza. E, no Leblon, isso já é uma raridade.
Serviço: Iná – Rua Almirante Pereira Guimarães, 65, Leblon. Todos os dias, das 8h às 23h30. (21) 97945-5629. Instagram: @ina.cozinha.
















































































































