
Você tentou contratar um consignado, chegou até o fim da simulação e recebeu a mensagem de que o benefício estava bloqueado. Não foi erro do banco nem falha do sistema.
Uma pesquisa realizada pela datatudo, no blog da meutudo em março de 2026, mostra que mais da metade dos beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) já passou pela mesma situação.
A seguir, entenda por que este bloqueio existe, o que mudou na prática desde que a regra entrou em vigor e como desbloquear o benefício antes de fechar um novo contrato.
Por que o consignado bloqueia sozinho agora
Esse bloqueio automático existe para dificultar fraudes e descontos indevidos no consignado do INSS. Nos últimos anos, contratos fechados sem o conhecimento do titular, muitas vezes por telefone ou com procuração, geraram prejuízo a milhares de beneficiários.
De acordo com a mesma pesquisa, 77% dos beneficiários já sabiam que o antigo bloqueio mensal do consignado seria substituído por um bloqueio acionado a cada nova contratação.
A mudança faz parte de um pacote de segurança mais amplo, que também passou a exigir biometria para confirmar qualquer operação.
Na prática, isso significa que o benefício fica bloqueado por padrão e só é liberado quando o próprio titular autoriza o desbloqueio para aquela contratação específica.
O que mudou no bloqueio do consignado do INSS
Até pouco tempo atrás, o INSS usava um bloqueio mensal: o beneficiário podia ativar ou desativar o consignado uma vez por mês, e essa configuração valia para qualquer contratação feita dentro do período.
Essa regra foi substituída pela Lei nº 15.327/2026, sancionada em janeiro de 2026, cujas exigências de segurança passaram a valer oficialmente em 19 de maio de 2026.
Agora, cada contratação, refinanciamento ou portabilidade de consignado bloqueia automaticamente o benefício para novas operações.
Para desbloquear, é preciso um novo procedimento a cada vez, feito exclusivamente pelo próprio titular, por biometria facial ou digital.
A lei também proibiu a contratação ou o desbloqueio por telefone ou por procuração de terceiros, o que reduz o espaço para fraudes envolvendo pessoas que nunca autorizaram o crédito.
52% dos beneficiários já tentaram contratar e encontraram o benefício bloqueado
Para muita gente, esbarrar no bloqueio não é hipótese, é experiência recente.
No levantamento da datatudo, 52% dos beneficiários contaram que já tentaram contratar um empréstimo consignado e encontraram o benefício bloqueado; e 15% conseguiram fechar a operação, mas o bloqueio atrasou o processo.
Ou seja, o bloqueio já afeta diretamente a maioria de quem de fato buscou o consignado nesse período: quem tentou contratar e esbarrou no bloqueio é bem mais numeroso do que quem nem chegou a tentar nessas mesmas semanas.
Não conseguir contratar na hora é a maior preocupação com o novo modelo
Ficar com o crédito atrasado ou impedido justamente no momento em que mais precisa é o que mais preocupa quem já ouviu falar do novo modelo.
A pesquisa da datatudo também perguntou* quais são as maiores preocupações dos beneficiários com o novo modelo de bloqueio e chegou a este retrato:
- Não conseguir contratar na hora (25%): o receio de perder a oportunidade justamente quando o crédito é mais necessário.
- Demora no processo (22%): o tempo entre pedir o desbloqueio e conseguir de fato contratar.
- Falhas no sistema (21%): instabilidade no aplicativo ou no site do Meu INSS.
- Problemas com a biometria (11%): dificuldade para o reconhecimento facial ou digital funcionar.
- Dificuldade de acesso, como senha ou login (10%): travas para simplesmente entrar na conta.
- Ter que repetir informações (8%): repetir dados que o INSS já deveria ter.
- Prefiro que fique bloqueado por segurança (2%): poucos veem o bloqueio como problema.
*Pergunta de múltipla escolha, então os percentuais não somam 100%.
Apesar da lista de receios, chama atenção que a maioria das preocupações gira em torno da experiência de uso, não da segurança da regra em si.
Isso sugere que o desafio agora é tornar o desbloqueio mais rápido e estável, não abrir mão da proteção que ele oferece.
Biometria: a maioria já sabe usar, mas nem todo mundo consegue sem ajuda
Como o desbloqueio e a confirmação da contratação dependem de biometria, o cadastro facial ou digital deixou de ser um detalhe técnico e virou pré-requisito para usar o consignado.
A boa notícia é que a maior parte dos beneficiários já passou por essa etapa, mas a experiência de quem já usa o recurso ainda é desigual.
69% dos beneficiários já cadastraram a biometria facial ou digital
Segundo a mesma pesquisa, cerca de 2 em cada 3 beneficiários já realizaram o cadastro da biometria facial ou digital para acessar os serviços do INSS; o restante ainda não passou por essa etapa.
Ou seja, o cadastro biométrico já deixou de ser exceção entre os beneficiários, o que tende a reduzir o atrito na hora de desbloquear o benefício para quem já passou por essa etapa.
16% relatam erros frequentes ao usar a biometria
Entre quem já usa a biometria no dia a dia, a maioria consegue sozinha: para cada beneficiário que ainda depende de ajuda o tempo todo, mais de cinco conseguem usar o recurso sem apoio nenhum.
Já 16% relatam que o sistema apresenta erros frequentes ao tentar cadastrar ou usar o recurso, e 13% não utilizam por não saber como cadastrar.
Esses números mostram que, embora a biometria já seja familiar para a maioria, ainda existe uma parcela relevante de beneficiários que precisa de apoio, seja de um familiar de confiança, seja de um canal oficial do INSS, para não ficar impedida de contratar por um problema técnico.
Para 62% o novo bloqueio trouxe mais controle e segurança
Mesmo com as dificuldades relatadas no sistema, a percepção geral sobre a mudança é majoritariamente positiva.
A pesquisa datatudo aponta que 62% dos beneficiários avaliam que o novo modelo melhora sua experiência, por trazer mais controle e segurança sobre o próprio benefício.
Ainda assim, prevalece a sensação de que vale a pena passar por uma etapa extra: para cada beneficiário que considera o novo desbloqueio complicado, quase três avaliam que a mudança trouxe mais controle e segurança, e uma parcela um pouco menor diz simplesmente não sentir diferença no dia a dia.
Passo a passo: como desbloquear o benefício pelo Meu INSS
Antes de simular ou fechar qualquer empréstimo consignado, é sempre bom confirmar se o benefício está desbloqueado. O procedimento é simples e leva poucos minutos:
- Acesse o Meu INSS: entre pelo aplicativo ou pelo site, usando sua conta gov.br
- Abra “Novo Pedido”: procure essa opção no menu principal
- Selecione “Bloquear/Desbloquear Benefício para Empréstimo Consignado”: essa é a função que libera o benefício para uma nova contratação
- Confirme com biometria facial: só o titular do benefício pode fazer essa confirmação, sem uso de procuração
Esse passo precisa ser feito antes de iniciar a contratação em qualquer instituição financeira, não depois.
Com o benefício desbloqueado, você já pode seguir para contratar seu empréstimo consignado na instituição de sua escolha.
Depois de desbloquear, falta a anuência digital: você tem 5 dias para confirmar
Desbloquear o benefício resolve só a primeira parte do processo.
Depois de fechar a proposta com o banco, o contrato aparece no Meu INSS com o status “pendente de confirmação“, e o titular tem até 5 dias corridos para confirmar a operação por biometria facial.
Se esse prazo passar sem a confirmação, o contrato é cancelado automaticamente e a margem consignável volta a ficar disponível.
Importante: só o próprio titular pode confirmar essa etapa; nenhum representante legal está autorizado a fazer isso em seu lugar.
Ainda segundo o levantamento da datatudo, apenas 43% dos beneficiários disseram já saber dessa exigência de anuência digital antes de responderem à enquete, o que reforça por que é importante entender essa etapa antes de contratar.
Como contratar sem cair no bloqueio de novo
Agora que o mecanismo está definido, algumas atitudes simples ajudam a evitar surpresas na hora de contratar:
- Confira se o benefício está desbloqueado antes de negociar: faça isso pelo Meu INSS antes mesmo de simular o crédito com qualquer instituição
- Fique de olho no prazo de 5 dias da anuência: perder esse prazo cancela o contrato e obriga a recomeçar todo o processo
- Busque ajuda se tiver dificuldade com a biometria: conte com alguém de confiança ou com os canais oficiais do INSS, nunca com terceiros que ofereçam para fazer o cadastro por você
O bloqueio automático incomoda quem está acostumado com o processo antigo, mas segui-lo à risca é o que garante que só o titular do benefício decide quando e com quem contratar o próprio consignado.















































































































