
Um dos espaços mais movimentados do Rio começa a passar por uma mudança no consumo de água. A Orla Rio, concessionária responsável pela gestão de 309 quiosques nas praias cariocas, iniciou uma parceria com a Mamba Water para substituir gradualmente garrafas plásticas de água por latas de alumínio nos estabelecimentos da orla. A estimativa é que, somente neste ano, a iniciativa evite o consumo de cerca de 800 mil garrafas plásticas, o equivalente a aproximadamente oito toneladas de plástico.
A mudança começou por São Conrado, escolhido para receber um projeto piloto com a proposta de transformar a região em uma praia modelo de sustentabilidade. Depois, foi ampliada para Ipanema e Leblon e, segundo a Orla Rio, deverá avançar gradualmente para outras áreas da faixa litorânea.
A estratégia considera o grande fluxo de pessoas nas praias cariocas. De acordo com a Orla Rio, a orla recebe cerca de 7 milhões de pessoas por mês. O movimento tem impacto direto na geração de resíduos. Estudos recentes do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) sobre resíduos encontrados em praias brasileiras apontam o plástico como o material predominante nesses ambientes.
A parceria integra a Orla Impacto, plataforma criada pela concessionária para reunir projetos relacionados à preservação das praias, educação ambiental, gestão de resíduos, inclusão social e adoção de práticas sustentáveis.
“Na orla do Rio, temos um desafio constante na gestão de resíduos em um dos espaços públicos mais movimentados do país. Sabemos que uma parcela importante desse volume é composta por plástico e, por isso, acreditamos que a parceria com a Mamba Water representa um passo importante para transformar a forma como a água é consumida nas praias cariocas”, afirma João Marcello Barreto, CEO da Orla Rio.
Segundo ele, a expectativa é reduzir a quantidade de garrafas plásticas distribuídas na orla até o fim do ano. O executivo afirma ainda que a mudança não deverá representar impacto econômico negativo para os operadores dos quiosques.
Alumínio tem maior taxa de reciclagem
A substituição também aposta na capacidade de reciclagem do alumínio. Segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), o Brasil recuperou 97,3% das latas de alumínio para bebidas utilizadas no ano passado, índice que coloca o país entre os líderes mundiais nesse tipo de reciclagem.
Para efeito de comparação, a taxa de reciclagem de plástico pós-consumo no Brasil é de 24,4%, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).
A expectativa dos envolvidos é que a mudança de material também possa ampliar as oportunidades de trabalho e renda para catadores de latas, além de estimular a reciclagem e a chamada economia circular.
A iniciativa conta com a participação de empresas da cadeia de produção das latas, como a Ardagh Metal Packaging (AMP), fabricante de embalagens de alumínio para bebidas, e a Novelis, especializada em laminação e reciclagem de alumínio.
Cada lata vendida gera doação de água
Além da mudança na embalagem, a parceria está ligada ao projeto social da Mamba Water. A marca afirma que, a cada lata vendida, um litro de água é destinado a comunidades em situação de vulnerabilidade, por meio do Mamba Water Project, iniciativa voltada à ampliação do acesso à água potável.
A empresa também mantém uma atuação no Rio. Neste ano, em parceria com a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), dobrou a contribuição referente às latas comercializadas na Sapucaí: cada unidade vendida foi convertida em dois litros de água potável destinados a comunidades cariocas.
“Quando você vive a praia todos os dias, você entende que ela não é só cenário, mas a alma do Rio de Janeiro. Cada escolha ali tem impacto direto nesse espaço que tanta gente vive, frequenta e ama”, diz o surfista Pedro Scooby, sócio e embaixador da Mamba Water.
Fundada em 2022, a Mamba Water tem como sócios Pedro Scooby e Letícia Bufoni e se apresenta como a primeira marca brasileira de água a utilizar exclusivamente latas de alumínio desde sua criação. A empresa possui o Selo B, certificação concedida a companhias avaliadas por critérios de impacto social e ambiental, transparência e responsabilidade.
A substituição das embalagens na orla carioca será feita de forma gradual. A ideia é que o projeto avance a partir das áreas inicialmente escolhidas e alcance outras regiões das praias administradas pela concessionária ao longo do ano.
















































































































