
A alta do ouro tem gerado uma nova dinâmica nos crimes de rua no Rio de Janeiro, com integrantes de quadrilha atacando as vítimas implacavelmente em busca de joias feitas com o metal.
O RJ2 identificou mais um passo nessa dinamização. Agora, assim como no tráfico de drogas, os saqueadores também contam com olheiros nas vias públicas para a identificação de potenciais vítimas.
O aumento e a virulência desse tipo de ataque também têm afetado a rotina de joalherias que, amedrontadas, passaram a adotar medidas de segurança específicas para reduzir o risco de assaltos.
Inúmeros foram os casos de pedestres que tiveram as suas joias de ouro roubadas nas vias públicas da capital. Em julho, um dos casos apontados pelo jornal foi o de Eduardo Pedrosa Alves, de 66 anos, que sofreu uma emboscada enquanto fazia compras em um supermercado no Recreio, na Zona Sudoeste.
O empresário, que usava um cordão de ouro, despertou a atenção dos bandidos, que sabiam inclusive os horários em que ele ia ao mercado. Imagens conseguidas pelo veículo mostram a vítima sendo monitorada.
No registro, Eduardo está na seção de hortifruti quando é visado por um homem, de camisa preta, calça e chinelo, que chega pelo corredor ao lado. Ao avistar Eduardo, o criminoso olha, fixamente para ele por cerca de 4 segundos.
De acordo com policiais envolvidos na investigação, o homem seria um dos olheiros da quadrilha que atua na região. O criminoso fixa o olhar na direção do pescoço da vítima, mais uma vez e de forma tão próxima, que um idoso até olha para ele.
Após Eduardo tomar distância, o olheiro pegou o celular e disse a um interlocutor que a vítima estava com um cordão grosso, contaram testemunhas à polícia.
Em outro vídeo, o empresário, que está na sessão de carnes, passa a ser monitorada por outro homem, que o ronda três vezes. A polícia investiga se foi ele quem recebeu a ligação do olheiro. A identidade dele não foi revelada, pois ele ainda não foi formalmente acusado, segundo o RJ2.
Em menos de meia hora, Eduardo, que guardava as compras no estacionamento, é atacado por uma dupla de moto, que aproveitou a cancela aberta por um carro e invadiu o local.
Na ação, o garupa desembarcou armado e anunciou o assalto. A vítima entrou luta com o assaltante, que atirou contra a sua barriga e fugiu sem o cordão. Mas, ao ver Eduardo caído, o criminoso voltou e puxou o cordão do seu pescoço, só conseguido arrancá-lo na segunda tentativa.
Socorrido por clientes, Eduardo Alves foi levado para um hospital particular da região, onde está no CTI, em quadro estável, após perder um rim e parte do pâncreas.
“Você ir para um supermercado 10 horas da manhã e tomar um tiro? É muito revoltante. Uma pessoa tentar matar o meu pai para tentar roubar um cordão. Não dá para entender isso”, disse ele à reportagem, completando: “O meu maior medo é que isso vire apenas mais uma estatística, que o caso nunca seja investigado e que ninguém esteja em busca da quadrilha que tentou matar o meu pai pra tentar roubar um cordão.”
Com informações do RJ2 e do g1.
















































































































