Após excomunhões, veja onde assistir à Missa Tridentina em plena comunhão com a Igreja Católica no Grande Rio


Missa Tridentina, com Padre José Edilson / Foto: Missa Tridentina RiO

A recente declaração da Santa Sé sobre a situação canônica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), seguida da nota oficial divulgada pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, reacendeu dúvidas entre muitos católicos ligados à liturgia tradicional, celebrada de acordo com a forma anterior ao Concílio Vaticano II: afinal, quem aprecia a Missa Tridentina pode continuar participando desse rito? E onde encontrar celebrações em plena comunhão com a Igreja, em tempos de excomunhão da Fraternidade?

A resposta é sim.

A própria Arquidiocese do Rio afirma que os fiéis que nutrem apreço pela forma antiga do Rito Romano continuam encontrando acolhida pastoral em celebrações legitimamente autorizadas, acompanhadas por sacerdotes idôneos e em plena comunhão com o Papa e os bispos da Igreja Católica Romana. Ao mesmo tempo, orienta os católicos a não participarem de celebrações organizadas pela Fraternidade São Pio X após os recentes acontecimentos, reafirmando que a unidade da Igreja é um bem precioso a ser preservado.  

Foi pensando justamente nesses fiéis que o Diário do Rio preparou um guia com os locais onde a Missa Tradicional é celebrada regularmente no Grande Rio, segundo informações fornecidas pela Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney e pela Delegação para os Fiéis Vinculados ao Rito Romano anterior à Reforma Litúrgica de 1970 da Arquidiocese.

Afinal, o que é a Missa Tridentina?

Ao contrário do que muita gente imagina, a Missa Tridentina não é simplesmente uma Santa Missa celebrada em latim. O latim é apenas uma das características da forma antiga do Rito Romano. O que a distingue é um conjunto próprio de orações, gestos, rubricas e estrutura litúrgica, preservados no Missal Romano de 1962, anterior à reforma promovida após o Concílio Vaticano II.

Por isso, uma missa pode ser celebrada em latim e não ser tridentina. É o caso, por exemplo, das Missas Solenes com Coral e Orquestra celebradas sábados e domingos ao meio-dia na Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, no Centro do Rio, celebradas segundo o rito atual da Igreja Católica — o chamado rito de São Paulo VI, decorrente da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II — mas integralmente em latim.

Outra ideia bastante difundida é chamar a Missa Tridentina de “missa de costas para o povo”. A expressão, embora comum, simplifica excessivamente a questão. Na forma antiga do rito, o sacerdote celebra obrigatoriamente voltado para o altar-mor — tradicionalmente orientado para simbolizar a direção da oração —, conduzindo espiritualmente a assembleia em direção a Deus. Por isso, muitos liturgistas preferem a expressão em latim ad orientem (“voltado para o Oriente”), em vez de “de costas”, já que o sentido da posição é teológico e não de afastamento da comunidade. Inclusive, ainda hoje é permitido e usual celebrar a Missa “de frente pro altar”.

O que aconteceu com a Fraternidade São Pio X?

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi fundada em 1970 por Dom Marcel Lefebvre, com o objetivo de preservar a formação sacerdotal tradicional e a liturgia segundo o Missal Romano de 1962, conhecido popularmente como Missa Tridentina.

Ao longo das décadas, a relação entre a Fraternidade e a Santa Sé passou por momentos de forte tensão e também de aproximação. Em 1988, as sagrações episcopais realizadas sem mandato pontifício provocaram uma grave ruptura. Nos anos seguintes, especialmente durante os pontificados de Bento XVI e Francisco, houve diversas iniciativas de diálogo e concessões pastorais, na esperança de uma plena reconciliação.

Entretanto, em julho de 2026, novas consagrações episcopais sem autorização do Papa Leão XIV levaram o Dicastério para a Doutrina da Fé a declarar as consequências canônicas desse ato, considerado de natureza cismática, e punido com a excomunhão. Em seguida, a Arquidiocese do Rio publicou uma nota reafirmando a necessidade de comunhão com o Santo Padre e orientando os fiéis a não participarem de celebrações promovidas pela Fraternidade, convidando-os a buscar comunidades amantes da liturgia antiga mas plenamente integradas à vida da Igreja.  

A liturgia tradicional continua viva

Um dos principais receios entre muitos católicos foi imaginar que a Missa Tridentina teria deixado de existir ou de ser autorizada. Não é o caso.

Em um artigo publicado dia 2/7 nas redes sociais, que alcançou dezenas de milhares de visualizações, o monsenhor André Sampaio de Oliveira, delegado da Arquidiocese para os Fiéis Vinculados ao Rito Romano anterior à Reforma Litúrgica de 1970, procurou justamente dissipar essa confusão.

Segundo ele, “a Tradição Católica não é propriedade da Fraternidade. A Missa antiga não está morta. A Igreja Católica não deixou de ser Igreja.”

O sacerdote também faz um apelo para que os fiéis não confundam o apreço pela liturgia tradicional com uma ruptura com a comunhão e a unidade da Igreja. Em uma das passagens mais significativas de seu texto, reconhece que muitos católicos receberam frutos espirituais por meio da Fraternidade, mas recorda que “esse bem não deve ser negado. Mas o bem recebido não pode se tornar uma corrente. A gratidão não pode se transformar em adesão a uma ruptura.”

Outro trecho resume o espírito pastoral que inspira a orientação da Arquidiocese:“Os fiéis simples devem ser ajudados, não insultados. Devem ser acompanhados, não arrastados para a militância.”

Essa mesma linha aparece nas mensagens encaminhadas pelo monsenhor André ao Diário do Rio, nas quais afirma que a Igreja “como mãe deseja acolher a todos aqueles que querem viver em plena comunhão com o Magistério”, ressaltando que o objetivo é oferecer aos fiéis ligados ao rito antigo um caminho de acolhimento e unidade.

Muito além de uma preferência litúrgica

A nota da Arquidiocese enfatiza que o apreço pela forma antiga do Rito Romano não justifica qualquer ruptura com a comunhão eclesial. Pelo contrário, recorda que existem comunidades e sacerdotes que celebram regularmente segundo o Missal de 1962 permanecendo plenamente unidos ao Papa e aos bispos. 

Na prática, isso significa que o fiel não precisa abrir mão da liturgia tradicional para permanecer em comunhão com a Igreja.

Guia do Diário do Rio

Onde assistir à Missa Tridentina no Grande Rio

Município do Rio de Janeiro

Venerável Irmandade de São Pedro, Príncipe dos Apóstolos
Avenida Paulo de Frontin, 566 – Rio Comprido
Domingos, às 8h

Igreja de São Pedro
Avenida de Santa Cruz, 11.664 – Santíssimo (Senador Vasconcelos)
Domingos, às 17h

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Paula
Largo de São Francisco de Paula – Centro
Quartas-feiras, às 8h30
Primeira sexta-feira de cada mês, às 8h30

Capela Santa Teresinha
Praça Desembargador Araújo Jorge – Barrinha, Barra da Tijuca
Primeiro sábado de cada mês, às 9h

Nova Iguaçu

Capela São José
Rua Teixeiras, 31 – Caiçara
Domingos, às 7h

Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e São Judas Tadeu
Rua Taubaté, 12 – Rodilândia
Domingos, às 9h30

Confissões: os sacerdotes atendem confissões antes e após todas as celebrações.

Sacerdotes celebrantes: Padre José Edilson de Lima, Padre Rafael Lugão e Padre Wanderson, da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.

Uma Igreja que continua de portas abertas

Mais do que uma notícia sobre um episódio disciplinar, a orientação divulgada pela Arquidiocese procura transmitir uma mensagem pastoral: a Igreja deseja preservar a unidade sem abandonar aqueles que, há muitos anos, encontraram na liturgia tradicional um caminho de espiritualidade.

Por isso, enquanto reafirma a necessidade da plena comunhão com o Papa – tido pelos católicos como o Sucessor de Pedro – também faz um convite explícito aos fiéis para que permaneçam unidos à Igreja e encontrem, nas comunidades legitimamente autorizadas, um ambiente de acolhimento, oração e fidelidade à tradição litúrgica católica. É essa mesma perspectiva que norteia o trabalho do delegado arquidiocesano para os fiéis ligados ao rito antigo: demonstrar que é possível conservar o amor pela Missa Tradicional permanecendo integralmente em comunhão com a Igreja Católica. 

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