Porto Sudeste, em Itaguaí, atrai Vale, Gerdau e estrangeiros em venda bilionária


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O Porto Sudeste, em Itaguaí, entrou no radar de grandes investidores estrangeiros e de empresas brasileiras como Vale e Gerdau. O terminal, localizado na Baía de Sepetiba, está no centro de um processo de venda conduzido por Mubadala e Trafigura, atuais donos do ativo.

Segundo informações do Brazil Journal, a operação pode envolver cerca de US$ 5 bilhões. O terminal tem o minério de ferro como principal carga e deve registrar mais de US$ 300 milhões de Ebitda neste ano.

As propostas vinculantes devem ser entregues ainda este mês.

Ativo criado para escoar minério

O Porto Sudeste foi concebido originalmente para escoar a produção das minas da MMX, empresa criada por Eike Batista. Depois da crise do empresário, o projeto ficou com o Mubadala Capital, em uma operação de troca de dívida por participação.

A Trafigura entrou depois no negócio para ajudar a viabilizar os investimentos que permitiram a inauguração do terminal, em 2015.

O porto tem conexão com Minas Gerais por meio da chamada Ferrovia do Aço. Sua capacidade total permite movimentar até 50 milhões de toneladas por ano em granéis sólidos e líquidos, embora a operação atual esteja em cerca de metade desse volume.

Além do minério de ferro, o terminal vem recebendo investimentos para ampliar sua atuação no setor de petróleo e gás.

Vale e Gerdau aparecem entre interessadas

Os interessados no ativo estão divididos em dois grupos. A Global Infrastructure Partners (GIP), controlada pela BlackRock, se associou à Vale e à Gerdau para avaliar a compra.

Do outro lado, a americana Stonepeak se uniu à australiana M Resources, ligada ao setor de commodities.

A disputa mostra o interesse crescente por ativos de infraestrutura no Brasil. Para investidores estrangeiros, o porto representa uma forma de ampliar presença no país. Para produtoras de commodities, o ativo pode garantir alternativas logísticas para o escoamento da produção.

Infraestrutura brasileira no radar

A GIP, que lidera um dos grupos interessados, foi comprada pela BlackRock em 2024. Desde então, ampliou sua presença no Brasil, incluindo investimentos em data centers e energia renovável.

O grupo também se tornou sócio da Vale na Aliança Energia e tem negócios no país por meio da Atlas Renewable, com carteira de usinas solares e eólicas na América Latina.

A Stonepeak, por sua vez, é uma gestora americana focada em infraestrutura e ativos reais. O grupo tem cerca de US$ 88 bilhões sob gestão e anunciou, em janeiro, a compra de participação da CMA CGM no Tecon Santos, em uma transação global que envolveu dez terminais portuários.

Após uma década de operação, investimentos e aumento gradual da ocupação do terminal, Mubadala e Trafigura decidiram colocar o Porto Sudeste à venda. Goldman Sachs, UBS e Bradesco BBI assessoram os vendedores na transação.

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