
Há restaurantes em que a vista é a grande estrela. Outros conquistam pelo serviço ou pela cozinha. O Tato, de frente para a Praia de Copacabana, consegue equilibrar bem o cenário com uma atmosfera descontraída, perfeita para esticar uma conversa ao pôr do sol acompanhada de um bom drinque.
O melhor da experiência começa antes dos pratos principais. O dadinho de tapioca com steak tartare (R$ 78), servido em seis unidades, é daqueles petiscos que desaparecem da mesa em poucos minutos. Para duas pessoas, três unidades para cada parecem insuficientes — um bom sinal. Crocante por fora, macio por dentro e com o tartare bem temperado, é o tipo de entrada que justifica a visita.
Outro acerto é o pão de alho com camarão, generoso, saboroso e executado com capricho, equilibrando a intensidade da manteiga de alho com o frescor dos frutos do mar. Já o queijo brie com mel trufado, amêndoas e pão de fermentação natural entrega exatamente o que promete: cremosidade, boa matéria-prima e uma combinação difícil de errar.
Quando chegam os pratos principais, porém, a cozinha parece perder um pouco do brilho. Embora o cardápio reúna opções como bobó de camarão, polvo com nhoque, chorizo e tornedor de mignon, faltou impacto nos sabores para transformar a refeição em algo memorável. São pratos corretos, mas que não alcançam o nível das entradas.
A cozinha recupera o fôlego na reta final. A torta basca de chocolate com caramelo salgado e sorvete de creme é daquelas sobremesas que fazem valer cada caloria, equilibrando amargor, doçura e textura. A esfera de chocolate, servida com brownie, sorvete e calda quente, também cumpre bem o papel de fechar a refeição em alta. Sinceramente? Achei essas duas sobremesas muito acima da média em sabor e execução.
A carta de drinques acompanha o clima do endereço, com clássicos e receitas autorais com personalidade. Para quem curte um drink sem álcool – também chamado de mocktail – afirmo que tomei os melhores e mais criativos que vi até o momento aqui no Rio.
Pedir um coquetel – com ou sem álcool – e beliscar as entradas enquanto o movimento da Avenida Atlântica segue em frente ao salão talvez seja a melhor forma de aproveitar o restaurante. Vá sem pressa, escolha algumas entradas para compartilhar, emende uma boa sobremesa e aproveite a vista. Em alguns restaurantes, essa combinação já é motivo suficiente para voltar.
















































































































