Tolerância Zero ganha reforço contra ‘máfia do asfalto’ na Zona Sul e causa prejuízo de 665mil ao comércio ilegal


Foto: Rafael Catarcione/Prefeitura do Rio

Em uma resposta direta à escalada da violência e ao avanço do crime organizado sobre o espaço público, a Prefeitura do Rio e o Governo do Estado anunciaram, nesta segunda-feira (03/08), a expansão do Programa Tolerância Zero. A partir de quarta-feira (05/08), a força-tarefa deixa de atuar apenas no calçadão e avança sobre os corredores viários e vias de acesso da orla da Zona Sul.

A nova fase abrangerá artérias vitais do tráfego local, como a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, Avenida Rainha Elizabeth, Rua Prudente de Moraes e Avenida General San Martin. O objetivo é estrangular a logística do comércio ambulante ilegal, que já causou prejuízos calculados em R$ 655 mil mensais às estruturas clandestinas, e coibir crimes de oportunidade, como furtos, roubos e arrastões.

O contingente mobilizado impressiona: serão 1.435 agentes atuando diariamente, sendo 843 policiais militares, 540 agentes de ordem pública (SEOP) e 52 guardas municipais.

Máfia das Barracas e Logística do Tráfico

Longe de ser uma repressão pontual ao pequeno trabalhador informal, o foco do poder público está voltado para o que a gestão municipal classifica como uma “atividade econômica estruturada” alimentada pelo crime organizado. As investigações já mapearam mais de 22 depósitos clandestinos que abastecem o comércio ilegal na praia.

Desde a segunda fase do programa, iniciada no final de julho, as equipes já recolheram 15 toneladas de equipamentos e 55 kg de alimentos impróprios para consumo.

“Não se trata apenas de um vendedor ambulante ou de uma ação isolada. Existe escala, padronização e uma logística de distribuição bem definida que gera muita receita para o crime”, destacou o prefeito Eduardo Cavaliere.

Cerco às Motos e Reação Armada na Zona Sul

Uma das maiores novidades operacionais da expansão será a realização de blitzes itinerantes e diárias focadas na fiscalização de motocicletas, identificadas pelos setores de inteligência como o principal meio de transporte utilizado por criminosos para cometer assaltos rápidos e fugir para as comunidades vizinhas.

A medida é reflexo de episódios recentes de violência explícita que assustaram a Zona Sul. Entre eles, o tumulto generalizado no Arpoador (21/07) e o ataque a uma viatura da Seop incendiada na Praça Serzedelo Corrêa, em Copacabana, na noite do dia 23 de julho.

As investigações da Polícia Civil revelaram uma dinâmica gravíssima: criminosos foram pagos pelo tráfico do Pavão-Pavãozinho para descer o morro com a missão exclusiva de destruir o patrimônio público em retaliação às apreensões. Dos cinco envolvidos no ataque à viatura, dois foram presos, e confessaram ter recebido dinheiro para cometer o crime, e um terceiro já foi identificado pela 12ª DP.

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