Firjan Senai e Exército criam no Rio hub de defesa cibernética


O Rio de Janeiro será uma das bases do Exercício Guardião Cibernético 8.0, considerado o maior treinamento de defesa cibernética do país. A operação será realizada em setembro e vai simular ataques virtuais contra sistemas usados por órgãos públicos e empresas de setores estratégicos.

A Firjan Senai assinou um termo de cooperação técnica com o Exército Brasileiro para receber um dos hubs da atividade. O exercício é promovido pelo Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber), em parceria com o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI).

O objetivo é testar a reação de instituições diante de ataques a infraestruturas críticas. As simulações vão reproduzir situações que podem afetar serviços essenciais e operações de grandes empresas.

“Hoje, competitividade e segurança caminham juntas. Não basta proteger ativos físicos: é preciso garantir a resiliência dos ambientes digitais que sustentam a indústria, a infraestrutura e os serviços essenciais”, afirmou o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano.

Segundo ele, a instalação de um dos hubs no estado reforça o papel do Rio de Janeiro como polo de inovação e segurança cibernética.

Operação terá cerca de 40 empresas e instituições

O treinamento no Rio será conduzido pelo Centro de Referência em Tecnologia da Informação e Comunicação (DigiTech), da Firjan Senai. A unidade funciona no edifício Eco Sapucaí, na Cidade Nova, região central da capital.

A expectativa é reunir representantes de cerca de 40 empresas e organizações ligadas a áreas como energia, petróleo e gás, telecomunicações, finanças, logística, tecnologia e governo digital.

As equipes atuarão em tempo real e estarão conectadas ao centro nacional de coordenação, em Brasília.

Durante a atividade, os participantes enfrentarão ataques simulados em ambientes virtuais semelhantes aos sistemas usados no cotidiano das empresas. O exercício também vai envolver equipes de tecnologia, comunicação institucional, departamentos jurídicos, gabinetes de crise e integrantes da alta administração.

A proposta é reproduzir as decisões que precisam ser tomadas durante um incidente real, incluindo a proteção dos sistemas, a comunicação com o público e a continuidade dos serviços.

“A criação de um hub no Rio amplia a presença de organizações fluminenses na iniciativa, já que elas não precisarão mais se deslocar até Brasília para integrar a operação”, disse Luiz Césio Caetano.

O presidente da Firjan destacou ainda que o estado concentra instalações estratégicas nas áreas de energia, petróleo e gás, telecomunicações, infraestrutura, pesquisa e defesa.

Ataques com inteligência artificial cresceram 89%

A realização do exercício ocorre em meio ao aumento das ameaças digitais. Levantamento da empresa de segurança cibernética CrowdStrike aponta que os ataques realizados por grupos que utilizam inteligência artificial cresceram 89% entre 2024 e 2025.

O estudo também registrou alta de 37% nas invasões voltadas para ambientes de nuvem. O tempo médio necessário para criminosos comprometerem um sistema caiu para 29 minutos.

Em alguns dos casos analisados, a invasão ocorreu em apenas 27 segundos.

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