
Uma das principais solenidades marianas do calendário católico ganhará uma celebração especial neste sábado, 15 de agosto, em pleno coração do Centro Histórico do Rio. A Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, na Rua do Ouvidor, celebrará às 12h15 uma Missa Solene pela Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, com liturgia em língua latina, grande coral e orquestra, flores, incenso e a utilização da histórica prataria sacra da antiga Irmandade dos comerciantes cariocas.
A celebração será presidida pelo Padre Vitor Pimentel Pereira e contará com o Coral Astorga, sob a regência da soprano Juliana Sucupira, acompanhado por grande orquestra. Por se tratar de uma igreja inteiramente marcada pela devoção mariana, a data tem significado especial para a Irmandade de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores e para a Venerável Liga dos Devotos de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, responsável por manter e organizar as Missas Solenes com coral e orquestra celebradas regularmente aos sábados e domingos, sempre ao meio-dia e quinze.
A própria tradição recente da Lapa dos Mercadores consolidou esse tipo de celebração como uma das atrações religiosas e culturais dos fins de semana no Centro. Nas Missas mais solenes, coral, grande orquestra, polifonia sacra, incenso, flores e objetos litúrgicos históricos procuram recuperar parte da atmosfera das grandes cerimônias que marcaram as antigas irmandades cariocas nos séculos XVIII e XIX.
Neste sábado, entretanto, a ligação da própria igreja com Nossa Senhora dará um caráter ainda mais especial à cerimônia. A Lapa dos Mercadores nasceu da devoção mariana dos comerciantes portugueses estabelecidos naquela região do Rio colonial e, quase três séculos depois, continua tendo a Virgem como centro de sua vida religiosa.
Antes da Missa, música, prata e o cerimonial na Rua do Ouvidor
A celebração começará, na prática, antes mesmo das 12h15. Enquanto o Padre Vitor se prepara para a Missa e os acólitos organizam o presbitério, o público que entrar na igreja encontrará o Coral Astorga e a orquestra executando cerca de cinco ou seis peças de música sacra.
Ao mesmo tempo, será realizado o cuidadoso cerimonial de preparação do templo. As velas serão acesas uma a uma, inclusive nos grandes tocheiros de prata colocados junto ao altar; as flores e os paramentos completarão a ornamentação preparada especialmente para a Assunção; e as alfaias históricas da Irmandade retornarão ao uso para o qual foram produzidas.
Entre elas estará um dos objetos que mais simbolizam o trabalho recente de recuperação do patrimônio da Lapa dos Mercadores: o raro porta-paz de prata de lei do século XIX, ornado com o brasão da Irmandade, localizado no mercado de antiguidades em São Paulo e devolvido à igreja pela Polícia Federal em maio deste ano. A peça havia permanecido desaparecida do acervo por décadas e voltou ao altar depois de uma investigação iniciada a partir do trabalho de busca realizado pela própria Irmandade em catálogos de antiquários e leilões.
O porta-paz dividirá espaço com outras peças da prataria histórica utilizadas nas grandes solenidades da igreja, entre tocheiros, castiçais, turíbulos, navetas e demais objetos litúrgicos que ajudam a transformar a pequena nave elíptica da Lapa em um cenário pouco comum no Rio contemporâneo. O uso dessas peças nas cerimônias, em vez de mantê-las simplesmente expostas como objetos museológicos, vem sendo uma das características das celebrações realizadas pela Irmandade desde a reabertura do templo.
Pouco antes do início da Missa acontece ainda um dos momentos que mais chamam a atenção de quem almoça ou passeia pela Rua do Ouvidor aos sábados. O sacerdote, os acólitos e os irmãos deixam momentaneamente o interior da igreja e se organizam diante de sua fachada, em plena rua, cercados pelos bares, restaurantes e sobrados do Centro Histórico.
Com o cortejo formado, as fanfarras e os metais da orquestra anunciam o início da cerimônia. Padre, acólitos e irmãos ingressam então solenemente pela porta principal e atravessam a nave em procissão até o altar, enquanto o coral dá início à música litúrgica. Por alguns minutos, o movimento habitual da Rua do Ouvidor se mistura a um cerimonial religioso que parece vindo de outro tempo.
É justamente essa combinação entre a vida contemporânea do Centro e tradições antigas que tornou as Missas dos fins de semana da Lapa dos Mercadores uma programação procurada tanto por fiéis quanto por pessoas interessadas na história, na música e no patrimônio do Rio. O visitante pode assistir à cerimônia e, logo depois, permanecer no entorno da Praça XV, do Arco do Teles e da própria Rua do Ouvidor, hoje novamente movimentados por bares, restaurantes, museus e atividades culturais.
Uma das maiores festas de Nossa Senhora
A Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria é uma das mais importantes solenidades dedicadas a Nossa Senhora. A fé católica ensina que Maria, ao terminar o curso de sua vida terrena, foi elevada em corpo e alma à glória celestial.
Embora a crença na Assunção seja muito anterior, presente há séculos na tradição cristã, sua definição formal como dogma ocorreu em 1º de novembro de 1950, quando o Papa Pio XII promulgou a Constituição Apostólica Munificentissimus Deus.
Por isso, 15 de agosto não é propriamente a data em que o dogma foi proclamado, mas o dia tradicional em que a Igreja celebra liturgicamente o mistério da Assunção. É a celebração da glorificação de Maria, que participa de maneira singular da vitória de Cristo sobre a morte.
E é justamente daí que vem outra devoção profundamente conhecida pelos cariocas: Nossa Senhora da Glória.
Nossa Senhora da Assunção e Nossa Senhora da Glória não são duas personagens diferentes. São títulos distintos dados à mesma Virgem Maria e relacionados ao mesmo mistério. Ao celebrar Maria elevada ao Céu, a Igreja celebra também Maria na glória celestial. Por isso, no Brasil, a festa da Assunção ficou tradicionalmente associada à invocação de Nossa Senhora da Glória. A própria Conferência Nacional dos Bispos do Brasil registra o dia 15 de agosto como a festa da Assunção de Maria, também conhecida no país como festa de Nossa Senhora da Glória.
No Rio, a associação é particularmente forte. O nome de Nossa Senhora da Glória atravessou os séculos e acabou incorporado à própria geografia carioca, dando nome ao tradicional Outeiro, à igreja e ao bairro da Glória.
Na Lapa dos Mercadores, porém, Maria será venerada neste sábado sob outra antiga invocação portuguesa: Nossa Senhora da Lapa, a Senhora venerada pelos mercadores que ergueram sua igreja na velha Rua do Ouvidor. Para uma Irmandade mariana e para uma Liga de devotos cuja própria razão de existir é cultivar essa devoção, a Assunção representa, portanto, uma das datas mais significativas de todo o ano.
E os cariocas estão convidados a participar da celebração. A entrada é gratuita e as portas da igreja estarão abertas para quem quiser acompanhar, em meio à música, às flores, à prata, ao incenso e à história do Rio, uma das grandes festas da Virgem Maria.
Serviço
Missa Solene da Assunção de Nossa Senhora
Data: sábado, 15 de agosto de 2026
Horário: 12h15 — apresentação de música sacra antecede o início da Missa
Celebrante: Padre Vitor Pimentel Pereira
Música: Coral Astorga e grande orquestra, sob regência de Juliana Sucupira
Local: Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores
Endereço: Rua do Ouvidor, 35 — esquina com a Travessa do Comércio, junto ao Arco do Teles — Centro — Rio de Janeiro
Entrada: franca
Estacionamento: Subterrâneo do antigo prédio da Bolsa de Valores, na Praça XV, ou Terminal Garagem Menezes Côrtes. As duas opções já são utilizadas como referência nas programações da igreja publicadas pelo DIÁRIO DO RIO. (Diário do Rio – Quem Ama o Rio Lê)















































































































