
A Polícia Civil do Rio de Janeiro criou uma estrutura exclusiva para investigar e combater o uso de drones por organizações criminosas. A Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas foi implantada em março para acompanhar a utilização desses equipamentos e impedir que sejam empregados em ações violentas.
A medida foi adotada após uma sequência de ocorrências envolvendo drones operados por facções. Os equipamentos, que inicialmente eram usados para monitorar a movimentação de policiais e grupos rivais, passaram a ser incorporados em ataques com explosivos em áreas de disputa territorial.
Um dos casos mais recentes ocorreu em Curicica, na Zona Sudoeste do Rio. No dia 13 de julho, durante um confronto entre grupos criminosos que disputam o controle da região, um artefato lançado por um drone atingiu o telhado de uma residência. A investigação da Polícia Civil confirmou que o explosivo havia sido transportado pelo equipamento.
A área já havia registrado outro episódio semelhante meses antes, quando um drone foi utilizado para lançar um artefato contra um veículo blindado da Polícia Militar. Apesar da gravidade das ocorrências, ninguém ficou ferido.
As investigações passaram a analisar a utilização dos equipamentos aéreos como uma nova ferramenta para ampliar o alcance das ações criminosas e dificultar a atuação das forças de segurança.
Drones já foram usados contra policiais
O uso dos equipamentos em ataques também foi registrado durante operações realizadas na capital fluminense. Em outubro do ano passado, durante uma ação nos complexos da Penha e do Alemão, policiais foram alvo de artefatos explosivos lançados por drones enquanto as equipes atuavam nas comunidades.
Outro episódio aconteceu em maio deste ano, em Brás de Pina, na Zona Norte. Um adolescente de 15 anos ficou ferido após ser atingido por um explosivo com pregos lançado por um drone em uma comunidade da região. O jovem sofreu uma fratura na perna.
Polícia investiga treinamento de criminosos
Além dos ataques já registrados, a Polícia Civil apura informações sobre uma possível busca por treinamento internacional para operação desses equipamentos. As investigações analisam a suspeita de que integrantes de facções tenham viajado para a Ucrânia para aprender técnicas relacionadas ao uso de drones.
De acordo com a corporação, os grupos criminosos utilizam diferentes modelos de aeronaves não tripuladas, desde equipamentos menores até modelos de maior porte, semelhantes aos usados em atividades agrícolas.
Com a criação da nova coordenadoria, a Polícia Civil pretende ampliar o monitoramento desses equipamentos, identificar operadores e desenvolver estratégias para impedir que drones sejam utilizados como instrumentos de ataque pelo crime organizado.















































































































