Casa Camolese: o prato com camarão que virou o campeão de pedidos no Jardim Botânico


Foto: Divulgação Camolese

Alguns restaurantes parecem ser feitos para uma refeição específica. A Casa Camolese, no Jockey Club Brasileiro, parece querer dar conta de várias delas. Almoço demorado, encontro no fim da tarde, jantar, drinque, show no Manouche. A gastronomia entra nesse cenário sem a pretensão de ser coadjuvante e alguns pratos deixam claro que a cozinha comandada pelo chef executivo Pedro Machado sabe onde quer chegar.

O começo pode ser com o Pão Balão com Mezze Camolese (R$ 74), daqueles pedidos que fazem sentido dividir. O pão, feito com a massa de pizza da casa, chega leve, inflado, com aquele vazio no centro que parece uma pequena provocação à fome. É o acompanhamento para o homus, preparado da maneira como os árabes de fato costumam comer: simples, cremoso e sem excessos. Aqui, o pão faz toda a diferença.

A burrata com pesto e trio de tomates ganha um contraponto interessante no chutney de tomate e maracujá. Bem feito, ele acrescenta doçura e acidez na medida e conversa especialmente bem com a cremosidade da burrata e o frescor dos tomates.

Entre as novidades do cardápio, o Arancini Carbonara (R$ 58) já ganhou fama de campeão de pedidos. O bolinho crocante de risoto traz no sabor aquilo que se espera de uma carbonara: queijo e ovo aparecem com clareza. A pimenta-do-reino, porém, fica mais discreta. Para quem gosta de um tempero mais incisivo, vale pedir uma dose extra à parte.

Mas é o Agnolotti Cacio e Pepe (R$ 118) que merece atenção especial. É a massa mais pedida da casa e não parece ser por acaso. O recheio de cacio e pepe divide a cena com camarões grelhados, e o resultado é daqueles pratos que ficam na memória.

O camarão tem sabor raro, profundo, do tipo que deixa saudade depois da última garfada. A massa não disputa espaço com ele. Ao contrário: funciona como moldura para um recheio opulento, saboroso e, felizmente, sem exagero. A pimenta entra no final, dando o empurrão que faltava. O broto de rúcula, além de colorir o prato, acrescenta uma nota fresca ao conjunto.

Outro prato que explica a popularidade da casa é o Mignon com mousseline trufada (R$ 120), o mais vendido do restaurante. É uma escolha para quem procura algo mais robusto. O molho e a mousseline carregam a trufa, enquanto o crocante de parmesão acrescenta textura e sal ao prato. Tem sabor forte e presença, não é daqueles principais que passam despercebidos na mesa.

A Casa Camolese tem ainda uma vantagem que não está necessariamente no prato: o entorno. Aos pés do Jardim Botânico e dentro do Jockey Club, o restaurante ocupa um espaço amplo, com jardins, bar e áreas destinadas a eventos. O projeto arquitetônico preserva elementos históricos e mistura a construção contemporânea à vegetação. É um cenário que convida a ficar.

E, se a ideia for levar um pedaço da casa para casa — ou escolher um presente com sotaque carioca — o limoncello Camolese (R$ 110) é uma boa lembrança. Entra na categoria dos pequenos luxos que fazem mais sentido quando a viagem até a mesa não termina na última garfada.

No fim, a Camolese funciona melhor quando não se tenta encaixá-la em uma única definição. É restaurante, bar, ponto de encontro e espaço cultural. Na cozinha, o melhor caminho está nas massas e nos pratos que equilibram conforto e personalidade. O agnolotti, sobretudo, não precisa de muita explicação: basta uma garfada.

Serviço:

Crédito da Foto: Wesley Diego

Endereço: Rua Jardim Botânico, 983 – Rio de Janeiro
Telefone: (21) 999953014
Funcionamento: Terça a quinta, das 12h às 23h. Sexta e sábado, das 12h à 0h30.
Domingo, das 12h às 19h.
Formas de Pagamento: Aceita todos os cartões de débito e crédito.
Capacidade: 300 lugares
Instagram: @casacamolese

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