
Sem receber nenhuma proposta, o leilão fracassado da histórica sede dos Correios, na Rua Primeiro de Março, no Centro do Rio, acabou dando novo impulso à mobilização pela preservação do imóvel. Uma petição online pede que a Prefeitura do Rio compre o prédio, erguido em 1878, durante o reinado de Dom Pedro II, e dê ao espaço uma função pública.
A iniciativa defende que o município siga o exemplo de São Paulo, que comprou o antigo Palácio dos Correios, no Centro da capital paulista, para instalar estruturas públicas. No Rio, a proposta é concentrar no edifício órgãos e secretarias municipais que hoje funcionam em imóveis privados alugados.
Segundo a petição, entre as estruturas que poderiam ser transferidas estão a CET-Rio, Riotur, Rio-Urbe, IplanRio e MultiRio, além de secretarias das áreas de turismo, transportes, conservação, esportes e cidadania. A ideia é reduzir gastos com aluguéis e, ao mesmo tempo, manter o imóvel histórico em uso público.
O documento também defende que a compra ajudaria na preservação do prédio e na requalificação do entorno da Praça XV, uma das áreas de maior concentração de patrimônio histórico do Rio. O imóvel fica próximo a locais como o Paço Imperial, o Centro Cultural Banco do Brasil, a Igreja da Candelária e o Centro Cultural França-Brasil.
Erguido em 1878, o imóvel foi construído para concentrar os serviços postais brasileiros e abrigou durante décadas a administração dos Correios. O projeto é atribuído ao engenheiro e arquiteto Antônio de Paula Freitas. O edifício tem cinco pavimentos e cerca de 9.060 metros quadrados de área construída, em um terreno de 1.585 metros quadrados. Ocupa um quarteirão entre as ruas Primeiro de Março, do Rosário, Visconde de Itaboraí e a Travessa Tocantins.
Imóvel pode voltar a ser leiloado
O prédio foi colocado à venda pelos Correios como parte do processo de reestruturação financeira da estatal. O lance inicial foi de cerca de R$ 53,6 milhões. Como não houve interessados na primeira rodada, o edital permite novas tentativas, com redução do valor. Na terceira etapa, o preço mínimo poderá chegar a R$ 47,7 milhões.
A venda do imóvel foi antecipada pelo DIÁRIO DO RIO. Antes do leilão, uma avaliação da Sergio Castro Imóveis apontou que o valor de mercado do prédio não ultrapassaria R$ 40 milhões, considerando as características históricas da construção, as limitações para intervenções e as condições do mercado imobiliário do Centro.
O edital informa ainda que o imóvel não possui débitos inscritos em dívida ativa de IPTU, mas há divergências entre as áreas registradas no cadastro municipal e no registro imobiliário. A regularização ficará sob responsabilidade do futuro comprador.
A venda faz parte da estratégia dos Correios para reorganizar seu patrimônio e levantar recursos diante do desequilíbrio financeiro da estatal. Entre as medidas adotadas estão a contratação de empréstimos, o fechamento de unidades deficitárias e a revisão de contratos.



































































































