Cafés especiais do Rio chegam a restaurantes de Ipanema em evento que valoriza produtores fluminenses


Café_Pelegrini_MarcosFernandoPelegrini_credito Zô Guimarães

Embora o café esteja entre os símbolos da cultura brasileira, a produção de cafés especiais do Estado do Rio de Janeiro ainda é pouco conhecida pelo grande público. Com a proposta de aproximar consumidores, restaurantes e produtores locais, o Instituto Bazzar promove, entre os dias 24 e 26 de julho, a primeira edição do Café de Origem RJ, evento que levará uma seleção de cafés fluminenses para nove restaurantes da Rua Garcia d’Ávila, em Ipanema.

Durante os três dias, os estabelecimentos participantes oferecerão uma carta exclusiva com grãos produzidos no Noroeste Fluminense, principal polo cafeeiro do estado. A iniciativa também inclui materiais informativos para o público e treinamento das equipes dos restaurantes, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre os cafés especiais produzidos no Rio de Janeiro.

Os cafés selecionados são Marteline, da Fazenda São Mamede, Manduca, da Fazenda Cachoeira, ambos em Porciúncula, e Pelegrini, do Sítio Arataca, em Varre-Sai. A escolha foi resultado de um ano de visitas técnicas realizadas pelo Instituto Bazzar às propriedades da região para acompanhar todas as etapas da produção.

Os cafés Marteline e Manduca apresentam perfil sensorial mais próximo do paladar tradicional brasileiro, com maior doçura e notas mais suaves. Já o Pelegrini passa por um processo controlado de fermentação durante o pós-colheita, que confere características mais complexas, com notas frutadas e maior intensidade aromática.

Segundo dados da Emater-Rio, o Noroeste Fluminense concentra mais de 80% da produção cafeeira do estado, reunindo 2.674 produtores, em sua maioria ligados à agricultura familiar.

“Como a maior parte da produção cafeeira do estado está localizada no Noroeste Fluminense, divulgar essa região é incentivar ainda mais o café de qualidade que vem sendo cultivado ali”, afirma o torrefador, instrutor e consultor de cafés especiais Felipe Bonato.

Para a fundadora do Instituto Bazzar, Cristiana Beltrão, um dos desafios é ampliar o reconhecimento da produção fluminense. Segundo ela, muitos moradores do próprio estado desconhecem a qualidade dos cafés produzidos no interior.

— Um dos desafios é fazer com que o fluminense enxergue o Rio como origem de cafés especiais de excelência. O café também pode ser um importante ativo do turismo gastronômico do estado, já que está entre os produtos mais associados à gastronomia brasileira por visitantes estrangeiros, ao lado da cachaça e do açaí — afirma.

Ela destaca ainda que os cafés selecionados apresentam características comuns, como doçura marcante, acidez equilibrada e notas de chocolate e amêndoas.

O que caracteriza um café especial

Diferentemente do café tradicional, o café especial não depende apenas da variedade do grão. O reconhecimento leva em conta todo o processo produtivo, desde o manejo da lavoura até os métodos de colheita e pós-colheita. Para receber essa classificação, o produto precisa alcançar mais de 80 pontos, em uma escala de 100 da Specialty Coffee Association (SCA), após avaliação realizada por provadores certificados.

Nos últimos anos, produtores do Rio de Janeiro vêm conquistando espaço em concursos nacionais e estaduais, reforçando a qualidade da produção fluminense.

Entre os cafés presentes no evento, o Marteline acumula títulos como primeiro lugar na categoria de melhor café torrado para espresso do Rio Coffee Nation (2020, 2023 e 2024) e o segundo lugar no Prêmio de Excelência dos Cafés do Rio de Janeiro de 2026.

O Pelegrini foi eleito o terceiro melhor café do estado em 2025, venceu o Concurso de Cafés Especiais de Varre-Sai e integrou a lista dos 150 melhores cafés brasileiros no Coffee of The Year Brasil.

Já o Manduca conquistou o primeiro lugar no Concurso de Cafés Especiais de Porciúncula, além de vitórias consecutivas em concursos de torra realizados em Varre-Sai e Santa Clara.

Restaurantes participantes

Os cafés poderão ser degustados nos seguintes estabelecimentos da Rua Garcia d’Ávila:

  • Alessandro & Frederico: Rua Garcia d’Avila, 134  
  • La Carioca Cevicheria: Rua Garcia d’Avila, 173 – Loja A  
  • Mil Frutas: Rua Garcia d’Avila, 134 – Loja A    
  • Momo Gelato: Rua Garcia d’Avila, 83  
  • Nôa: Rua Garcia d’Avila, 135    
  • Rudä: Rua Garcia d’Avila, 118    
  • SO_Lo: Rua Garcia d’Avila, 147 – Loja B  
  • Venga!: Rua Garcia d’Avila, 147 
  • Via Sete: Rua Garcia d’Avila, 125

A realização é do Instituto Bazzar, com apoio da Associação dos Lojistas e do Polo Turístico e Gastronômico da Rua Garcia d’Ávila.

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