
O mercado de marketing de afiliados vive um momento de expansão, com o avanço do consumo digital e a profissionalização do setor. Esse crescimento, no entanto, vem acompanhado de uma mudança de cenário: não basta mais gerar tráfego, é preciso conquistar confiança.
Com mais players disputando espaço e consumidores cada vez mais informados, a credibilidade do afiliado passou a pesar tanto quanto o volume de cliques gerados. Assim, essa transformação reposiciona o papel do afiliado dentro da cadeia de valor do comércio digital.
Mercado de afiliados em expansão acelerada
Uma estimativa da Global Growth Insights situou o mercado global de afiliados em US$ 23,37 bilhões em 2025. A projeção do estudo é que o setor alcance US$ 93,11 bilhões até 2033, com crescimento sustentado por uma taxa média anual de 18,86%.
Esse ritmo de expansão se relaciona com a migração de orçamentos antes destinados à mídia tradicional, baseada em exposição, para modelos de performance.
O relatório anual de receita de publicidade na internet do IAB, em parceria com a PwC, aponta que a chamada commerce media, definida pelo próprio relatório como um canal central de performance, cresceu 18% em 2025.
Esse novo critério de remuneração favorece justamente os formatos que já operam dentro dessa lógica: criadores de conteúdo, comparadores de preços e portais especializados. O mesmo levantamento do IAB mostra que a publicidade feita por criadores de conteúdo somou US$ 37 bilhões em 2025, crescendo mais rápido do que o mercado publicitário como um todo.
Como consequência, esses canais deixaram de ser um complemento pontual às campanhas e passaram a ocupar um espaço estrutural dentro do orçamento de aquisição de clientes. Setores como e-commerce, turismo, educação online e serviços financeiros já contam com esse tipo de parceria para atrair e converter público qualificado.
Da geração de tráfego à construção de marca
Esse movimento de crescimento trouxe também uma cobrança maior sobre quem atua como afiliado. Para Matheus Bastos, especialista de iGaming da Matching Visions Brasil, o setor amadureceu e ficou mais seletivo.
“O mercado ficou mais profissional e, consequentemente, mais exigente. Antes, muitos afiliados conseguiam crescer explorando tendências de curto prazo. Agora, a construção da marca, credibilidade e relacionamento com a audiência ganham ainda mais relevância”, afirma.
Isso significa que as estratégias baseadas apenas em volume de tráfego perdem espaço para abordagens que priorizam autoridade e relacionamento de longo prazo com a audiência, especialmente para quem é afiliado de iGaming.
Conteúdo educativo, comparativos transparentes e análises aprofundadas exemplificam essa mudança: rendem mais resultado do que campanhas genéricas de curto prazo, porque ajudam o afiliado a reter audiência por mais tempo e a converter com taxas mais consistentes.
Credibilidade como ativo estratégico do afiliado
A confiança do consumidor passou a ser tratada como ativo de negócio. Cada indicação feita por um afiliado carrega, junto, parte da credibilidade da marca recomendada.
“Quando um afiliado promove uma marca, ele não está apenas direcionando tráfego, mas também está associando sua credibilidade à experiência que o usuário vai ter com aquela empresa”, afirma Bastos.
Essa lógica explica por que marcas de diferentes setores têm se tornado mais criteriosas na escolha de parceiros, priorizando afiliados com histórico consistente de transparência e comunicação responsável com o público.
A partir disso, surgem mudanças concretas: revisões mais criteriosas de plataformas, comunicação clara sobre termos e condições, e disposição para apontar limitações de uma marca quando elas existem.
Regulação avança e exige mais transparência dos afiliados
A pressão regulatória também aumentou. Em maio de 2026, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) publicou uma nova versão do Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais, com vigência desde junho, substituindo a edição lançada em 2020.
Pela primeira vez, o documento passa a tratar os afiliados como categoria própria dentro da cadeia da publicidade digital. Agora, esses profissionais são definidos como agentes que divulgam ofertas e são remunerados conforme o engajamento gerado, seja por clique, venda ou outra métrica acordada.
O recado central do guia é direto: “a remuneração por performance não exclui a natureza publicitária do conteúdo”. Ou seja, links rastreáveis e cupons comissionados também precisam ser identificados de forma clara ao consumidor, sob risco de violar as normas de autorregulamentação do setor.
Para o mercado, a atualização reforça o que já vinha se desenhando: a transparência passou a ser um pré-requisito para qualquer afiliado que queira se manter relevante e confiável perante o público.
Disputa pela confiança deve se intensificar
Com o setor projetado para mais que quadruplicar até 2033, a tendência é que a disputa por espaço entre afiliados se torne ainda mais acirrada, e cada vez menos centrada apenas em métricas de tráfego.
Essa disputa passa a ocorrer sob um patamar mais alto de exigência regulatória e editorial. Com o CONAR tratando os afiliados como categoria própria e marcas cada vez mais seletivas na escolha de parceiros, sobra menos espaço para quem trata a indicação como simples distribuição de links.
Marca, transparência e relacionamento com a audiência despontam como os novos diferenciais competitivos. Sai na frente o afiliado que consegue unir performance a uma reputação sólida perante o consumidor.















































































































