Itamaraty barra diplomatas dos EUA que vinham questionar eleições no Brasil

O Ministério das Relações Exteriores barrou formalmente a entrada de dois altos funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que planejavam viajar ao país a poucas semanas das eleições presidenciais de 2026. A diplomacia brasileira negou a concessão de vistos aos diplomatas norte-americanos Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente.

A decisão foi tomada na sexta-feira (24), horas antes de o jornal The Washington Post revelar que a dupla chefiava uma missão secreta da Casa Branca desenhada para colocar em xeque a transparência e a integridade das urnas eletrônicas brasileiras. A viagem dos emissários de Donald Trump estava agendada para ocorrer na véspera do primeiro turno do pleito, marcado para 4 de outubro.

Alerta prévio e missão considerada “inusitada”

Fontes diplomáticas confirmaram que o governo brasileiro já monitorava os passos da comitiva e foi alertado internamente sobre o caráter considerado “completamente inusitado” e fora dos padrões internacionais daquela missão.

Ao constatar o potencial risco de interferência externa na soberania nacional, o Palácio do Planalto e o Itamaraty agiram de forma preventiva para vetar o desembarque dos representantes em solo nacional.

Itamaraty diferencia observação internacional de ingerência política

Integrantes do corpo diplomático brasileiro enfatizaram que a medida drástica não fere a postura global do país em relação à transparência pública. A recusa dos vistos baseou-se em critérios estritamente institucionais:

  • Tradição mantida: O Brasil possui um histórico consolidado de cooperação e mantém as portas abertas para missões oficiais de observação eleitoral, como as da Organização dos Estados Americanos (OEA).
  • Desvio de finalidade: A análise de inteligência do Itamaraty concluiu que Barnes e Samson não atuariam como observadores técnicos isentos.
  • Outro papel: Fontes governamentais asseguram que a dupla exercia “outro papel”, voltado a agendas político-partidárias e interlocução com alas domésticas extremistas para inflamar narrativas de fraude.

Diante do cenário, pesou a determinação governamental de blindar o processo de votação contra questionamentos externos infundados, reafirmando que a organização, condução e validação do pleito são de competência exclusiva das instituições e das leis brasileiras. A negativa dos vistos eleva a crise diplomática entre Brasília e Washington ao patamar mais agudo em décadas.

 



Diario Regional RJ

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